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segunda-feira, 20 de agosto de 2018

José Maria de Fortaleza: A Gramática em cordel

Resultado de imagem para a gramática em cordel Zé Maria da Fortaleza
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O nosso lindo alfabeto
Oferece aos estudantes
As suas vinte e três letras,
Bem claras e importantes.
São elas: cinco vogais
E dezoito consoantes.

Das vogais às consoantes
Quero, uma a uma explicar:
As letras trazem fonemas 
E pra mais claro ficar,
Os fonemas são os sons 
Que usamos pra falar.

Sobre as sílabas, vou falar
Num correto Português
É uma letra ou um grupo
De letra, duas ou três,
Com tanto que nossa língua
As pronuncie de uma vez.

Vocábulos no Português:
Nós temos os monossílabos,
Dissílabos (os de duas sílabas),
Os de três sílabas, trissílabos.
E os de mais de três sílabas
São chamados de polissílabos.

Vocábulos monossílabos
No modo de se falar,
Podem ser tônicos ou átonos
(Conforme quero explicar).
Depende do acento tônico
Que a silaba precisar.

Se a última silaba tomar
O acento é oxítona;
Sendo na penúltima sílaba,
Chama-se paroxítona.
Quando é na antepenúltima,
Essa é proparoxítona.

Deixo a palavra oxítona,
Que outro sentido traz.
Pretendo agora falar
Com termos gramaticais,
Sobre os encontros vocálicos
(Depois os consonantais).

Grupo de duas vogais
Numa silaba em Português
Sabemos que é ditongo.
Tritongo, quando é de três
E sendo em sílabas vizinhas,
É hiato, dessa vez.

É em nosso Português
Encontro consonantal
Um grupo de consoantes
Numa só sílaba, afinal.
Às vezes formando dígrafo
Nesse nível cultural.

A língua nacional
Esses dígrafos reconhece:
RR, LH,
CH, quando acontece.
NH, GU, QU,
Entre outros, SS.

Nossa gramática enaltece
Dos vocábulos seus sinônimos;
Quando é sentido contrário,
Encontramos os antônimos.
Parônimos, quando parecem.
Ou noutro caso, os homônimos.

Já falei sobre os sinônimos,
(Pra quem compreende bem)
No meu linguajar correto,
Preciso falar também
Nas dez classes de palavras
Que o nosso Português tem.

O substantivo vem,
Depois, a preposição.
Adjetivo, advérbio,
Vem agora a conjunção.
Numeral, artigo, verbo,
Pronome e interjeição.

Vou dar discriminação
Das classes, com seus deveres:
Primeiro os substantivos,
Que com seus grandes poderes,
São palavras com as quais
Nós nomeamos os seres.

Nove grupos de poderes
Ficam nos substantivos.
São eles: próprios, concretos,
Abstratos, primitivos,
Comuns, simples, derivados,
Compostos, e coletivos.

Vou falar nos coletivos:
De anjos, é legião;
De lobos, é alcatéia;
De soldados, batalhão;
De ilhas é arquipélago
De estrelas, constelação.

Os substantivos dão
O gênero gramatical
Masculino e feminino.
E levando ao numeral,
Os números também são dois:
Singular e o plural.

Com termo gramatical
Vou trazer pro nosso arquivo
Conhecimento dos graus
Primeiro, o aumentativo.
E em segundo lugar,
Temos o diminutivo.

Antes do substantivo,
Uma letra tem abrigo
Pra poder determiná-lo.
Por exemplo, quando eu digo.
“O céu está estrelado”.
Esse “o” é um artigo.

Para esquecer o artigo,
Falo no adjetivo.
(Que segundo o nosso estudo
Sobre qualificativo,
Vem mostrar a qualidade
Que tem o substantivo).

Ainda em adjetivo,
Existe uma expressão:
Locução adjetiva.
Na exemplificação,
Dá: luz do sol, luz solar.
(Eis uma comparação).

