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À memória de Dona Leonor de Almeida
Portugal
Lorena e Lencastre* no sesquicentenário da sua morte
Porque falar-vos quero, a
cabeleira,
Marquesa, empôo, como usava outrora
fazer-se — não de talco, mas de
tempo
que já cuidou de ma tornar
grisalha.
Antes haja uma pátina no timbre
das palavras triviais que vos
dirijo
— qual vós mesma fazíeis ao
fingir-vos
de improvável pastora num palácio.
Aqui sob este teto onde algum dia
o peito vos sangrou, mas onde o
riso
também vos alvejou a flor da boca,
evoco a vossa imagem como alguém
que desejasse celebrar um rito:
ao mesmo tempo um desafio à sombra
que vos envolve e a crença que
permite
imaginar transpormos o limite.
* Nota do blogue Verso e Conversa:
O atrevidíssimo aprendiz de blogueiro desta página deixa registrado que a
portuguesa e lisboeta Dona Leonor de Almeida Portugal, ou Marquesa de Alorna
(1750 — 1839), ou ainda Alcipe [seu pseudônimo literário], pertenceu à nobreza
e foi poetisa; com a família perseguida e alguns tendo sido executados pelo Marquês
de Pombal, desde a infância viveu parte de sua vida encarcerada no convento São
Félix, Chelas, Lisboa, com sua mãe e irmã, enquanto o pai esteve preso na Torre
de Belém e no Forte de Junqueira; na reclusão, tomou contato com obras de
Voltaire, Rousseau, Montesquieu, conheceu a Enciclopédia D’Alembert e Diderot,
tornou-se estudiosa, dedicou-se à poesia, aprendeu outras línguas e também
traduziu; deixou publicado vários livros e é tida como um dos nomes femininos
mais importante da literatura e das artes em Portugal; parte de sua vida
também passou no exílio.
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A caça virtual e outros poemas:
antologia — Ivo Barroso, Prefácio de Eduardo Portella, 2001, Editora Record, Rio
de Janeiro — RJ; Ivo do Nascimento Barroso (1929 — 2021), mineiro de Ervália,
formado em Direito pela então Universidade da Guanabara [hoje UERJ], e em
Línguas e Literatura Neolatinas pela Faculdade Nacional do Rio de Janeiro [hoje
UFRJ], foi escritor, poeta, tradutor e jornalista; traduziu mais de quarenta livros
para o português, entre os quais, obras de Rimbaud, Shakespeare, T. S. Eliot, Ítalo
Calvino, Erik Axel Karlfeldt, Eugenio Montale, Hermann Hesse, Umberto Eco, etc.;
como jornalista, foi editor-adjunto do Suplemento Literário do Jornal do Brasil
[Rio de Janeiro], um dos criadores da revista de cultura Senhor [primeira
versão], redator da revista Seleções Reader’s Digest [em Lisboa — Portugal]; escreveu
e publicou Nau dos Náufragos (poesia, 1981), Visitações de Alcipe (quatro
tocatas para clavicórdio e sintetizador, poesias, 1991), A caça virtual e outros
poemas — antologia (2001); O Corvo e suas traduções (ensaio, acerca da obra de
Poe, 2000), Poesia ensinada aos jovens (2010) e outros títulos; o poeta Ivo Barroso
trabalhou no Banco do Brasil por trinta e cinco anos, licenciando-se mais de
uma vez para o exercício de outros ofícios, e ali aposentou-se após ter transitado
por agências do Rio de Janeiro, Lisboa, Londres e Estocolmo, além de ter sido
adido comercial do Brasil na Holanda; premiações recebidas: Prêmio Jabuti de
tradução (1998, por Prosa poética: Uma estadia no inferno, Iluminações, Um coração
sob a sotaina, Os desertos do amor, Prosas evangélicas, de Rimbaud), Prêmio
Jabuti de tradução (1992, por Os Gatos, de T. S. Eliot), Prêmio de Tradução da
Academia Brasileira de Letras (2005, por Teatro completo, também de Eliot) ...