Mostrando postagens com marcador Áurea Pires da Gama. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Áurea Pires da Gama. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 8 de outubro de 2024

Áurea Pires da Gama: Liberta

 
____________________
Não volto mais! Irei por este mundo escuro
em busca de outro amor, de outra afeição mais nobre.
Adeus! Levo somente a lira e a cruz de pobre,
mas Deus me ajudará na estrada do futuro.

Levante-se minha alma e, rútila, desdobre
as asas da esperança. Eu parto... eu me aventuro
no vasto mar da vida. A estrela que procuro
verei brilhar um dia, embora além sossobre!

Porém, se a rosa branca e pulcra de meus sonhos
fanar-se no embrião, e a morte compassiva
finalmente acabar meus dias enfadonhos,

tu não finjas a dor de uma alma sensitiva,
não! Respeita a mudez dos túmulos tristonhos...
Ai! Não finjas à morta o que fingiste à viva!

____________________
O Mundo Maravilhoso do Soneto, de Vasco de Castro Lima [inúmeros sonetistas e tradutores], Prefácio de Rangel Coelho, 1987, Livraria Freitas Bastos S/A, Rio de Janeiro — RJ; Áurea Pires da Gama (1876 1949), fluminense de Angra dos Reis, fez seus primeiros estudos em Minas Gerais e os concluiu no Rio de Janeiro, foi poetisa e professora; aos 14 anos escreveu o soneto Impossível, publicado no jornal O Astro, de Barbacena MG; a partir de 1906 fixou residência em Cruzeiro SP, ali foi cofundadora do Externato Cruzeiro e passou a dedicar-se ao magistério; suas obras: Flocos de Neve (1896), Indiana (1902), Pétalas (1908), Paquetá (1919) e Entre o mar e a floresta (1922); colaborou com a A Mensageira — revista literária dedicada à mulher brasileiraregistando ali alguns de seus versos; foi biografada por Elmo Elton no livro Áurea Pires da Gama: perfil de uma poetisa angreense, publicado em 1974; a poetisa foi casada com o escritor, juiz, desembargador e político Antônio Chichorro da Gama.

sexta-feira, 27 de setembro de 2024

Áurea Pires: Primeira esperança


____________________
Quando és tu, branca flor que resplandeces
Na sombria mansão do meu destino?
Serás ainda uma quimera, um desses
Falsos encantos de um fulgor divino?!

Fala!... Piedade para o pequenino
Ser que te implora em fervorosas preces
Se és um sonho, o teu brilho diamantino
Esconde e foge, porque me enlouqueces!

Porém tu brilhas ainda mais!... Ligeira
Eu me aproximo... e como uma criança
Vendo alguma teteia feiticeira,

Estendo a mão, que trêmula te alcança!...
Não és um sonho, não!... És a primeira
E talvez minha última esperança!

19 — 6 — [18]99.
[revista A Mensageira, de 15 de Dezembro de 1899,
Ano II, nº 35, São Paulo — SP]

____________________
A Mensageira — Revista Literária dedicada à mulher brasileira (1897 a 1900), Diretora: Presciliana Duarte de Almeida, Edição fac-similar, Volume II, Apresentação de Bete Mendes e comentários de Zuleika Alambert, 1987, Imprensa Oficial do Estado S/A — IMESP, São Paulo — SP; Áurea Pires da Gama (1876 1949), fluminense de Angra dos Reis, fez seus primeiros estudos em Minas Gerais e os concluiu no Rio de Janeiro, foi poetisa e professora; aos 14 anos escreveu o soneto Impossível, publicado no jornal O Astro, de Barbacena MG; a partir de 1906 fixou residência em Cruzeiro SP, ali foi cofundadora do Externato Cruzeiro e passou a dedicar-se ao magistério; suas obras: Flocos de Neve (1896), Indiana (1902), Pétalas (1908), Paquetá (1919) e Entre o mar e a floresta (1922); colaborou com a revista A Mensageira, registando ali alguns de seus versos; foi biografada por Elmo Elton no livro Áurea Pires da Gama: perfil de uma poetisa angreense, publicado em 1974; a poetisa foi casada com o escritor, juiz, desembargador e político Antônio Chichorro da Gama.

quarta-feira, 31 de julho de 2024

Áurea Pires: Sonho?


