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quarta-feira, 31 de maio de 2023

Martins Fontes: Brasileira

 
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Vem-me de ti, nas aragens,
A rescendência febril
Que há nos pomares selvagens,
À beira-mar, no Brasil!

Tua carne capitosa
Tem, na rijeza vivaz,
O aroma da manga-rosa,
A doçura do ananás!

O cheiro dos teus cabelos
Faz-me sorrir e sofrer...
Que eu por ti sinto desvelos
Que me acanho de dizer:

Invejas do teu vestido,
Do vento e da luz do sol...
Ciúme do teu marido,
Do linho do teu lençol!

Que doce, que bom seria
Incomparável prazer,
Amar-te adorar-te um dia,
Beijar-te, e depois morrer...

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232 Poetas Paulistas — Antologia, por Pedro de Alcântara Worms, 1968, Editora Conquista, Rio de Janeiro — RJ; José Maria Martins Fontes (1884 1937), paulista de Santos, estudou e doutorou-se na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, foi médico sanitarista, poeta, conferencista e jornalista; ainda estudante no Rio, colaborou com os jornais Gazeta de Notícias e O País e com as revistas Careta e Kosmos; escreveu para os jornais A Gazeta e Diário Popular, de São Paulo, Diário de Santos, Cidade de Santos e também para outros periódicos e revistas; deixou-nos extensa produção literária em verso e prosa e também outras de caráter científico; obras: Granada (poema, 1899), O Lezado (1908), Chicouuu (versos, 1917), A Gripe em Iguape (1920), Arlequinada (fantasia, 1922), Boêmia galante (versos, 1923), Rosicler (versos, 1923), Prometeu (versos, 1924), Partida para Cítera (teatro, 1925), Volúpia (versos, 1925), Decameron (contos, 1925), O céu verde (versos, 1926), O Colar Partido (prosa, 1927), A flauta encantada (poesias, 1931), Sombra, Silêncio e Sonho (1933) e tantos outros títulos.

sábado, 29 de abril de 2023

Martins Fontes: Paulista eu sou há quatrocentos anos!

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Paulista eu sou há quatrocentos anos:
Imortal, indomável, infinita,
Dos mortos de que venho, ressuscita
A alma dos Bandeirantes sobre-humanos.

Tenho o orgulho dos nossos altiplanos.
Tenho a paixão da gleba circunscrita.
Quero morrer, ouvindo a voz bendita
Dos pausados cantares paulistanos.

De minha terra, para minha terra,
Tenho vivido. Meu amor encerra
A adoração de tudo quanto é nosso.

Por ela, sonho num perpetuo enlevo.
E, incapaz de servi-la quanto devo,
Quero ao menos amá-la quanto posso.

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232 Poetas Paulistas — Antologia, por Pedro de Alcântara Worms, 1968, Editora Conquista, Rio de Janeiro — RJ; José Maria Martins Fontes (1884 1937), paulista de Santos, estudou e doutorou-se na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, foi médico sanitarista, poeta, conferencista e jornalista; ainda estudante no Rio, colaborou com os jornais Gazeta de NotíciasO País e com as revistas Careta e Kosmos; escreveu para os jornais A Gazeta e Diário Popular, de São Paulo, Diário de Santos, Cidade de Santos e também para outros periódicos e revistas; deixou-nos extensa produção literária em verso e prosa e também outras de caráter científico; obras: Granada (poema, 1899), O Lezado (1908), Chicouuu (versos, 1917), A Gripe em Iguape (1920), Arlequinada (fantasia, 1922), Boêmia galante (versos, 1923), Rosicler (versos, 1923), Prometeu (versos, 1924), Partida para Cítera (teatro, 1925), Volúpia (versos, 1925), Decameron (contos, 1925), O céu verde (versos, 1926), O Colar Partido (prosa, 1927), A flauta encantada (poesias, 1931), Sombra, Silêncio e Sonho (1933) e tantos outros títulos.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2023

Martins Fontes: Sully et Nadège


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As tantas da madrugada,
Lá pelo Saco do Alferes,
Numa grossa patuscada,
Com amigos e mulheres,

Lembrou-se a Lili Maluca
De irmos todos tomar vinho,
A uma famosa baiúca
Chamada  “A Parra do Minho.”

