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(traduzido por Manuel Corrêa de Barros * — português)
Pus-me a pensar nos anos venturosos
em que o poeta Teócrito cantava,
e em cada um, à vez, acrescentava,
à vida humana, dons mais generosos.
Na sua língua antiga, aos dolorosos
anos da minha vida os comparava;
doces, mas tristes anos, que eu lembrava,
com lágrimas nos olhos saudosos.
Chorando assim, senti que se movia,
por trás de mim, alguém que me prendia
os cabelos, e, em tom dominador,
perguntava: "Adivinha quem eu sou?
— "A Morte", respondi. E a voz tornou,
num riso claro: "A Morte, não. O Amor!"
I thought once how Theocritus had sung
Sonnet 1
I thought once how Theocritus had sung
Of the sweet years, the dear and wished for years,
Who each one in a gracious hand appears
To bear a gift for mortals, old or young:
And, as I mused it in his antique tongue,
I saw, in gradual vision through my tears,
The sweet, sad years, the melancholy years,
Those of my own life, who by turns had flung
A shadow across me. Straightway I was 'ware,
So weeping, how a mystic Shape did move
Behind me, and drew me backward by the hair,
And a voice said in mastery, while I strove,
“Guess now who holds thee?” — “Death,” I said. But, there,
The silver answer rang, — “Not Death, but Love.”
(Sonnets from the Portuguese — 1847)
* Nota do autor Vasco de Castro Lima, organizador deste O mundo
maravilhoso do soneto: Manuel Corrêa de Barros, aliás, traduziu todos os
sonetos dessa poetisa, publicando, em 1945, um livro com o título "Sonetos
Portugueses".
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O Mundo Maravilhoso do Soneto, de Vasco de Castro Lima [inúmeros sonetistas
e tradutores], Prefácio de Rangel Coelho, 1987, Livraria Freitas Bastos S/A, Rio
de Janeiro — RJ; Elizabeth Barrett Browning (1806 — 1861), inglesa de Coxhoe Hall,
Durham, foi poetisa do Romantismo e da época vitoriana; autodidata, exceto por ter
recebido “algumas instruções de grego e latim de um tutor que vivia com a família
e ajudava seu irmão Edward”, ainda aos dez anos de idade, já havia lido várias peças
de Shakespeare, traduções homéricas, de Pope, histórias da Inglaterra, Grécia e
Roma e, logo após, peças de Racine e Molière, o Inferno, de Dante; todo o Antigo
Testamento, em hebraico, Tom Paine, Voltaire, Rousseau e Mary Wollstonecraft; aos
15 anos de idade, tornou-se praticamente inválida por problemas de coluna e, depois,
teve sua saúde agravada por complicações pulmonares; em 1846, casando-se com o também
poeta Robert Browning, mudou-se para Florença — Itália, ali vivendo pelo resto da
vida; Elizabeth escreveu seu primeiro poema aos 12 anos, The Battle of Marathon
(A Batalha de Maratona), em 4 tomos, que seu pai mandou imprimir; suas obras: An
Essay on Mind and Other Poems (Um Ensaio sobre a Mente e Outros Poemas, 1826), Prometheus
e Outros Poemas (1833), The Seraphim and Other Poems (Serafim e Outros Poemas, 1838),
Sonnets from the Portuguese (Sonetos da Portuguesa, 1847), Casa Guidi Windows (Janelas
da Casa Guidi, 1851), Aurora Leigh (1856), Poems Before Congress (Poemas Perante
o Congresso, 1860) e outros, além de textos em prosa; traduziu a peça Prometeu Acorrentado
(Prometheus Bound) atribuída a Ésquilo, dramaturgo da Grécia Antiga.