____________________
Não sei se sonho foi! Só sei que eu via
N’um vasto mar minh’alma transformada
E que alegre a Esperança reclinada
N’um dourado batel dele fugia!

Era verde a roupagem que envolvia
Suas formas de celestina fada.
Verde também a cabeleira ondeada,
Que esparsa ao vento sobre o mar caia!

E ele o barco ligeiro acompanhando,
Em profundos soluços prorrompeu,
Ao ver que a Virgem o ia abandonando.

E mais depressa o barco então correu...
E Ela ao triste nem um olhar lançando,
Saltou na praia e... desapareceu!

1891
[revista A Mensageira, de 15 de Outubro de 1899,
Ano II, nº 33, São Paulo — SP]

____________________
A Mensageira — Revista Literária dedicada à mulher brasileira (1897 a 1900), Diretora: Presciliana Duarte de Almeida, Edição fac-similar, Volume II, Apresentação de Bete Mendes e comentários de Zuleika Alambert, 1987, Imprensa Oficial do Estado S/A — IMESP, São Paulo — SP; Áurea Pires da Gama (1876 1949), fluminense de Angra dos Reis, fez seus primeiros estudos em Minas Gerais e os concluiu no Rio de Janeiro, foi poetisa e professora; aos 14 anos escreveu o soneto Impossível, publicado no jornal O Astro, de Barbacena MG; a partir de 1906 fixou residência em Cruzeiro SP, ali foi cofundadora do Externato Cruzeiro e passou a dedicar-se ao magistério; suas obras: Flocos de Neve (1896), Indiana (1902), Pétalas (1908), Paquetá (1919) e Entre o mar e a floresta (1922); colaborou com a revista A Mensageira, registando ali alguns de seus versos; foi biografada por Elmo Elton no livro Áurea Pires da Gama: perfil de uma poetisa angreense, publicado em 1974; a poetisa foi casada com o escritor, juiz, desembargador e político Antônio Chichorro da Gama.

sábado, 8 de junho de 2024

Áurea Pires: Martírio incrível

____________________
Foges! Bem vejo! E que amargura a minha
Vendo apagar-se neste olhar querido
A centelha do amor indefinido,
Que de tua alma límpida provinha!

Eu também fujo!... E sinto que definha
Dia a dia meu ser triste e abatido
E também no teu rosto emagrecido
Prolongado martírio se adivinha!

Oh! Que suplício!... Que horrorosa mágoa...
Chorando foges-me... e eu também te fujo!...
E de longe, vagando pelos montes,

Então volvo-te os olhos rasos d’água,
Como os olhos saudosos do marujo,
Que se afasta dos pátrios horizontes!

4 — 7 — 1899.
[revista A Mensageira, de 31 de agosto de 1899,
Ano II, nº 31, São Paulo — SP]

____________________
A Mensageira — Revista Literária dedicada à mulher brasileira (1897 a 1900), Diretora: Presciliana Duarte de Almeida, Edição fac-similar, Volume II, Apresentação de Bete Mendes e comentários de Zuleika Alambert, 1987, Imprensa Oficial do Estado S/A — IMESP, São Paulo — SP; Áurea Pires da Gama (1876 1949), fluminense de Angra dos Reis, fez seus primeiros estudos em Minas Gerais e os concluiu no Rio de Janeiro, foi poetisa e professora; aos 14 anos escreveu o soneto Impossível, publicado no jornal O Astro, de Barbacena MG; a partir de 1906 fixou residência em Cruzeiro SP, ali foi cofundadora do Externato Cruzeiro e passou a dedicar-se ao magistério; suas obras: Flocos de Neve (1896), Indiana (1902), Pétalas (1908), Paquetá (1919) e Entre o mar e a floresta (1922); colaborou com a revista A Mensageira, registando ali alguns de seus versos; foi biografada por Elmo Elton no livro Áurea Pires da Gama: perfil de uma poetisa angreense, publicado em 1974; a poetisa foi casada com o escritor, juiz, desembargador e político Antônio Chichorro da Gama.

