____________________
(A uma menina)
Simpatia — é o sentimento
Que nasce num só momento,
Sincero, no coração;
São dois olhares acesos
Bem juntos, unidos, presos
Numa mágica atração.
Simpatia — são dois galhos
Banhados de bons orvalhos
Nas mangueiras do jardim;
Bem longe às vezes nascidos,
Mas que se juntam crescidos
E que se abraçam por fim.
São duas almas bem gêmeas
Que riem no mesmo riso,
Que choram nos mesmos ais;
São vozes de dois amantes,
Duas liras semelhantes,
Ou dois poemas iguais.
Simpatia — meu anjinho,
É o canto do passarinho,
É o doce aroma da flor;
São nuvens dum céu de agosto,
É o que me inspira teu rosto...
—
Simpatia — é — quase amor!
____________________
Antologia
de Poetas Fluminenses (vários autores) — Rubens Falcão, Carta-Prefácio de
Agripino Grieco, 1968, Gráfica Record Editora, Rio de Janeiro — RJ; Casimiro José
Marques de Abreu (1839 — 1860), fluminense nascido em Barra de São João (rebatizada
Casimiro de Abreu, em sua homenagem), tendo recebido tão somente a instrução primária
(de 1849 a 1852) no Instituto Freeze, em Nova Friburgo, por vontade paterna
mudou-se para o Rio e praticou o comércio por um período; foi poeta do romantismo
e iniciou sua atividade literária publicando um conto, durante estada em Portugal,
aonde tinha ido acompanhado do pai; em Lisboa também escreveu a maior parte de seus
poemas e outros textos, compôs o drama Camões e o Jau — representado no Teatro Dom
Fernando, em 1856 — e também colaborou na imprensa portuguesa, ao lado de Alexandre
Herculano, Rebelo da Silva e outros; no jornal O Progresso foi impresso o folhetim
Carolina e na revista Ilustração Luso-Brasileira foram publicados os primeiros capítulos
de Camila, recriação ficcional de uma visita que fez ao Minho, terra de seu pai;
em 1857, de retorno ao Rio de Janeiro, frequentou rodas literárias e, colaborador
da imprensa, escreveu em A Marmota, O Espelho, revista Popular e jornal Correio
Mercantil; neste último, conviveu com Manoel Antonio de Almeida (jornalista) e com
Machado de Assis (revisor); suas obras: Camões e o Jau (teatro, 1856), Carolina
(romance, 1856), Camila (romance inacabado, 1856), A Virgem Loura, Páginas do Coração
(prosa poética, 1857), Primaveras (poesias, 1859) e outros títulos; morreu de tuberculose
aos 21 anos de idade; tornou-se um dos poetas mais populares do Romantismo no
país; Casimiro de Abreu é o patrono da Cadeira nº 6 da Academia Brasileira de
Letras.




