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[traduzido por Douglas Valeriano Pompeu]
mal na parede e já era o centro,
lançava seu raio para fora
dos quintais, campos, celeiro
de nabos, das granjas, da horta
de rabanetes, ficava mais amplo, mondial;
pendurávamos os chapéus, agasalhos
de lá, capa e guarda-chuvas, molduras,
até que o esquecíamos, daquele olhar
duro ainda ali, quando já tínhamos
nos mudado e cidade e casa e rua
já haviam desaparecido — lá em cima tão firme,
tão brilhante sobre leste e oeste,
que serviria para navegarmos no escuro
e a velhos marinheiros de consolo.
nagel
kaum in der wand, war er die mirte,
schnellte sein radius
über die gärten, felder, rübenmiete
lunaus, die hühnerställe, das radies-
chenbeet, wurde umfassender, mondial:
wir hängten die hüte auf. wir hängten strick-
jacken und rahmen, hängten regenmäntel
und schirme auf, bis wir ihn fast vergaßen, dessen harter blick
noch da sein wird, wenn wir längst ausgezogen
und stadt und haus und straße
verschwunden sind — so unbeirrt weit oben,
so glänzend über west und ost,
daß sich im dunkeln navigieren ließe
nach ihm, und alten seefahrern ein trost.
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Jan Wagner: variações sobre tonéis de chuva, edição bilíngue, Tradução e
Posfácio de Douglas Valeriano Pompeu, 2019, Edições Jabuticaba, São Paulo — SP; Jan Wagner, nascido em 1971, alemão
de Hamburgo, concluiu o ensino médio no Stormarnschule, estudou Inglês e Anglística
em Hamburgo, Dublin e Berlim, formou-se pela Universität Hamburgam, pelo Trinity
College, Dublin, e pela Humboldt-Universität, Berlin, onde concluiu mestrado, é
escritor, tradutor, crítico literário e poeta; suas obras: Probebohrung im Himmel. Gedichte (2001),
Guerickes Sperling. Gedichte (2004),
Achtzehn Pasteten. Gedichte (2007),
Die
Sandale des Propheten. Beiläufige Prosa. Essays (2011), Regentonnenvariationen.
Gedichte (Variações sobre tonéis de chuva, poesias, 2014) e outros títulos; em 2017,
em The Art of Topiary, uma seleção de sua obra foi traduzida para o idioma inglês,
além disso, há também poemas seus traduzidos para outras línguas; como tradutor,
o poeta verteu para o alemão a poesia de Charles Simic, James Tate, Matthew Sweeney
e outros; Jan Wagner colabora regularmente no Frankfurter Rundschau e
em outros jornais e rádios; premiações: Hamburger
Förderpreis für Literatur (2001), Christine-Lavant-Publikumspreis (2003), Mondseer
Lyrikpreis (2004), Ernst-Meister-Preis für Lyrik (2005), Arno-Reinfrank-Literaturpreis
(2006), Friedrich-Hölderlin-Preis der Universität und der Universitätsstadt Tübingen
(2011), Georg-Büchner-Preis (2017) etc.; Jan Wagner e o também poeta Bjöm Kuhligk
coeditaram duas antologias de poesia em língua alemã: Lyrik von Jetzt — 74 Stimmen
(2003) e Lyrik von Jetzt 2 (2008); vive em Berlim.