segunda-feira, 29 de abril de 2024

Áurea Pires: Rosa de Neve


____________________
A Alice Guadalupe

Um dia, minha flor, talvez por simpatia,
Tu me deste uma rosa, estranha, com certeza,
Uma rosa de neve em que toda a beleza
Do sublime ideal perfeitamente eu via!

Ora, o régio presente era a fotografia
Do teu rosto gentil, que a própria natureza
Reproduzira assim, na branca singeleza
Dessa esplêndida flor que tu me deste um dia.

Como a rosa de neve, a imagem transparente
Do teu cândido ser, o riso da criança
É a imagem também da fúlgida ventura!

Guarda sempre a alegria ingênua e resplendente,
Como eu guardo comigo a nítida lembrança
Dessa rosa de neve embalsamada e pura!

14 — 9 — 1899
[revista A Mensageira, de 15 de janeiro de 1900,
Ano II, nº 36, São Paulo — SP]

____________________
A Mensageira — Revista Literária dedicada à mulher brasileira (1897 a 1900), Diretora: Presciliana Duarte de Almeida, Edição fac-similar, Volume II, Apresentação de Bete Mendes e comentários de Zuleika Alambert, 1987, Imprensa Oficial do Estado S/A — IMESP, São Paulo — SP; Áurea Pires da Gama (1876 1949), fluminense de Angra dos Reis, fez seus primeiros estudos em Minas Gerais e os concluiu no Rio de Janeiro, foi poetisa e professora; aos 14 anos escreveu o soneto Impossível, publicado no jornal O Astro, de Barbacena MG; a partir de 1906 fixou residência em Cruzeiro SP, ali foi cofundadora do Externato Cruzeiro e passou a dedicar-se ao magistério; suas obras: Flocos de Neve (1896), Indiana (1902), Pétalas (1908), Paquetá (1919) e Entre o mar e a floresta (1922); colaborou com a revista A Mensageira, registando ali alguns de seus versos; foi biografada por Elmo Elton no livro Áurea Pires da Gama: perfil de uma poetisa angreense, publicado em 1974; a poetisa foi casada com o escritor, juiz, desembargador e político Antônio Chichorro da Gama.

sábado, 30 de março de 2024

Áurea Pires da Gama: No ermo


____________________
A paisagem tranquila ainda é a mesma de outrora,
O rio à flórea terra, a estrada entre a verdura,
O bosque ali, mais longe a ramalhada escura
Do extenso cafezal, enflorescido agora.

Do outro lado o pomar, as roças, a fartura...
Contornando a planície onde o rebanho mora
Entre lírios de neve, uma ninfa sonora,
Do pesado silêncio ameniza a tristura.

Erma a velha fazenda escondida na serra.
Como te amei! Se a sorte hoje declara guerra
A esta alma em que a amargura aprofunda as raízes,

Comovida e amorosa eu te contemplo ainda...
Aqui foi que vivi! Saudade, sê benvinda!
Aqui foi que passei meus dias mais felizes.