Fomos. Entramos. E um rolo
Se forma. Barulhos. Gritos.
E nós metidos no bolo,
Entre facadas e apitos.

Eis que, em meio à barafunda,
Ouço, conforme a etiqueta,
Naquela biboca imunda,
Dizer um preto a uma preta:

 “Perdoe, minha Senhora,
Tê-la trazido a este frege...”
 “Sully, vamo-nos embora.”
 “Às ordens, minha Nadège.”

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232 Poetas Paulistas — Antologia, por Pedro de Alcântara Worms, 1968, Editora Conquista, Rio de Janeiro — RJ; José Maria Martins Fontes (1884 1937), paulista de Santos, estudou e doutorou-se na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, foi médico sanitarista, poeta, conferencista e jornalista; ainda estudante no Rio, colaborou com os jornais Gazeta de NotíciasO País e com as revistas Careta e Kosmos; escreveu para os jornais A Gazeta e Diário Popular, de São Paulo, Diário de Santos, Cidade de Santos e também para outros periódicos e revistas; deixou-nos extensa produção literária em verso e prosa e também outras de caráter científico; obras: Granada (poema, 1899), O Lezado (1908), Chicouuu (versos, 1917), A Gripe em Iguape (1920), Arlequinada (fantasia, 1922), Boêmia galante (versos, 1923), Rosicler (versos, 1923), Prometeu (versos, 1924), Partida para Cítera (teatro, 1925), Volúpia (versos, 1925), Decameron (contos, 1925), O céu verde (versos, 1926), O Colar Partido (prosa, 1927), A flauta encantada (poesias, 1931), Sombra, Silêncio e Sonho (1933) e tantos outros títulos.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2022

Martins Fontes: O aboio

 
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Eh! boi! Os vaqueiros
Lá vão prazenteiros...
                  Eh! boi!
Por entre espinheiros,
Saltando ligeiros...
                  Eh! boi!

Nem entre os pampeiros1,
Achei cavaleiros...
                  Eh! boi!
Como esses marrueiros2,
Baianos, mineiros...
                  Eh! boi!

Em trajes roceiros,
De couros fouveiros3...
                  Eh! boi!
Alegres, campeiros,
Lá vão, forasteiros...
                  Eh! boi!

À ação dos soalheiros,
Durante janeiros...
                  Eh! boi!
Percorrem lameiros
Estios inteiros...
                  Eh! boi!

Por montes fragueiros4,
Paludes5, mateiros...
                  Eh! boi!
Não temem nevoeiros,
Trovões, aguaceiros...
                  Eh! boi!

Heróis boiadeiros,
Sadios, palreiros...
                  Eh! boi!
São esses romeiros
Os bons brasileiros...
                  Eh! boi!

À noite, em terreiros,
Descantam troveiros...
                  Eh! boi!
Não sei de violeiros
Como esses tropeiros...
                  Eh! boi!


Vocabulário:
1. Pampeiros  Habitantes dos pampas, grandes planícies cobertas de vegetação rasteira na região meridional da América do Sul. Dedicam-se especialmente à criação do gado;
2. Marrueiros — Domadores de touros ou marruás, novilhos ainda não domesticados;
3. Fouveiros — diz-se de roupa, chapéu, capa, etc., de cor escura, quando desbotados pelo uso ou pelo tempo;
4. Fragueiros — Cheios de fragas, penhascos;
5. Paludes — Pântanos.
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Poesia Brasileira para a Infância (diversas autorias), Seleção, Organização e Texto/Apresentação de Cassiano Nunes e Mário da Silva Brito, Coleção Henriqueta 1, 3ª edição revista, 1968, Edição Saraiva, São Paulo — SP; José Martins Fontes (1884 1937), paulista de Santos, estudou e doutorou-se na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, foi médico sanitarista, poeta, conferencista e jornalista; ainda estudante no Rio, colaborou com os jornais Gazeta de Notícias e O País e com as revistas Careta e Kosmos; escreveu para os jornais A Gazeta e Diário Popular, de São Paulo, Diário de Santos, Cidade de Santos e também para outros periódicos e revistas; deixou-nos extensa produção literária em verso e prosa e também outras de caráter científico; obras: Granada (poema, 1899), O Lezado (1908), Chicouuu (versos, 1917), A Gripe em Iguape (1920), Arlequinada (fantasia, 1922), Boêmia galante (versos, 1923), Rosicler (versos, 1923), Prometeu (versos, 1924), Partida para Cítera (teatro, 1925), Volúpia (versos, 1925), Decameron (contos, 1925), O céu verde (versos, 1926), O Colar Partido (prosa, 1927), A flauta encantada (poesias, 1931), Sombra, Silêncio e Sonho (1933) e tantos outros títulos.