Continuando a lição
Dos nossos adjetivos,
Em gênero e numero concordam
Com seus substantivos.
Exemplo “menino vivo”
Passa a ser “meninos vivos”.

Nos graus dos adjetivos
Pretendo agora falar:
Primeiro o comparativo
(Ou lógica de comparar).
O outro é superlativo 
Eu posso exemplificar.

O grau de se comparar
Pode ser de igualdade.
“Sou mais rico que fulano”,
É superioridade.
“Menos alto que ele”,
É inferioridade.

Há certa modalidade
Sobre o grau superlativo
Que conforme a expressão
(Ou modo explicativo),
Passa de absoluto
Para o ponto relativo.

Esse grau superlativo
Traz idéia diferente.
Por exemplo, quando ele.
É no estudo da gente,
Absoluto sintético
Vigora irregularmente.

Nesse caso, certamente.
Áspero passa a ser aspérrimo;
Feliz, passa a felicíssimo;
Célebre, fica celebérrimo;
Cruel, fica crudelíssimo
E livre fica libérrimo.

Pobre passa a ser paupérrimo;
Amargo, fica amaríssimo.
Fica antiqüíssimo em antigo,
Atroz torna-se atrocíssimo
Alto passa a ser supremo
E sábio, sapientíssimo.

Fiel, passa a fidelíssimo;
E fácil, fica facílimo.
Negro, passa a ser nigérrimo;
Humilde, passa a humílimo;
Comum, fica comuníssimo
E difícil, dificílimo.

Dócil passa a ser docílimo,
Notável, notabilíssimo,
Mau péssimo; pequeno mínimo;
Frio passa a frigidíssimo.
Bom é ótimo, baixo é ínfimo.
E cristão, cristianíssimo.

Com o termo estudiosíssimo
Eu acho ser natural,
Mostrando os caracteres
Da lógica gramatical,
Explicar alguma coisa
Concernente ao numeral.

Quatro grupos, afinal
Existem nos numerais:
Tem os multiplicativos
E também os cardinais;
Depois os fracionários
E por último os ordinais.

Esquecendo os numerais,
Outra idéia agora vem:
Vou falar sobre pronomes
(Que pra quem entende bem,
Seis espécies de pronomes
A nossa gramática tem).

Quem diz “assim”, fala bem.
São eles: os possessivos,
Demonstrativos e outros,
Que são: interrogativos,
Também os indefinidos,
Pessoas e relativos.

Percorrendo outros arquivos
Vou trazer para a lição
Verbo, palavra que exprime,
Em qualquer ocasião,
Estado, ação ou fenômeno 
Depende da expressão.

Sobre a classificação,
Temos os auxiliares,
Pronominais e passivos.
Tem ainda os regulares
E completando o conjunto,
Os verbos irregulares.

O verbo em seu exemplares,
Tem modo indicativo
E o modo particípio;
Depois o subjuntivo,
Imperativos e outros 
Gerúndio e infinitivo.

Advérbio, nesse arquivo
Não pode ser esquecido.
É palavra invariável
Que modifica o sentido
Dum verbo ou doutro advérbio,
Conforme o teme escolhido.

Depois de introduzido,
Sofre modificação:
Pode ser de intensidade,
De dúvida ou de afirmação.
Também pode ser de tempo,
Lugar, modo ou negação.

Vou falar em locução
Adverbial, somente:
Em cima, por trás, de perto,
De fora, de dentro, em frente,
De manhã, de tarde, à noite,
Assim sucessivamente.

Acho ser conveniente
Falar-se em preposição 
É palavra invariável,
Que sempre faz ligação
A outras duas palavras
E exprime posição.

O valor da ligação
É fácil de se explicar:
Por exemplo: ”moro em Santos”.
Esse “em” tem que ficar
Ligando duas palavras
E exprimindo lugar.

Para mais claro ficar
Os seus modos principais,
Divide-se em duas classes:
Primeiro as essenciais
E em segundo lugar,
Temos os acidentais.