____________________
Antologia de Poetas Fluminenses (vários autores) — Rubens Falcão, Carta-Prefácio de Agripino Grieco, 1968, Gráfica Record Editora, Rio de Janeiro — RJ; Áurea Pires da Gama (1876 1949), fluminense de Angra dos Reis, fez seus primeiros estudos em Minas Gerais e os concluiu no Rio de Janeiro, foi poetisa e professora; aos 14 anos escreveu o soneto Impossível, publicado no jornal O Astro, de Barbacena MG; a partir de 1906 fixou residência em Cruzeiro SP, ali foi cofundadora do Externato Cruzeiro e passou a dedicar-se ao magistério; suas obras: Flocos de Neve (1896), Indiana (1902), Pétalas (1908), Paquetá (1919) e Entre o mar e a floresta (1922); colaborou com a revista A Mensageira, registando ali alguns de seus versos; foi biografada por Elmo Elton no livro Áurea Pires da Gama: perfil de uma poetisa angreense, publicado em 1974; a poetisa foi casada com o escritor, juiz, desembargador e político Antônio Chichorro da Gama.

sexta-feira, 26 de janeiro de 2024

Áurea Pires: Contraste


____________________
Talvez nest’hora em que a chorar suspiro
Lembrando-me de ti, saudosa e aflita,
Bem junto estejas da mulher bonita
Que te escraviza o coração que aspiro.

E enquanto eu sofro aqui no meu retiro
O ciúme atroz que no meu peito excita
Cada vez mais essa paixão maldita,
E de raiva e de dor quase deliro;

Em paragem risonha, enflorescida,
Talvez tu’alma esteja n’um transporte
Toda inteira em su’alma transfundida!

Bem diversa da tua é minha sorte;
No seio de outra encontras tu a vida,
E eu na tua inconstância encontro a morte!

[revista A Mensageira, de 15 de outubro de 1897,
Ano I, nº 1, São Paulo — SP]

____________________
A Mensageira — Revista Literária dedicada à mulher brasileira, Diretora: Presciliana Duarte de Almeida (1897 a 1900), Edição fac-similar, Volume I, Apresentação de Bete Mendes e comentários de Zuleika Alambert, 1987, Imprensa Oficial do Estado S/A — IMESP, São Paulo — SP; Áurea Pires da Gama (1876 1949), fluminense de Angra dos Reis, fez seus primeiros estudos em Minas Gerais e os concluiu no Rio de Janeiro, foi poetisa e professora; aos 14 anos escreveu o soneto Impossível, publicado no jornal O Astro, de Barbacena MG; a partir de 1906 fixou residência em Cruzeiro SP, ali foi cofundadora do Externato Cruzeiro e passou a dedicar-se ao magistério; suas obras: Flocos de Neve (1896), Indiana (1902), Pétalas (1908), Paquetá (1919) e Entre o mar e a floresta (1922); colaborou com a revista A Mensageira, registrando ali alguns de seus versos; foi biografada por Elmo Elton no livro Áurea Pires da Gama: perfil de uma poetisa angreense, publicado em 1974; a poetisa foi casada com o escritor, juiz, desembargador e político Antônio Chichorro da Gama.

segunda-feira, 27 de novembro de 2023

Áurea Pires: Riso pungente


____________________
Ah!   Não te rias, que teu riso abala
Todas as fibras de minh´alma ardente!
Ela se estorce convulsivamente,
Das grandes mágoas percorrendo a escala!

Como o violino que soluça e fala
E geme e grita apaixonadamente,
Sob os dedos do artista inteligente,
Entusiasmado n'um salão de gala!...

Se ouve a risada límpida e sonora
Dos lábios teus, ela estremece e chora,
Como o violino sob as mãos do artista!

Minh'alma é fraca, tímida e sensível!...
Cesse o teu riso este martírio incrível!
Que outra mais forte talvez não resista!