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Martins Fontes: Viver! Sinto este verbo em plena glória! . . . [soneto]

Resultado de imagem para antologia da poesia paulista II
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Viver! Sinto este verbo em plena glória!
Vivo na antemanhã alvissareira,
Que, prenunciando o termo da vitória,
Vai redimir a Humanidade inteira!

Viver! tendo a visão divinatória
De que vai abrolhar da sementeira,
Do húmus fecundo, da terrena escória,
O rosal da justiça verdadeira!

A batalha em que vivo me apaixona!
Vejo, à maré montante, vir à tona
O mistério do pélago iracundo...

E sonho, ao resplendor do meio-dia,
Ao realizar-se a benção da Anarquia,
O sol do amor pacificando o mundo!

(Sombra, Silêncio e Sonho  apud Poesias
Completas  6º volume – pág. 215, 1936)

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Antologia da Poesia Paulista II — Prefácio, Organização, Seleção e Notas Bibliográficas por Domingos Carvalho da Silva, Oliveira Ribeiro Neto e Péricles Eugênio da Silva Ramos, 1960, Imprensa Oficial do Estado, São Paulo — SP; José Martins Fontes (1884 — 1937), paulista de Santos,  foi médico sanitarista, poeta, conferencista e jornalista; escreveu para os jornais A Gazeta Diário Popular, de São Paulo, Diário de SantosCidade de Santos e também para outros periódicos e revistas; deixou-nos extensa produção literária em verso e prosa e também outras de caráter científico; algumas de suas obras:  Granada  (poema, 1899), O Lezado (1908), Chicouuu (versos, 1917), A Gripe em Iguape  (1920),  Arlequinada (fantasia, 1922), Boêmia galante  (versos, 1923), Rosicler (versos, 1923),  Prometeu (versos, 1924),  Partida para Cítera (teatro, 1925), Volúpia (versos, 1925), Decameron (contos, 1925), O céu verde (versos, 1926), O Colar Partido (prosa, 1927), A flauta encantada (poesias, 1931), Sombra, Silêncio e Sonho (1933) e tantos outros títulos.

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Martins Fontes: Primavera

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Moças do coração de minha Terra,
Se a dizer vossos nomes não me atrevo,
Por vós, sabeis, minha saudade encerra
O mais contínuo e fascinante enlevo.

Qualquer de vós, seja onde for, não erra
Se se vir retratada no que escrevo,
Porque a poesia é um véu que se descerra,
Para a imagem mostrar-vos em relevo.

Em meus versos se espelha o vosso rosto:
Dá-se convosco exatamente o oposto
Do Soneto lindíssimo de Arvers.

Lendo-me, pensareis:  Sou eu! Pressinto,
Há muito, o seu amor! Sei, por instinto,
Que é impossível ser outra esta mulher!

Resultado de imagem para martins fontes poeta
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O Soneto de Arvers — Mello Nóbrega — 1957, 2ª edição, Livraria São José, Rio de Janeiro — RJ; José Martins Fontes (1884  1937), paulista de Santos, foi médico sanitarista, poeta, conferencista e jornalista; escreveu para os jornais A GazetaDiário Popular, de São Paulo, Diário de Santos, Cidade de Santos e também para outros periódicos e revistas; deixou-nos extensa produção literária em verso e prosa e também outras de caráter científico; algumas de suas obras: Granada (poema, 1899), O Lezado (1908), Chicouuu (versos, 1917), A Gripe em Iguape (1920), Arlequinada (fantasia, 1922), Boêmia galante (versos, 1923), Rosicler (versos (1923), Prometeu (versos, 1924), Partida para Cítera (teatro, 1925), Volúpia (versos, 1925), Decameron (contos, 1925), O céu verde (versos, 1926), O Colar Partido (prosa, 1927), A flauta encantada (poesias, 1931) e tantos outros títulos.