Nos termos gramaticais,
Existem as conjunções.
Conjunção é a palavra
Que não tem variações.
E quando vem ao discurso,
Liga duas orações.

Sabemos que as conjunções
Em suas leis instrutivas
Divide-se em duas classes:
São as coordenativas
E em segundo lugar,
Vêm as subordinativas.

Com ordens interjetivas,
Nesta importante lição,
Pretendo dizer agora
O que é interjeição:
É palavra invariável,
Que exprime uma emoção.

Nós temos a locução
Interjetiva, que vem
No lugar de interjeição.
Quando se fala a alguém,
Por exemplo: “ora bolas”,
“Pois sim”, “meu DEUS”, “muito bem”.

Interjeição quando vem
Exprime admiração,
Aviso, apelo, alegria,
Dor, surpresa, animação;
Silêncio, desejo, medo,
Desagrado ou saudação.

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A Gramática em Cordel, por José Maria de Fortaleza  Projeto Acorda Cordel na Sala de Aula, capa de Klévisson Viana, 2005, 8ª edição, Tupynanquim Editora, Fortaleza  CE; José Maria do Nascimento ou Zé Maria de Fortaleza, nascido em 1945, cearense de Aracoiaba, é cantador, músico, repentista, ator e poeta cordelista; cursou Teoria Musical no Conservatório de Música Alberto Nepomuceno (Fortaleza  CE), com certificado em Influência Afro na cultura brasileira e em História da Música Popular Brasileira; ministra cursos, palestras e oficinas sobre a literatura de cordel em diversas regiões do país; com dezenas de cordéis publicados, tem 3 livros editados, Gramática em Cordel, A lenda do vaga-lume e Fragmentos da literatura popular cearense (em parceria com Dr. Antônio Ferreira), além de CDs e DVDs gravados; apresenta semanalmente o programa Canta Brasil, na Rádio CidadeAM 860, de Fortaleza.

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Glauco Mattoso: Soneto para quem corre "risco de morte" [2296]

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Suspeitem dos filólogos! Talvez
quem seja muito sábio saiba, além
do próprio nome, em puro português
dizer que tem "diproma" e "crasse" tem...

Um cara "especialista" é sempre alguém
que estuda, estuda, e sabe cada vez
mais sobre cada vez menos, e vem
naquilo progredindo: é o que ele fez.

Refiro-me ao estúpido gramático
que, só porque tornou-se "midiático",
pretende cagar regra e ser oráculo...

Sabe absolutamente tudo acerca
de simplesmente nada, e, antes que perca
o bonde, traduz "Múrfi" pro vernáculo...

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A Letra da Ley — Série Mattosiana, Volume 4, 2008, Dix Editorial — Annablume, São Paulo — SP; Glauco Mattoso, ou Pedro José Ferreira da Silva, nascido em 1951, paulista e paulistano, é poeta, ficcionista, ensaísta e articulista em diversas mídias; seu pseudônimo e nome artístico trocadilha com "glaucomatoso" (portador de glaucoma, doença congênita que lhe acarretou perda progressiva da visão, até a cegueira total em 1995); cursou Biblioteconomia (Escola de Sociologia e Política, São Paulo) e Letras Vernáculas, na USP São Paulo; tem publicado uma extensa obra poética e outros textos: Jornal Dobrábil (de 1977 a 1981, compilado em um único volume pela Iluminuras, São Paulo SP, em 2001), Revista Dedo Mingo (duas parcelas, 1982, completa o Jornal Dobrábil), Memórias de um Pueteiro: As Melhores Gozações de Glauco Mattoso (poemas, 1982, Edições Trote, Rio de Janeiro RJ), Línguas na Papa (poemas, 1982, Edições Pindaíba, São Paulo SP), Paulisséia Ilhada: Sonetos Tópicos (1999, Ciência do Acidente, São Paulo SP), Geléia de Rococó: Sonetos Barrocos (1999, Ciência do Acidente, São Paulo SP), Panacéia Sonetos Colaterais (2000, Nankin Editorial, São Paulo SP), Melopéia: Sonetos Musicados (2001, compact-disc, com diversos compositores e intérpretes, Rotten Records, São Paulo SP), O que é: Poesia Marginal (ensaio, 1981, Editora Brasiliense, São Paulo SP), O que é: Tortura (ensaio, 1984, Editora Brasiliense, São Paulo SP), O Calvário dos Carecas: História do Trote Estudantil (ensaio, 1985, EMW Editores, São Paulo SP) etc etc etc, e bota etecétera nisso; colaborou em vários jornais e revistas da imprensa alternativa e em diversos periódicos literários; Pedro José Ferreira da Silva, hoje bancário aposentado, foi funcionário do Banco do Brasil; é sonetista inveterado.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Sírio Possenti: A nossa língua (falada ou escrita) por uns e outros (linguistas e gramáticos).

