Mostrando postagens com marcador Sabino Romariz. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Sabino Romariz. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 15 de março de 2016

Sabino Romariz: Estações

Espaço Sebo Nas Canelas
____________________
Na infância, a brisa nos acaricia
A loura fronte e o Sonho prolifera
Canções doiradas ao nascer do dia!
A juventude é irmã da Primavera...

Depois torna-se a vida mais sombria...
Vem a lágrima e nubla-se a razão...
E a adolescência, igual à cotovia,
Desmaia ao sol ardente de Verão...

Mas a árvore do amor toda se enflora,
O coração palpita mais agora,
Quando o Outono dá lírios de marfim!

Depois, depois, o sangue nos resfria,
O corpo verga e o crânio alveja um dia,
Pois a velhice é como o Inverno enfim!

Sabino Romariz
____________________
Sonetos Brasileiros — Séculos XVII ao XX, Coletânea organizada por Laudelino Freire, 1929, F. Briguiet & Cia. Editores, Rio de Janeiro — RJ; Sabino Romariz (1873  1913), alagoano de Penedo, formado em Humanidades pelo Colégio de Olinda  PE, foi professor e poeta; ex-seminarista, ao abandonar os estudos eclesiásticos teve a mesada cortada pelo avô; andejou por várias cidades e estados brasileiros e lecionou latim, francês e inglês; escreveu Magdalena (poema, 1899), Solidôneos e Os Rubros (ambos, coleções de sonetos), além de publicações esparsas em jornais da época: no Rio de Janeiro, consta ter convivido com Olavo Bilac, Guimarães Passos e Carvalho Neto.