quarta-feira, 25 de março de 2015

Martins Fontes: Dor

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Bebe. O vinho do estilo te consola.
Para beber, não poupes sacrifícios,
que este tem, dentre todos os teus vícios,
a equivalência da melhor esmola.

Enquanto o pranto de teus olhos rola,
e em teu rosto se notam os indícios
dos mais negros e atrozes malefícios,
teu coração, sobre o papel, imola.

Deu-te a Bruxa da Vida este destino.
Vens do Nada, e, no eterno torvelino,
ao mesmo Nada tornarás, em breve.

Vamos, Fantoche, Títere de argila,
sob o peso da dor, que te aniquila,
curva a cabeça, desgraçado, escreve.

(Volúpia  1925)


Nota do Organizador:
Martins Fontes, segundo Agripino Grieco, prezava-se de ser ateu. Aqui, dá a vida como algo que se desenrola entre dois nadas.
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Poesia Parnasiana — Antologia (vários autores), Introdução, Seleção e Notas de Péricles Eugênio da Silva Ramos, 1967, Edições Melhoramentos, São Paulo — SP; José Martins Fontes (1884 1937), paulista de Santos, foi médico sanitarista, poeta, conferencista e jornalista; escreveu para os jornais A Gazeta e Diário Popular, de São Paulo, e Diário de Santos e Cidade de Santos, e também para outros periódicos e revistas; deixou-nos extensa produção literária em verso e prosa e também outras de caráter científico; algumas de suas obras: Granada (poema, 1899), O Lezado (1908), Chicouuu (versos, 1917), A Gripe em Iguape (1920), Arlequinada (fantasia, 1922), Boêmia galante (versos, 1923), Rosicler (versos (1923), Prometeu (versos, 1924), Partida para Cítera (teatro, 1925), Volúpia (versos, 1925), Decameron (contos, 1925), O céu verde (versos, 1926), O Colar Partido (prosa, 1927), A flauta encantada (poesias, 1931) e tantos outros títulos.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Martins Fontes: Nosce Te Ipsum

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Quem serei? Quem sou eu? Não me conheço
e tu, meu sósia, te conheces já?
Estudaste a tua alma pelo avesso,
tua mortalidade que será?

Nota-me bem. Feito do mesmo gesso,
que o mesmo em tudo sejas. Oxalá!
E, sendo assim, contigo me pareço,
e, o que és, comigo se parecerá.

Verás, a olhar-me, tua imagem cara,
que a face é minha, mas o rosto é teu,
e a exatez a aparência desmascara.

Relembrarás alguém que ontem morreu,
e, reencarnando em mim, hoje te encara,
sem saber quem tu és, ou quem sou eu.

Martins Fontes
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Grandes Sonetos da Nossa Língua — Seleção, Organização e breve Prefácio, de José Lino Grünewald, 1987, Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro — RJ; José Martins Fontes (1884 1937), paulista de Santos, foi médico sanitarista, poeta, conferencista e jornalista; escreveu para os jornais A Gazeta e Diário Popular, de São Paulo, e Diário de Santos e Cidade de Santos, e também para outros periódicos e revistas; deixou-nos extensa produção literária em verso e prosa e também outras de caráter científico; algumas de suas obras: Granada (poema, 1899), O Lezado (1908), Chicouuu (versos, 1917), A Gripe em Iguape (1920), Arlequinada (fantasia, 1922), Boêmia galante (versos, 1923), Rosicler (versos (1923), Prometeu (versos, 1924), Partida para Cítera (teatro, 1925), Volúpia (versos, 1925), Decameron (contos, 1925), O céu verde (versos, 1926), O Colar Partido (prosa, 1927), A flauta encantada (poesias, 1931) e tantos outros títulos.