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terça-feira, 24 de maio de 2022

Múcio Teixeira: A lei suprema

 
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Foder é lei humana, e lei divina;
E por divina ser, é lei eterna!
Fode o homem no lar, ou na campina,
Fode o bruto no ermo, ou na caverna.

Fodem no ar os pássaros, voando,
Fodem no mar os peixes flutuantes...
Fode o leão feroz, rendido e brando
Às carícias das fêmeas palpitantes!

Fodem também as árvores e as flores,
Os próprios minerais: cristal ou aço;
A terra é um grande tálamo de amores,
Cada raio do sol tira um cabaço!

Numa fornicação de labaredas
Esporram-se os vulcões, pelas crateras;
As próprias deusas dos sombrios Vedas
Fodiam, a rosnar, como panteras.

Mas nem vulcões, nem deusas, nem aquilo
Que mais tenha fodido a toda hora,
Sabem foder melhor que o crocodilo,
Segundo a opinião de uma senhora.

Aquilo é só zás-trás, nó cego, e pronto,
“Veio-se” na primeira espetadela;
E é mais outra, outra mais... qual! Nem eu conto
O número de tanta esporradela...

Pode mais que qualquer moça solteira
Quando nos mete em casa, às escondidas,
Para passar metendo a noite inteira,
Mais assanhadas, quanto mais fodidas!

Nem Safo, com as moças mais safadas
De Lesbos, se esfalfando em roçadinhos,
Para melhor sentir as caralhadas
De Faon, um Martinho entre os Murtinhos!

Ninguém, a não ser tu, minha inocente
E casta diva, ó quente bela dona!
Ninguém é no foder mais excelente,
Para quem cono e cu é tudo cona!...

Para quem cono e cu, e peito e boca,
Dedos de pé e mão, coxa e sovaco.
Tudo serve de vulva, quando louca
Lambes as minhas bolas e o meu taco...

O taco empunhas, sacudindo as bolas,
No bilhar de teu corpo, que estremece
Nesse carambolar em que tu rolas,
Enquanto meu caralho engorda e cresce!

Nessas partidas, que tão bem jogamos,
Ninguém sabe tirar melhor partido;
Vão lá saber quem perde, se ganhamos
Nem perde-ganha por ninguém perdido...

Nem Romeu na janela de Julieta,
Que lhe passava a mão no pendrucalho,
Fazendo-lhe medrosa uma punheta,
Com vergonha de olhar para o caralho...

Nem Fausto, no jardim de Margarida,
Que por sinal era o jardim de Marta,
Aquela alcoviteira mais fodida
Que das mais velhas putas a mais farta;

Que Mefistófeles encontrou a dedo
Para vencer o seu rival eterno,
Lançando a alma do doutor, mais cedo,
Graças a ela, nos fogões do inferno...

Nem Peri, com Ceci, quando lhe disse
Que era capaz de ir-lhe buscar a lua,
Quando, por fim de contas, tal pieguice
Era um pretexto para vê-la nua,

Ou só de tanga, como a que ele usava,
Para em seguida desatar-lhe a tanga;
Que o galo, no terreiro onde cantava,
Bem via nela apetitosa franga...

Nem Ofélia, boiando na corrente,
Mais livre assim que dentro do convento
Onde quis ver o príncipe demente,
Que andava a dar na fina, ao sol e ao vento...

Nem Desdêmona, aos golpes do cutelo
Estrebuchando mais que numa foda,
Vítima imbele do tesão de Otelo,
Cujo ciúme já passou de moda...

Nem Susana, a viúva inconsolável
Do velho Pedro Álvares Cabral.
Ninguém resiste à lei incomparável,
Que é lei eterna e lei universal!

