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XXIX
As almas maduravam na surpresa
de viver; e era nítida, na face
e no âmago das coisas, a beleza
imaginada. Embora perdurasse,
em meio à cinza fria, a chama acesa
para a noite do espírito, fugace
foi o pacto do sim contra a dureza
e o anátema do não. Estranho enlace
de esperança e memória! (A duras penas
a mão do tempo, no íntimo do ser,
urde a trama no trânsito dos dias.)
E a perfeição do sonho? Sobra apenas
a vazia surpresa de viver
nas almas maduradas, mas vazias.
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Sonetos do
Tempo Perdido — Waldemar Lopes, Introdução de Aurélio Buarque de Holanda, 1970,
Editorial Palmares, Rio de Janeiro — RJ; Waldemar Freire Lopes (1911 — 2006), pernambucano
de Quipapá, foi jornalista, literato, poeta e atuou também nas áreas de economia,
administração pública e direito público internacional junto às instituições IBGE
e OEA (Organização dos Estados Americanos); no jornalismo, atuou no Jornal do Commercio
(Recife), n’A Noite (Rio de Janeiro), na Folha Carioca, na Tribuna de Imprensa e
em outros jornais e revistas especializadas; obras: Legenda (poesias, 1929),
Sonetos do Tempo Perdido (1970), Inventário do Tempo (1974), Os Pássaros da Noite
(1974), Sonetos da Despedida (1976), Sonetos do Natal (1977), Elegia a Joaquim Cardozo
(1978), O Jogo Inocente (1979), Memória do Tempo (1981), Sonetos de Portugal (1984,
1994 e 2005), As Dádivas do Crepúsculo (1996), Austro-Costa no centenário do seu
nascimento (1999), Cinza de Estrelas (2001); participou de várias instituições técnicas
e culturais no Brasil e no exterior.