Morri tantas vezes em ti
que nem me apercebi da necrose
os túmulos de flores insepultas
eram risos da infância dilacerada
trêmulos risos girassóis outonais.
Morri tantas vezes em ti
que nem me apercebi da necrose
a noite que sempre precede ao nada
tinhas as calcinadas expressões do desamparo
e a única árvore abrigo
era a despedida árvore inatingível
Morri tantas vezes em ti
que nem me apercebi da necrose
os ventos que embalavam os cemitérios
nem tinham o balanço de brisas silenciosas
nem eram a ventania alucinada
mas os ventos lentos que ninam a morte.
Morri tantas vezes em ti
que nem me apercebi da necrose
e a desvairada busca do amor
era o réquiem eterno do desencontro.
* Prêmio Jorge de Lima — II Festival de Verão
de Marechal Deodoro, Alagoas — 1972
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Geometria do Abandono, Editora do Escritor, 1975, São Paulo — SP (Prêmio Pedro Calazans — Prefeitura Municipal de Aracaju — 1975); Núbia Nascimento Marques (1927 — 1999), nascida em Aracaju — SE, foi poeta, escritora
e primeira mulher eleita para a Academia Sergipana de Letras; escreveu e
publicou Um Ponto Duas Divergentes, poesia (1959), João Ribeiro, o Poeta — ensaio (1960), Dimensões Poéticas, poesia (1961), Sinuosas Em Carne e Osso,
crônicas (1962), Baladas do Inútil Silêncio, poesia (em parceria com Giselda
Morais e Carmelita Pinto Fontes, 1964), Berço de Angústia, romance (1967), Máquinas e Lírios, poesia (1971), Geometria do Abandono, poesia (1975) entre
outros títulos.