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domingo, 30 de novembro de 2025

Batista Cepelos: O trem de ferro

 
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Um fino apito, estrídulo sibila,
rangem as rodas num arranco perro,
e, lentamente, a se arrastar, desfila,
fumegante e luzente, o trem de ferro.

Soa no espaço um derradeiro berro
e tão rápido corre que horripila,
esse monstro a rolar de cerro em cerro,
apavorando a solidão tranqüila.

Vence choupanas, matagais tristonhos,
despenhadeiros, báratros medonhos,
nada lhe amaina o rábido furor.

Corre, corre veloz, nada o embaraça,
desfraldando a bandeira de fumaça,
como um bravo guerreiro vencedor!


* Nota do atrevidíssimo aprendiz de blogueiro deste Verso e Conversa: Sergio Faraco, organizador do livro 60 Poetas Trágicos, ali registrou acerca do poeta Batista Cepelos:
De origem humilde e paternidade que desconhecia, teve seu curso de Direito custeado pelo advogado e professor Francisco de Assis Peixoto Gomide, senador e governador de São Paulo. O poeta, então promotor público, frequentava a casa do benfeitor e começou a namorar uma de suas filhas. De início não houve oposição familiar, mas quando os namorados resolveram se casar, o senador se opôs com inaudita veemência e, às vésperas da cerimônia, exigiu um rompimento. A moça se negou a obedecer, e então o pai, fora de si, matou-a com um tiro de revólver, suicidando-se em seguida. Com o tresloucado gesto, quisera evitar uma relação incestuosa: Batista Cepelos era seu filho natural. Chocado com tamanha insânia, mudou-se o ex-noivo para o Rio de Janeiro, onde se tornou conhecido como poeta simbolista e tradutor de Mallarmé, Verlaine e Gôngora. Nove anos após a tragédia, foi encontrado morto aos pés de um penhasco no Catete. Ignora-se se foi suicídio ou acidente, pois [o poeta] era míope.
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O Mundo Maravilhoso do Soneto, de Vasco de Castro Lima [inúmeros sonetistas e tradutores], Prefácio de Rangel Coelho, 1987, Livraria Freitas Bastos S/A, Rio de Janeiro — RJ; Manuel Batista Cepelos (1872 1915), ou Baptista Cepellos, paulista de Cotia, formou-se em Direito pela Faculdade de São Paulo, foi soldado, advogado, promotor público, poeta, romancista, tradutor e teatrólogo; escreveu e publicou A Derrubada (poesia, 1896), O Cisne Encantado (poesia, 1902), Os Bandeirantes (poesia, obra prefaciada por Olavo Bilac, 1906, e 3ª edição refundida e modificada em 1911), Os Corvos (prosa, 1907), Vaidades (poesia, 1908), O Vil Metal (romance e novela, 1910), Maria Madalena (drama bíblico, em versos); como tradutor, Batista Cepelos é tido como o primeiro autor brasileiro a verter para a língua portuguesa, em livro, o poema ‘Azul’, da obra de Stéphane Mallarmé; traduziu também Gôngora, Baudelaire, Paul Verlaine e Lorenzo Stecchetti; como promotor público, Batista Cepelos trabalhou em Apiaí SP, Itapetininga SP e Cantagalo RJ.

quinta-feira, 17 de abril de 2025

genésio dos santos: talvez não seja a vida só poesia

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1.
talvez um ronronar, gata no cio
um se enroscar em fios já tecidos
um desnudar de todos os vestidos
um galopar sem freios nem navios

talvez um se esgueirar em mar de espumas
quem sabe se esquivar dar um perdido
quedar-se quieto sem nenhum gemido
na noite noite que ora se avoluma

coser retalhos de tempos jazidos
partir pra Utopos que anda sempre à espera
longe de primaveras e de outonos

quem sabe penetrar no sem-sentido
talvez um sim, um não, talvez talvez
palavras vãs! talvez eterno sono