Reproduzo do site Ciência Hoje texto de Sírio Possenti, linguista e professor no Departamento de Linguística da Unicamp:
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Linguistas e gramáticos
Sírio Possenti dedica a primeira coluna do ano a pontuar diferenças entre o trabalho e os posicionamentos desses dois grupos em relação à língua. Para o linguista, gramáticos tendem a estudar e analisar menos e a exemplificar e julgar mais.
Por: Sírio Possenti
Publicado e atualizado em 27/01/2012
Os estereótipos são que os gramáticos defendem o português correto, formal, e que os linguistas defendem todas as variantes. Minha impressão pessoal é que o predicado ‘defensor’ até pode ser aplicado ao gramático, mas é incorretamente aplicado ao linguista.
As principais diferenças entre os dois grupos, ou entre os dois grupos de teorias (sem esgotá-las), considerados diversos critérios, são:
§         Quanto ao corpus: os gramáticos se baseiam em corpora escritos; dizem que seu corpus é literário, mas essa é mais uma jogada do que um fundamento; os ‘exemplos’ poderiam vir dos jornais ou das revistas semanais. Haveria ‘erros’? Mais ou menos tantos quantos se encontram na literatura, convertidos em exceções. Os linguistas privilegiam os dados orais, o que não quer dizer que sempre gravaram falas; muitos seguiram seu ouvido ou sua avaliação pessoal; a querela da gramaticalidade é o melhor exemplo. Lidam mais com fonemas do que com letras; levam em conta construções que não se encontram tipicamente em textos escritos. Ou seja: linguistas e gramáticos divergem sobre o que é – ou o que pertence a – uma língua. Apelando para uma analogia, é como se alguns biólogos incluíssem e outros excluíssem os animais ‘nojentos’. 
Se um fato ocorre sistematicamente, pertence à língua e deve ser descrito pela gramática
§         Quanto a teorias e métodos: para os gramáticos, a autoridade dos escritores é um critério para aceitar construções (e até exceções); para os linguistas, o critério para aceitar construções são os dados: se um fato ocorre sistematicamente, pertence à língua e deve ser descrito pela gramática. Pronúncias como “paiaço” e “muié”; concordâncias como “tu vai” e “os menino”, regências como “assistir o jogo” e “obedecer as regras” etc. são exemplos de pontos de discordância.
§         Quanto à explicitude e coerência das análises: gramáticas mais exemplificam do que analisam; são menos coerentes. Por exemplo, uma definição de sujeito pode não se aplicar a muitas construções sem que isso seja visto como um problema. As gramáticas não se preocupam em indicar o sujeito de uma interrogativa ou de uma imperativa depois de defini-lo como “o termo sobre o qual se declara” alguma coisa; ou em dizer que “a casa” é sujeito em “A casa tem três quartos” depois de definir sujeito como o que pratica ou sofre uma ação.
§         Quanto às controvérsias: gramáticos, eventualmente, discordam entre si, mas raramente se lê em uma gramática a crítica explícita de outra. Entre os linguistas, ao contrário, há verdadeiras polêmicas, ora devidas à preferência por uma ou outra teoria (formalistas e funcionalistas, por exemplo), ora devidas à preferência por uma ou por outra análise do mesmo fato (por exemplo, sobre a chamada “passiva sintética”).
