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segunda-feira, 17 de junho de 2019

René Schickele: O rapaz no jardim

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[traduzido por Claudia Cavalcanti]

Quero pousar minhas mãos nuas uma sobre a outra
e deixá-las afundar pesadamente,
como se fossem amantes, pois a noite cai.
Sinos de maio soam no crepúsculo
e brancos véus de odores baixam sobre nós,
que espreitamos juntos nossas flores.
Através do último brilho do dia reluzem tulipas,
os lilases gritam dos arbustos,
uma rosa clara dilui-se no chão...
Somos bons um para o outro.
Lá fora através da noite azul
escutamos o soar abafado das horas.

(1915)

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René Schickele

Der Knabe im Garten

Ich will meine bloßen Hände aneinander legen
und sie schwer versinken lassen,
da es Abend wird, als wären sie Geliebte.
Maiglocken läuten in der Dämmerung,
und weiße Düfteschleier senken sich auf uns,
die wir eng beieinander unsern Blumen lauschen.
durch den letzten Glanz des Tages leuchten Tulpen,
die Syringen quellen aus den Büschen,
eine helle Rose schmilzt am Boden...
Wir alle sind einander gut.
Draußen durch die blaue Nacht
hören wir gedämpft die Stunden schlagen.

(1915)
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Poesia Expressionista Alemã: uma antologia, Organização e Tradução de Claudia Cavalcanti, edição bilíngue ilustrada, 2000, Estação Liberdade, São Paulo — SP; René Schickele (1883 1940), franco-alemão de Obernai, na Alsácia francesa (Oberehnheim, região do Baixo Reno, anexada ao Reich, Reino Alemão, após a guerra franco-alemã de 18701871), estudou Ciências Naturais e Filosofia e foi jornalista, poeta, romancista, ensaísta e tradutor; editou vários periódicos, entre os quais o jornal Neue Straßburger Zeitung e dirigiu a revista literária expressionista Die Weißen Blätter (Folhas Brancas), onde publicou diversos autores, Franz Kafka entre eles; vivendo como escritor em Berlim e Paris, empreendeu muitas viagens mundo afora; bibliografia: Sommemächte (poesia, 1902), Der Ritt ins Leben  (poesia, 1906), Weiß und Rot (poesia, 1910), Hans im Schnakenloch  (teatro, 1915), Am Glockenturm e Die Neue Kerle (teatro, ambos em 1920); Das Erbe am Rhein: Maria CapponiBlick auf die Vogesen e Der Wolf in der Hürde (trilogia romântica, 1926, 1927 e 1931), Le retour  (traduzido para o alemão, Heimkehr, romance, 1938), e outros títulos; apesar de sua origem francesa, foi membro da Academia de Berlim.

sábado, 15 de dezembro de 2018

René Schickele: Desistência

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[traduzido por Claudia Cavalcanti]

Desisto:
De toda violência
De qualquer pressão
E mesmo da pressão
De ser bom para os outros.
Sei:
Pressiono somente a pressão.
Sei:
A espada é mais forte
Que o coração,
A batida insiste mais
Que a mão,
Violência rege
O que bem começou
Para o mal.

O mundo como eu quero,
Primeiro preciso eu mesmo
Virar inteiro e leve.
Preciso virar um raio de luz,
Uma água límpida
E a mais pura mão,
Ofertada à saudação e socorro.

Estrela à noite testa o dia,
Noite nina maternal o dia.
Estrela da manhã agradece à noite.
Dia raia.
Dia após dia
Procura raio após raio,
Raio em raio
Vira luz,
Uma clara água quer outra,
E mãos entrelaçadas
Criam em silêncio a união.

(1915)

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René Schickele

Abschwur

Ich schwöre ab:
Jegliche Gewalt,
Jedweden Zwang,
Und selbst den Zwang,
Zu andern gut zu sein.
Ich weiß:
Ich zwänge nur den Zwang.
Ich weiß:
Das Schwert ist stärker
Als das Herz,
Der Schlag dringt tiefer
Als die Hand,
Gewalt regiert,
Was gut begann,
Zum Bösen.

Wie ich die Welt will
Muß ich selber erst
Und ganz und ohne Schwere werden.
Ich muß ein Lichtstrahl werden,
Ein klares Wasser
Und die reinste Hand,
Zu Gruß und Hilfe dargeboten.

Stern am Abend prüft den Tag,
Nacht wiegt mütterlich den Tag.
Stern am Morgen dankt der Nacht.
Tag strahlt.
Tag um Tag
Sucht Strahl um Strahl,
Strahl an Strahl
Wird Licht,
Ein helles Wasser strebt zum andern,
Weithin verzweigte Hände
Schaffen still den Bund.

(1915)
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Poesia Expressionista Alemã: uma antologia, Organização e Tradução de Claudia Cavalcanti, edição bilíngue ilustrada, 2000, Estação Liberdade, São Paulo — SP; René Schickele (1883 —  1940), franco-alemão de Obernai, na Alsácia francesa (Oberehnheim, região do Baixo Reno, anexada ao Reich, Reino Alemão, após a guerra franco-alemã de 18701871), estudou Ciências Naturais e Filosofia e foi jornalista, poeta, romancista, ensaísta e tradutor; editou vários periódicos, entre os quais o jornal Neue Straßburger Zeitung e dirigiu a revista literária expressionista Die Weißen Blätter (Folhas Brancas), onde publicou diversos autores, Franz Kafka entre eles; vivendo como escritor em Berlim e Paris, empreendeu muitas viagens mundo afora; bibliografia: Sommemächte (poesia, 1902), Der Ritt ins Leben (poesia, 1906), Weiß und Rot (poesia, 1910), Hans im Schnakenloch (teatro, 1915), Am Glockenturm e Die Neue Kerle (teatro, ambos em 1920); Das Erbe am Rhein: Maria Capponi, Blick auf die Vogesen e Der Wolf in der Hürde (trilogia romântica, 1926, 1927 e 1931), Le retour (traduzido para o alemão, Heimkehr, romance, 1938), e outros títulos; apesar de sua origem francesa, foi membro da Academia de Berlim.