sp, 12 a 17.04.2025

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genésio dos santos ferreira, nascido em 1952, paulista de itapetininga, caipira e filho de ferroviário, quase ex-telegrafista da estrada de ferro sorocabana, foi alfabetizado pela cartilha do tatu — de saturnina de almeida fagundes e escreve desde os treze anos de idade; num dia foi bóia-fria, noutro foi ajudante de açougueiro, faturista de comércio de atacado e, ainda noutro, labutou em escritórios de contabilidade; até quase agorinha mesmo foi bancário, hoje está aposentado; poeta e cronista, escreveu e publicou número um (poesias, 1978) e cinco poeminhas (cartaz poético, 1981); como militante sindical, escreveu crônicas para o jornal o espelho — sp, folha bancária, participou do jornal brinque (do coletivo cultural do seeb-sp, 1983 1985) e pilotou o devezenquandário na moita (1991 1997), editados sob a responsabilidade do sindicato dos bancários de são paulo; é aprendiz de blogueiro e assim se mantém, a despeito dos algoritmos zuquerbergueanos e que tais ...

sábado, 17 de fevereiro de 2024

matusalém da silva: "tropeçando em risca de ladrilho"


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Constatei-me velho desde o instante em que
me vi tropeçando em taco, em risca de ladrilho.
[Ziraldo, carthumorista].

sinto em mim sua presença
embora ausente põe limites no que faço
até controla o que penso
imagino-a à espreita
na curva do caminho

quando eu estiver bem velhinho
alquebrado com vista fraca ouvindo pouco
“tropeçando em risca de ladrilho”
é inevitável que venha

o ontem: acabou-se o que era doce
o instantâneo hoje: de modo algum traz amargor
o amanhã? deixemos pra depois...

sem pressa sem pressa...
não sou vidente mas ela vem
que assim seja

sp — 05.02.24
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matusalém da silva e alguns outros silva, além de genésio dos santos, são um só ativista da palavra.

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2024

genésio dos santos: o espalhador de utopias

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carrego sonhos:
sinta-se à vontade
não há venda nem compra

faço trocas:
não aceito pix nem dinheiro nem cartão
sou da época do mutirão

demore quanto puder ou quiser:
pra certas escolhas
o tempo é o que menos importa

satisfação garantida:
bom proveito
ou seu sorriso ou sua lágrima de volta

sp, 02.02.2024

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genésio dos santos ferreira, nascido em 1952, paulista de itapetininga, caipira e filho de ferroviário, quase ex-telegrafista da estrada de ferro sorocabana, foi alfabetizado pela cartilha do tatu — de saturnina de almeida fagundes e escreve desde os treze anos de idade; num dia foi bóia-fria, noutro foi ajudante de açougueiro, faturista de comércio de atacado e, ainda noutro, labutou em escritórios de contabilidade; até quase agorinha mesmo foi bancário, hoje está aposentado; poeta e cronista, escreveu e publicou número um (poesias, 1978) e cinco poeminhas (cartaz poético, 1981); como militante sindical, escreveu crônicas para o jornal o espelho — sp, folha bancária, participou do jornal brinque (do coletivo cultural do seeb-sp, 1983 1985) e pilotou o devezenquandário na moita (1991 1997), editados sob a responsabilidade do sindicato dos bancários de são paulo; é aprendiz de blogueiro e assim se mantém, a despeito dos algoritmos zuquerbergueanos e que tais ...

segunda-feira, 25 de dezembro de 2023

genésio dos santos: dona bidunga *

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fazer poemas é tão necessário
quanto o era para a mãe esculpir
bolinhos de chuva ao fritá-los
em óleo de amendoim ou óleo de algodão
ou banha de porco
naquele outrora

quem sabe
assim desenhasse o poeta
guri nos seus sete anos
enquanto devorava os bolinhos
e folheava a cartilha do tatu
cheia de letras e gravuras

de calças curtas,
ele só não tinha como imaginar
que lá no futuro iria escrever um poema
pra dona bidunga,
apelido de saturnina de almeida fagundes,
autora da cartilha.