§         Quanto aos erros: gramáticos consideram erros as variantes não ‘formais’ ou não ‘padrões’; linguistas, não. Um bom exemplo é o caso da colocação dos pronomes. Ainda há gramáticas que consideram erradas construções como “me dá um dinheiro”. Haveria uma regra segundo a qual não se pode começar oração com pronome oblíquo. Algumas, como a de Cunha e Cintra, ‘aceitam’ a colocação de pronomes à brasileira, mas em capítulo à parte, como se pedissem desculpas ao leitor (apesar disso, todos os exames que incluem questões gramaticais seguem as regras portuguesas; a culpa, claro, não é dos gramáticos). Linguistas consideram erros apenas construções que não são comuns em nenhuma comunidade de falantes. Numa frase como “tomei dois caipirrinhas”, um linguista detectará dois erros: um de concordância (duas) e a presença de um “r” que não deveria ocorrer (isto é, que um falante nativo do português não pronunciaria nessa palavra). E explica o fato como interferência de uma língua em outra: falantes que aprendem uma segunda língua cometem frequentemente erros desse tipo – muitos estudantes brasileiros de inglês dizem [tchitcher] em vez de [thitcher], porque seu dialeto transforma o “t” diante de “i” em “tch”, e transferem essa regra para o inglês etc.
§         Ainda quanto aos erros: gramáticos consideram erros sociais como se fossem estruturais. Por exemplo: a variação de “l” com “r” em palavras como “flamengo/framengo” (tal ‘troca’ nunca ocorre em começo de sílaba!!!) é parte de um processo histórico que derivou, entre outros casos, em “praia” ou “prata” (compare com “plaga” e com o espanhol “plata”). Tais pronúncias são explicáveis e previsíveis estruturalmente (e um linguista não tem dor de ouvido ao ouvi-las). Elas são socialmente estigmatizadas (em geral, caracterizam a fala popular ou rural). É um erro comparável a um de etiqueta ou de moda. Dizer que é um erro (em língua) equivale a dizer que uma saia curta é um erro no campo da moda (ou em moralidade!). É uma avaliação social, não linguística; às vezes, alguém diz que o som “fra” é horrível, mas ninguém o acha horrível em “fraco” ou em “fraque”. No entanto, trata-se do mesmo som, e no mesmo contexto...
A diferença entre linguistas e gramáticos é análoga à diferença entre antropólogos e missionários
§         Algumas comparações: a diferença entre linguistas e gramáticos é análoga à diferença entre antropólogos e missionários (um quer conhecer, outro quer converter) ou entre botânicos e paisagistas (um estuda as plantas, outro seleciona as ‘elegantes’ – um bom caso de ideologias em confronto). Uma terceira comparação: no campo da moda, há os estudiosos das roupas (na história) e os que emitem juízos – em programas de TV – sobre o que é elegante ou cafona. Observe-se que há programas de TV e colunas de jornal deste último tipo também sobre língua...
§         Uma nota final: muito frequentemente, os defensores das gramáticas não as conhecem; só conhecem os manuais de redação e as listas de erros e fazem de conta que os dois tipos de obra são iguais. Os manuais de redação obedecem a políticas de escrita; de fato, a políticas de edição. Não substituem gramáticas, cuja função é explicar uma língua – e, eventualmente, ajudar a situá-la no espaço ideológico da nacionalidade, como um trunfo espacial.
§         Ia esquecendo: os gramáticos são mais conhecidos (pelo menos, é o que se pensa); linguistas ainda provocam perguntas do tipo “o que você faz?” ou “quantas línguas você fala?”, um pouco como os que estudam gens ou neutrinos.