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[traduzido por Mário Laranjeira]
Um menino a caçar passarinhos, um dia.
Espreitando num bosque, em um ramo avistou
De azevinho sentado Amor; e como o via,
Prazer enorme de seu peito se apossou.
O pássaro era grande; o visgo ele já arruma,
Espera, gira à volta, e, espreitando sua presa,
Tenta não espantá-la assim que ela se apruma;
Ele por fim se cansa ao ver a vagareza
Da caçada sem fim; chuta sua armadilha
E vai na direção de um velho que na trilha
Do arado segue, e lhe ensinara no passado
Os truques a aplicar para uma boa caça.
O menino lhe conta sua grande desgraça,
Mostra-lhe Amor no galho. O velho diz, pausado:
“Deixa, deixa, rapaz, não deves continuar
A busca ineficaz. Desiste de caçar
Esse tal passarinho: essa presa é ruim,
Se a podes evitar, estarás bem assim;
Mas se idade de homem atinges porventura,
O pássaro que foge e que te causa agrura
Por ser demais arisco, um dia se arremessa,
Vem de improviso e pousa sobre tua cabeça.
Un enfant oiseleur jadis en un bocage
Giboyant aux oiseaux, vit dessus le branchage
D’un houx Amour assis; et l’ayant aperçu,
Il a dedans son coeur un grand
plaisir conçu.
Car l'oiseau semblait grand; ses gluaux il apprête,
L'attend et le chevale, et guettant
à sa quête
Tâche de l'assurer ainsi qu'il sautelait;
Enfin il s'ennuya de qui si mal
allait
Toute sa chasse vaine; et ses
gluaux il rue,
Et va vers un vieillard étant à la
charrue,
Qui lui avait appris le métier d'oiseleur,
Se plaint, et parle à lui: il conte
son malheur,
Lui montre Amour branché. Le vieillard
lui va dire:
«Laisse, laisse, garçon, cesse de pourchasser
Après un tel oiseau: telle proie
est mauvaise,
Tant que tu la lairras tu seras à ton
aise,
Mais si à l'âge d'homme une fois tu
atteins,
Cet oiseau qui te fuit et de qui tu
te plains,
Comme trop sautelant, de ton motif
s'apprête,
Venant à l'impromptu, se planter
sur ta tête».
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Poetas franceses da Renascença [edição
bilíngue], Seleção, Apresentação e Tradução de Mário Laranjeira, 1ª edição, agosto
de 2004, Martins Fontes Editora, São Paulo — SP; Jean-Antoine de Baïf (1532 — 1589),
nasceu em Veneza — Itália, “levado para a França ainda bebê, recebeu excelente educação”,
foi poeta, músico, dramaturgo, tradutor, ensaísta e fundador de companhia literária;
com participação ativa e presença marcante na Plêiade, movimento poético da Renascença,
“introduziu na literatura francesa novidades prosódicas, novos ritmos e medidas,
tentando desvencilhar-se da tradição da métrica e da rima”; filho de mãe italiana
e pai francês — o também poeta Lazare de Baïf, embaixador do rei da França Francisco
I —, Jean-Antoine, “desde que começou a falar, aprendeu grego e latim”, cursou o
Collège de Coqueret — Paris, ali tendo sido colega de Pierre Ronsard, poeta e também
participante do grupo literário fundador da Plêiade; suas obras: Amores de Melina
(Amours de Méline, 1552), Amores de Francina (Les Amours de Francine, 1555), O Meteoro
(Les Météores, 1567), Saltério A, manuscrito (P. Saltier A, manuscrit, 1569), Obras
poéticas de Baïf (Oeuvres de poésies de Baïf, 1572), Saltério B, manuscrito (P.
Saltier B, manuscrit, 1573), Obras em rima (Oeuvres en rime, 1572—1573), Passatempos
(Passe-Temps, 1573), Os Mimos, ensinamentos e provérbios (Les Mimes, enseignements
et proverbes, 1581) ...; no teatro, traduziu Terêncio (O Eunuco), Plauto ([peça
cômica, O Valente] Miles gloriosus), Sófocles (Antígona) e traduziu/reescreveu Ovídio
(As Metamorfoses); de sua biografia, consta ter sido o mais erudito e criativo dentre
os fundadores [sete] e participantes do grupo literário da Plêiade; teve textos
musicados.