sp, 24.12.2023


*Nota deste Verso e Conversa: O poema Dona Bidunga foi ideado em algum momento desde outubro de 2020, mês em que este ex-guri e aprendiz de blogueiro, filho de ferroviário, pesquisador e poeta, buscou e adquiriu em sebo um exemplar da Cartilha do Tatu — Caderno de Alfabetização, de Saturnina de Almeida Fagundes, a Dona Bidunga; tal cartilha, impressa nas gráficas da EFS — Estrada de Ferro Sorocabana, propiciou ao poeta um primeiro contato escolar com letras e gravuras, contato esse ocorrido em 1959, no início do então curso primário na Escola Rural da Estação, Vila Isabel, em Itapeva — SP.
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genésio dos santos ferreira, nascido em 1952, paulista de itapetininga, caipira e filho de ferroviário, quase ex-telegrafista da estrada de ferro sorocabana, foi alfabetizado pela cartilha do tatu — caderno de alfabetização, de saturnina de almeida fagundes e escreve desde os treze anos de idade; num dia foi bóia-fria, noutro foi ajudante de açougueiro, faturista de comércio de atacado e, ainda noutro, labutou em escritórios de contabilidade; até quase agorinha mesmo foi bancário, hoje está aposentado; poeta e cronista, escreveu e publicou número um (poesias, 1978) e cinco poeminhas (cartaz poético, 1981); como militante sindical, escreveu crônicas para o jornal o espelho — sp, folha bancária, participou do jornal brinque (do coletivo cultural do seeb-sp, 1983 1985) e pilotou o devezenquandário na moita (1991 1997), editados sob a responsabilidade do sindicato dos bancários de são paulo; é aprendiz de blogueiro e assim se mantém, a despeito dos algoritmos zuquerbergueanos e que tais ...

quarta-feira, 2 de agosto de 2023

genésio dos santos: ambígua idade

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caminho partes partidas
parte de mim se esvai
outra parte permanece
partes que se coabitam
cultivo a que se mantém
escapo da que se vai

ardor tumulto enxurrada
êxtase langor placidez
vida viceja em ambas
da parte que permanece
revolvo constantemente
viço lição semente

da parte que apodrece
reciclo-a como adubo
pra futuras gerações
esta parte presunçosa
parece querer dizer
sem ela o todo perece

sobreviverá nos livros?
guiará desorientados
para além do diz-que-diz-que
da lembrança familiar?

da outra parte, silêncio 
faz de conta que não ouve
faz de conta que é conforme
faz de conta que se ajeita

pedaços que já não colam
rodeiam feito satélites
num corpo que se faz uno
mas sabe que são só cacos
unidos em uma gosma
a que hoje chamamos vida

e a parte presunçosa
que ora mira o futuro
aos poucos se esfumaça 
os olhos já não dão conta
o olfato já não dá conta
o tato já não dá conta
o corpo já não dá conta

e o todo, sem se dar conta,
insiste em querer sentir
insiste em querer pensar
insiste em querer propor
insiste em querer viver

o faro já não dá conta
o instinto já não dá conta...

contemplativo e silente
num presente sem urgências
partilho partes partidas

(2019—2023)

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genésio dos santos ferreira, nascido em 1952, paulista de itapetininga, caipira e filho de ferroviário, quase ex-telegrafista da estrada de ferro sorocabana, foi alfabetizado pela cartilha do tatu — de saturnina de almeida fagundes e escreve desde os treze anos de idade; num dia foi bóia-fria, noutro foi ajudante de açougueiro, faturista de comércio de atacado e, ainda noutro, labutou em escritórios de contabilidade; até quase agorinha mesmo foi bancário, hoje está aposentado; poeta e cronista, escreveu e publicou número um (poesias, 1978) e cinco poeminhas (cartaz poético, 1981); como militante sindical, escreveu crônicas para o jornal o espelho — sp, folha bancária, participou do jornal brinque (do coletivo cultural do seeb-sp, 1983 1985) e pilotou o devezenquandário na moita (1991 1997), editados sob a responsabilidade do sindicato dos bancários de são paulo; é aprendiz de blogueiro e assim se mantém, a despeito dos algoritmos zuquerbergueanos e que tais ...

quinta-feira, 27 de julho de 2023

genésio dos santos: o perseguidor de sonhos


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juntava os cacos que foi pela vida
mercadejava sonhos todo dia
não se exauria em criar acordes
num instrumento que trazia à pele

tinha um desejo quase obsessivo
queria a flauta que o encantava
num dia quase transportou-se à lua
e noutro quase mergulhou no abismo

manter-se íntegro até o fim dos dias
era um propósito que o atormentava
partiu em busca do colo da mãe
sentiu vontade de comer lasanha

tascou-lhe um beijo e um abraço forte
e num rompante quis voltar ao útero
notou no entanto já haver crescido
e além de tudo parte fenecia

razão não pode ser só castradora
poesia não há que ser só devaneio...
ao perceber que se despedaçava
colou os cacos e se fez inteiro

