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[traduzido por Wilton José Marques]
Há em toda alma uma festa somente,
tu vais sabê-lo, Amor, sombra florida,
sonho de aroma, e logo... nada: andrajos,
rancor, filosofia.
Roto no espelho o teu melhor idílio,
e de costas voltadas já à vida,
será tua oração cada manhã:
Para ser enforcado, belo dia!
Arte
poética
Y en toda el alma hay
una sola fiesta
tú lo sabrás, Amor sombra florida,
sueño de aroma, y luego... nada; andrajos,
rencor, filosofía.
Roto en tu espejo tu mejor idilio,
y vuelto ya de espaldas a la vida,
ha de ser tu oración de la mañana:
¡Oh, para ser ahorcado, hermoso día!
(De ‘Primeiras poesias’,
in Antonio Machado: poesía,
Antologia de Jorge
Campos.
Madrid, Alianza
Editorial, 1978, 2ª ed.)
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Transverso — coletânea de poemas traduzidos (onze poetas
e dez tradutores), Organização, Nota liminar e Posfácio de José Paulo Paes e
notas dos diversos tradutores, Editora Unicamp, Campinas — SP; Antonio Cipriano
José María Machado Ruiz, ou Antonio Machado (1875 — 1939), espanhol de Sevilha,
ainda bem jovem mudou-se com sua família para Madrid, formou-se na Institución
de Libre Enseñanza, foi professor de francês, tornando-se catedrático neste
idioma no Instituto de Segunda Enseñanza de Soria e, depois, no Instituto
Calderón de Madrid, foi dramaturgo e poeta modernista; colaborou como
articulista nas revistas modernistas La caricatura, Helios e Alma española; em
1927 foi eleito membro da Real Academia Española de la Lengua; bibliografia:
Soledades (1903), Soledades, galerias y otros poemas (1907), Campos de Castilla
(1912), Poesías completas (1917, 1928, 1933, 1936), Nuevas canciones (1924), La
guerra (1937), Poesía de guerra (1961) e Poesía y Prosa (1965); Antonio Machado
também escreveu as peças de teatro La Lola se vá a los puertos (1929) e La
prima Fernanda (1931), ambas em co-autoria com Manuel Machado, seu irmão e
também poeta, além de Juan de Mairena: Sentencias, donaires, apuntes de un
profesor apócrifo (prosa, 1936) e outros textos; em 1936, com a eclosão da Guerra
Civil, na luta contra o franquismo, ditadura imposta por Francisco Franco, o
poeta foi forçado a retirar-se de Madrid, mudando-se para Valencia, depois para
Barcelona, e daí partiu para o exílio em Paris, onde veio a falecer.