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Antologia pornográfica: de Gregório de Mattos a Glauco Mattoso [diversos poetas] — Organização, Introdução, Glossário e Notas de Alexei Bueno, 2011, Saraiva de Bolso, Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro — RJ; Múcio Scévola Lopes Teixeira (1857 1926), gaúcho de Porto Alegre, estudou no Colégio Gomes, foi escritor, jornalista, teatrólogo, biógrafo, diplomata, tradutor e poeta; ainda aos 15 anos, publicou seu primeiro livro de poesias, Vozes trêmulas (1873); na capital gaúcha, fez parte da Sociedade Partenon Literário, falava e escrevia em francês, inglês, alemão, italiano, castelhano e conhecia latim, grego e hebraico; em sua vida literária fez uso de vários pseudônimos: Barão de Ergonte, Boêmio, Muciano Tebas, Manfredo, Felício Fortuna & Cia; obras: Violetas (poesias, 1875), Hugonianas (coletânea de poemas traduzidos de Victor Hugo, 1875), Curso de Literatura Brasileira (1876), Sombras e Clarões (poesias, 1877), Novos Ideais (1880), Cantos do Equador (poesias, 1881), Prismas e Vibrações (poesias, 1882), Pátria selvagem (1884), Cancioneiro Cigano (1885), Parnaso Brasileiro (antologia, 1885), Festas Populares no Brasil (1886), Terra Incógnita (poesia, 1916) e outros títulos; escreveu para vários jornais e revistas de cidades nas quais residiu e, em Caracas Venezuela, quando exerceu a função de cônsul geral do Brasil, publicou volumes em castelhano: Poesías e Poemas, Celajez, Semblanzas Venezolanas, Brasileñas y Lusitanas, Poesías de Don Mucio Teixeira, Poesías escolhidas, 2 volumes, Brazas e Cinzas; traduziu, além de Victor Hugo: Heine, Shiller, Byron, Goethe, Teócrito...

quinta-feira, 28 de abril de 2022

Múcio Teixeira: O "69"

 
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Eu sei de muitos que só são felizes
Depois que fazem o sessenta e nove...
E sei que poucos sabem que as perdizes
São as culpadas disto.
Como? Prove!...

Exigirá naturalmente a minha
Leitora ingênua, e eu faço-lhe a vontade.
E por que não o galo e a galinha,
Nem os perus?
Escute, por piedade.

Só nessas aves é que temos visto
A posição do par ser invertida
Durante a foda.
Sim? Mas como é isto?

Ponha a cabeça sobre os meus joelhos
E meta na sua boca o meu caralho,
Que eu, roçando o bigode em seus pentelhos,
Com a língua no cono aqui trabalho.

E ela e eu, à moda das perdizes,
Sem invejar no Olimpo Juno e Jove,
Sem sentidos, sentimo-nos felizes...
Fazendo, sem sentir, sessenta e nove!

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Antologia pornográfica: de Gregório de Mattos a Glauco Mattoso [diversos poetas] — Organização, Introdução, Glossário e Notas de Alexei Bueno, 2011, Saraiva de Bolso, Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro — RJ; Múcio Scévola Lopes Teixeira (1857 — 1926), gaúcho de Porto Alegre, estudou no Colégio Gomes, foi escritor, jornalista, teatrólogo, biógrafo, diplomata, tradutor e poeta; ainda aos 15 anos, publicou seu primeiro livro de poesias, Vozes trêmulas (1873); na capital gaúcha, fez parte da Sociedade Partenon Literário, falava e escrevia em francês, inglês, alemão, italiano, castelhano e conhecia latim, grego e hebraico; em sua vida literária fez uso de vários pseudônimos: Barão de Ergonte, Boêmio, Muciano Tebas, Manfredo, Felício Fortuna & Cia; obras: Violetas (poesias, 1875), Hugonianas (coletânea de poemas traduzidos de Victor Hugo, 1875), Curso de Literatura Brasileira (1876), Sombras e Clarões (poesias, 1877), Novos Ideais (1880), Cantos do Equador (poesias, 1881), Prismas e Vibrações (poesias, 1882), Pátria selvagem (1884), Cancioneiro Cigano (1885), Parnaso Brasileiro (antologia, 1885), Festas Populares no Brasil (1886), Terra Incógnita (poesia, 1916) e outros títulos; escreveu para vários jornais e revistas de cidades nas quais residiu e, em Caracas Venezuela, quando exerceu a função de cônsul geral do Brasil, publicou volumes em castelhano: Poesías e Poemas, Celajez, Semblanzas Venezolanas, Brasileñas y Lusitanas, Poesías de Don Mucio Teixeira, Poesías escolhidas, 2 volumes, Brazas e Cinzas; traduziu, além de Victor Hugo: Heine, Shiller, Byron, Goethe, Teócrito...