(poesia criada em 22.12.2021
e dada por concluída em 27.07.2023)

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genésio dos santos ferreira, nascido em 1952, paulista de itapetininga, caipira e filho de ferroviário, quase ex-telegrafista da estrada de ferro sorocabana, foi alfabetizado pela cartilha do tatu: de saturnina de almeida fagundes e escreve desde os treze anos de idade; num dia foi bóia-fria, noutro foi ajudante de açougueiro, faturista de comércio de atacado e, ainda noutro, labutou em escritórios de contabilidade; até quase agorinha mesmo foi bancário, hoje está aposentado; poeta e cronista, escreveu e publicou número um (poesias, 1978) e cinco poeminhas (cartaz poético, 1981); como militante sindical, escreveu crônicas para o jornal o espelho — sp, folha bancária, participou do jornal brinque (do coletivo cultural do seeb-sp, 1983 1985) e pilotou o devezenquandário na moita (1991 1997), editados sob a responsabilidade do sindicato dos bancários de são paulo; é aprendiz de blogueiro e assim se mantém, a despeito dos algoritmos zuquerbergueanos e que tais ...

segunda-feira, 3 de julho de 2023

Ernani Rosas: Oração à Enxada

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Com o suor ao rosto teu...
mais o pranto das estrelas
colma os campos com o céu!...

Jardineira que lidaste
os canteiros da ilusão:
Mas, que rosas tu criaste?
Que merecem uma oração...

Gleba fria, inanimada,
como a chuva e o sol Te querem?
Dar-te beijos sol e chuva,
Quente como os de mulher!...

O teu trigo é puro e casto
como o corpo da hóstia pura:
cor da Lua, p’lo céu vasto...
Quando as noutes são escuras!...

Quando a terra no seu seio
guarda a sombra e sorve o orvalho
Quando tudo é só receio...
e o nevoeiro, agasalho!...

Soa ao longe a rude enxada
pela terra que sussurra...
Bendiz a mão que a esmurra,
dando-lhe rudes pancadas!?

Cava a vida! Cava a cova...

Entre a enxada e o pensamento
há parentesco divino:
Uma cava e o outro cava,
Ambos têm igual destino!...

Cava o Pão e cava a morte:
cava o sepulcro que encerra
os sofrimentos da sorte...

Cavador da minha cova
cavarás bem funda e larga:
a minha sombra e no cipreste
dando sombra negra e amarga

Ao plantar o corpo meu,
quero que plantes também:
a agonia de um cipreste,
que é a imagem de quem quer bem!...

Cavador, que cavas tanto
que cavaste a vida inteira
tu cavas a minha cova
Junto ao pé de uma aroeira

O que fazes não Te chega
p’ra morreres esfomeado
morrer de fome às cegas
como um lobo pelo prado

Se os recursos que possuis
Não Te dão para viver
Mais nos val’ mandar a enxada
p’ro diabo e se perder:!...

Se mal chega p’ra morares
na miséria impiedosa
mais nos val’ assim par’ceres,
como a sorte mentirosa?

Somos todos cavadores
uns da Arte outros do Sonho:
Se na vida as flor’s dão pranto
Se o viver é um val’ medonho?!...

[1]946

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Cidade do ócio: entre sonetos e retalhos — Ernani Rosas, Organizado por Zilma Gesser Nunes, 2008, Editora da UFSC, Florianópolis — SC; Ernani Salomão Rosas Ribeiro de Almeida (1886 1955), catarinense de Desterro, atual Florianópolis, foi poeta; desde os três anos de idade passou a residir na cidade do Rio de Janeiro e, depois, com a morte do pai (Oscar Rosas, político e também poeta, que basicamente lhe garantia as mesadas), mudou-se com a mãe e irmãs para Nova Iguaçu, também no Rio, onde morreu em difíceis condições; levou uma vida boêmia e sofreu discriminação pela sua gagueira e homossexualidade; foi um homem reservado que tentou ficar o máximo possível no anonimato; colaborou com os periódicos O Imparcial, Maçã, A Época e revista Orpheu (Portugal); obras: Certa Lenda numa Tarde — Paráfrasis de Narciso (assina Rictus da Cruz, 1917), Poemas do Ópio (1918) e Silêncios (sem data); após sua morte, houve o resgate de sua obra poética: em Panorama do Movimento Simbolista Brasileiro — Organização de Andrade Muricy (1952) foram incluídos vinte e sete de seus poemas, e em Poesias — Organização de Iaponan Soares e Dalila Carneiro da Cunha Luz Varella (1989) estão reunidos oitenta e oito poemas, manuscritos e plaquetes* encontrados, já nos arquivos da Academia Catarinense de Letras; depois vieram outros estudos: História do Gosto e Outros Poemas — Organização de Ana Brancher (1997) e Cidade do Ócio: entre sonetos e retalhos — Organização de Zilma Gesser Nunes (2008).

