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“meu amor é meu e eu sou
dele;
ele apascenta o seu rebanho
entre os lírios.”
O meu amor é meu e eu sou
dele.
O linho horizontal é nossa casa
e eu me aninho a dormir sob sua asa;
amo-o com minha boca e minha pele.
Ele é quem vela, e não me diz
que vele
porque sua é a chama e minha a brasa.
O seu fervor ao meu fervor se casa,
clara coma de luz que nos impele.
Desci ao campo raso: ele é meu
campo
onde me deito e a erva se derrama;
é meu olhar que voa, pirilampo.
Sem terra irei por terra; ele
me chama.
Vou sem saber por onde, ao mar ou monte.
Sem sua boca eu já não sei ser fonte.
[28-09-59, Livro
de Sonetos — 1961]
Cantique
des cantiques
“Mon amour est à moi, et je
sui à lui,
il fait paître son troupeau
entre les lis.”
Mon amour est à moi et je suis
à lui.
Le lin horizontal est notre
maison
et je me niche pour dormir
sous son aile;
je l’aime avec ma bouche et ma
peau.
C’est lui qui veille et il ne
me dit pas de veiller
parce que c’est lui la flamme
qui m’embrase.
Sa ferveur à ma ferveur se
marie
claire comme la lumière qui
nous pousse.
Je suis descendue en rase champagne,
il est le champ
où je me couche et l’herbe se
répand;
c’est mon regard qui vole, ver
luisant.
Sans terre, j’irai par terre;
il m’appelle.
Je vais sans savoir par où, à
la mer ou à la montagne.
Sans sa bouche, dejà je ne
sais plus être fontaine.
* Nota da edição: Poemas compilados por Olga
Savary / Poèmes compilés par Olga Savary
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Chemins Scabreux — revue littéraire bilíngue 13, septembre 1997, Paris: Poésie du Brésil, Sélection et Presentacion de Lourdes Sarmento, Texto-prefácio de Olga Savary, edição bilíngue, tradutores: Lucilo Varejão Neto, Maria Nilda Pessoa e outros, 1997, Editions Vericuetos, Paris — França; Renata Pallottini, (1931 — 2021), paulista e paulistana, formou-se em Filosofia Pura na PUC — SP, em Direito na USP — Largo São Francisco, em Dramaturgia e Crítica na Escola de Arte Dramática na USP — SP, além de ter estudado teatro em cursos livres da Sourbonne Nouvelle, em Paris, foi dramaturga, professora, ensaísta, tradutora e poeta, deixou-nos vasta obra poética e também textos para teatro, ensaios, literatura infanto-juvenil e traduções; obras: Acalanto (1952), O Cais da Serenidade, O Monólogo Vivo (1956), A Casa (1958), Nós, Portugal, Livro de Sonetos, (1961), A Faca e a Pedra (1962), Antologia Poética, Os Arcos da Memória (1971), Mate é a Cor da Viuvez (contos, 1974), Coração Americano (1976), Chão de Palavras (1977), Noite Afora (1978), Cantar meu Povo, Tita, a Poeta (literatura infantil, 1984), A Menina que queria ser Anja (1987), Esse Vinho Vadio (1988), Obra Poética (1995) etc, além de várias publicações na área do teatro e ensaios; recebeu prêmios por sua obra.



