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Mon âme est malade aujourd’hui
Mon âme est malade de absences…
Maurice Maeterlinck
Uma tarde tão triste; um céu de
tanta bruma;
nem um adeus de sol pela planura rasa;
nem um rumor de canto, a alegria de uma asa;
tudo se esbate em sombra e em tristeza se esfuma.
E essa ausente não vem, para
alumiar-me a casa
com o seu riso leal, que o meu ermo perfuma,
e aquelas suaves mãos — carne feita de pluma —
que atenuam a febre que meu corpo abrasa…
Como eu me sinto só, dentro do fim
do dia!
Todo o meu coração é uma alcova sombria.
Tenho à boca o amargor de uma taça de fel.
E este abandono… Esta incerteza que
me aflige…
Ó Georges Rodenbach! Ó meu Cisnes de Bruges!
Ó “Crepuscule Pluvieux” de Ephraim Mikhael!
(Coroa de
Sonhos — 1923)
História da Literatura Brasileira —
Simbolismo: Massaud Moisés, 1988, 2ª edição, Editora Cultrix, São Paulo — SP; Alceu de Freitas Wamosy (1895 — 1923), gaúcho de Uruguaiana,
foi poeta da fase do simbolismo; trabalhou como colaborador no jornal A Cidade (de
propriedade de seu pai, em Alegrete — RS) e também nos periódicos A Notícia, A Federação,
O Diário e na revista A Máscara; passando por Porto Alegre, segue depois para
Santana do Livramento e ali tornou-se proprietário do jornal O Republicano, a partir
de 1917 e cujo periódico dirige até morrer; obra poética: Flâmulas (1913), Terra
Virgem (1914), Coroa de Sonhos (1923); postumamente publicou-se Poesias Completas
(1925, Editora Globo) e Poesia Completa (1994, Coleção Memória, da EDIPUCRS).