* Nota deste Verso e Conversa: plaquetes: o atrevido aprendiz de blogueiro desta página expõe que, conforme o História do Gosto e Outros Poemas (1997), as plaquetes, em torno de trinta e sete e organizadas pelo poeta, são pequenos livros costurados à mão e com barbante, com capa de papel “de embrulho”, onde foi escrito à mão o título da plaquete; por elas, tem-se que Ernani Rosas também fez uso de alguns pseudônimos para assiná-las: N. Cáspio, A. Luzo, N. Luzo e Rictus da Cruz; já neste Cidade do Ócio: entre sonetos e retalhos, a autora relata os pseudônimos Narciso Cáspio, Antonio Luzo, Narciso Luzo e Alda Trigueiros, além de Rictus da Cruz.

sábado, 1 de julho de 2023

genésio dos santos: a vida pede urgência


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a vida pede urgência
o resto pode esperar:
com a morte não requerida
a vida pode vingar

a vida pede urgência
um mote a repetir:
se a morte é toda presença
a vida pode se ir

a vida pede urgência
faça frio ou calor:
tem seu tempo, negaceia,
resiste, forma bolor

a vida pede urgência
seja o que deus quiser:
se a morte é só insistência
a vida faz o que der


a vida pede urgência
não há ninguém hors-concours:
faz flerte com a demência
sem ar, nem ir, ...or ...er ...ur

a vida pede urgência
tatuando o teatá:
não há caminho suave
outra cartilha não há

a vida pede urgência
no quilombo do jaó:
cochilei no trem de ferro
acordei, era iperó

são paulo, 05.06.2023

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genésio dos santos ferreira, nascido em 1952, paulista de itapetininga, caipira e filho de ferroviário, quase ex-telegrafista da estrada de ferro sorocabana, foi alfabetizado pela cartilha do tatu: de saturnina de almeida fagundes e escreve desde os treze anos de idade; num dia foi bóia-fria, noutro foi ajudante de açougueiro, faturista de comércio de atacado e, ainda noutro, labutou em escritórios de contabilidade; até quase agorinha mesmo foi bancário, hoje está aposentado; poeta e cronista não tão ativo, escreveu e publicou número um (poesias, 1978) e cinco poeminhas (cartaz poético, 1981); como militante sindical, escreveu crônicas para o jornal o espelho — sp, folha bancária, participou do jornal brinque (do coletivo cultural do seeb-sp, 1983 1985) e pilotou o devezenquandário na moita (1991 1997), editados sob a responsabilidade do sindicato dos bancários de são paulo; é aprendiz de blogueiro e assim se mantém, a despeito dos algoritmos zuquerbergueanos e que tais ...

terça-feira, 7 de dezembro de 2021

Raimundo Correia: Ao Brasil

 
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Tu, que (reza Castro Alves) foste feito
Para a grandeza, e cujo enorme fisco
Sempre está cheio, farto e satisfeito,
Como a barriga do Martim Francisco;

Tu, onde são iguais o branco e o preto,
Onde há Fábricas como a de Ipanema,
E altos inventos como o sulfureto
De carbono imortal do Capanema;

Tu, país entre os mais civilizados,
Que senadores tens e deputados,
E um sabichão monarca; tu que, aos sacos,

Mandas aos europeus cafés e milhos...
Sabe Brasil: dizem que nós, teus filhos,
Que desaforo! somos uns macacos!...

[O Binóculo — semanário ilustrado, Ano II — nº 24,
pág. 3 — 28 de janeiro de 1882, Rio de Janeiro]
(Poesia completa e prosa, 1961)

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Revolta e protesto na poesia brasileira — 142 poemas sobre o Brasil [diversas autorias], Organização e Apresentação de André Seffrin, 2021, Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro — RJ; Raimundo da Mota de Azevedo Correia (1859 1911), maranhense nascido nas costas litorâneas do Maranhão (em um navio ali ancorado), formado pela Faculdade de Direito de São Paulo (atual Direito USP), foi juiz, professor, diplomata, cronista, ensaísta e poeta; obras: Primeiros Sonhos (1879), Sinfonias (1883), Versos e Versões (1887), Aleluias (1891), Poesias (1898); em sua carreira poética foi influenciado fortemente pelos românticos Fagundes Varela, Casimiro de Abreu e Castro Alves e, a partir de 1883, com a edição de Sinfonias, assumiu o parnasianismo e passou a formar, juntamente com Alberto de Oliveira e Olavo Bilac, a literariamente cultuada "Tríade Parnasiana"; morreu em Paris, para onde fora tratar da saúde.

terça-feira, 13 de outubro de 2020

Genésio dos Santos: brinquedo

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abandonou tudo o que até então fizera parte do seu mundo: deixou de lado o limão verde que às vezes se fazia de bola, jogos de botões se aquietaram na gaveta.

até mesmo a bola feita de meias que fora moldada com carinho pelas mãos da mãe costureira ficou esquecida no seu cantinho.

o guri já não se imaginava jogador de futebol. trazia consigo o pressentimento de que um dia fosse crescer e que se faria adulto tal como o pai ferroviário quase pela vida toda.


desatou então a montar palavras, encadeou frases e fez com que delas brotassem incríveis histórias reais ou imaginárias. uma pequena estante de livros da escola, segregada à chave pela secretaria, era o seu santuário.


tudo o mais teria que ficar empedrado e acorrentado no tempo.
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Genésio dos Santos, nascido em 1952, paulista de Itapetininga, caipira e filho de ferroviário, quase ex-telegrafista da Estrada de Ferro Sorocabana, escreve desde os treze anos de idade; num dia foi bóia-fria, noutro foi ajudante de açougueiro, faturista de comércio de atacado e, ainda noutro, labutou em escritórios de contabilidade; veio pra São Paulo no início da década de setenta do século e milênio passados e hoje é um bicho urbano adaptado; até um dia destes foi bancário, hoje aposentado; poeta e cronista não tão ativo, escreveu e publicou Número Um (poesias, 1978) e Cinco Poeminhas (cartaz poético, 1981); como militante sindical, escreveu crônicas para os jornais O Espelho — SP, Folha Bancária, participou no jornal Brinque (do coletivo cultural do SeebSP, 1983 1985) e pilotou o devezenquandário Na Moita (1991 1997), editados sob a responsabilidade do Sindicato dos Bancários de São Paulo; é aprendiz de blogueiro.

quarta-feira, 6 de março de 2019

genésio dos santos: narciso

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Olhos que foram olhos, dois buracos
Agora, fundos, no ondular da poeira...
Nem negros, nem azuis e nem opacos.
Caveira!
CRUZ E SOUSA, em 'Caveira', Faróis  poesias

I
águas do meu regato, meus espelhos,
corredeiras por onde me harmonizo
em suas barrancas há alguém de joelhos,
narciso!

II
ruas da minha cidade, meus roteiros,
em suas vitrines hoje me diviso
andarilho entre pedras e canteiros...
narciso! narciso!

III
cantos da minha entranha, meus poemas...
quem sabe, doce musa, me energizo
e dou cabo de vez destas algemas.
narciso! narciso! narciso!

Minha foto
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genésio dos santos ferreira, nascido em 1952, paulista de itapetininga, caipira e filho de ferroviário, quase ex-telegrafista da estrada de ferro sorocabana, escreve desde os treze anos de idade; num dia foi bóia-fria, noutro foi ajudante de açougueiro, faturista de comércio de atacado e, ainda noutro, labutou em escritórios de contabilidade; veio pra são paulo no início da década de setenta do século e milênio passados, é um bicho urbano adaptado, até dia destes foi bancário, hoje aposentado; poeta e cronista não tão ativo, escreveu e publicou número um (poesias, 1978) e cinco poeminhas (cartaz poético, 1981); como militante sindical, escreveu crônicas para os jornais o espelho — spfolha bancária e pilotou o devezenquandário na moita (1991 1997), editados sob a responsabilidade do sindicato dos bancários de são paulo; é aprendiz de blogueiro.