28 — 3 — 1899
[revista A Mensageira, de 15 de abril de 1899,
Ano II, nº 27, São Paulo — SP]

____________________
A Mensageira — Revista Literária dedicada à mulher brasileira (1897 a 1900), Diretora: Presciliana Duarte de Almeida, Edição fac-similar, Volume II, Apresentação de Bete Mendes e comentários de Zuleika Alambert, 1987, Imprensa Oficial do Estado S/A — IMESP, São Paulo — SP; Áurea Pires da Gama (1876 1949), fluminense de Angra dos Reis, fez seus primeiros estudos em Minas Gerais e os concluiu no Rio de Janeiro, foi poetisa e professora; aos 14 anos escreveu o soneto Impossível, publicado no jornal O Astro, de Barbacena MG; a partir de 1906 fixou residência em Cruzeiro SP, ali foi cofundadora do Externato Cruzeiro e passou a dedicar-se ao magistério; suas obras: Flocos de Neve (1896), Indiana (1902), Pétalas (1908), Paquetá (1919) e Entre o mar e a floresta (1922); colaborou com a revista A Mensageira, registando ali alguns de seus versos; foi biografada por Elmo Elton no livro Áurea Pires da Gama: perfil de uma poetisa angreense, publicado em 1974; a poetisa foi casada com o escritor, juiz, desembargador e político Antônio Chichorro da Gama.

segunda-feira, 20 de novembro de 2023

Áurea Pires da Gama: Iniquidade


____________________
Se havias de assistir à estrepitosa queda
Do castelo ideal que edificaste um dia,
O futuro apagado... essa idéia sombria
Que te sulca o semblante e o sorriso te veda;

Se hoje estendes a destra esquálida e vazia
A ventura que passa e a tua mão arreda,
Vi, negando-te a falsa e pequenina moeda,
Quando outrora em teu berço estrelas esparzia;

Se a crença te enganou, e em cinza desmanchada
Na asa plúmbea da dor não representa nada...
E inerme, em pleno caos, em lágrimas te expandes,

Se havias de sofrer todos os dissabores,
Porque sonhaste, em vão, todos os esplendores,
Por que ousaste, infeliz, aspirações tão grandes?!

____________________
Antologia de Poetas Fluminenses (vários autores) — Rubens Falcão, Carta-Prefácio de Agripino Grieco, 1968, Gráfica Record Editora, Rio de Janeiro — RJ; Áurea Pires da Gama (1876 1949), fluminense de Angra dos Reis, fez seus primeiros estudos em Minas Gerais e os concluiu no Rio de Janeiro, foi poetisa e professora; aos 14 anos escreveu o soneto Impossível, publicado no jornal O Astro, de Barbacena MG; a partir de 1906 fixou residência em Cruzeiro SP, ali foi cofundadora do Externato Cruzeiro e passou a dedicar-se ao magistério; suas obras: Flocos de Neve (1896), Indiana (1902), Pétalas (1908), Paquetá (1919) e Entre o mar e a floresta (1922); colaborou com a revista A Mensageira, registando ali alguns de seus versos; foi biografada por Elmo Elton no livro Áurea Pires da Gama: perfil de uma poetisa angreense, publicado em 1974; a poetisa foi casada com o escritor, juiz, desembargador e político Antônio Chichorro da Gama.

quinta-feira, 12 de outubro de 2023

Áurea Pires: Hiernal

____________________
A Arthur Andrade

Aproxima-se o inverno espalhando na serra
Nebulosas que vão sobre as asas do vento
Ondeando levemente... ondeando... no momento
Em que a luz da alvorada a escuridão desterra

No imaculado azul do vasto firmamento
O sol mais cintilante a pálpebra descerra...
Dardeja livremente os raios sobre a terra
E no ocaso por fim se apaga lento e lento!...

E quando a noite chega e silenciosa invade
A extensão da planície e a doce claridade
Da lua vem bater na face da lagoa,

Na casinha de palha a pobre lavadeira
Assentada no chão, bem perto da fogueira
Cantigas do seu tempo em voz queixosa entoa!...

[revista A Mensageira, de 30 de abril de 1898,
Ano I, nº 14, São Paulo — SP]

____________________
A Mensageira — Revista Literária dedicada à mulher brasileira, Diretora: Presciliana Duarte de Almeida (1897 a 1900), Edição fac-similar, Volume I, Apresentação de Bete Mendes e comentários de Zuleika Alambert, 1987, Imprensa Oficial do Estado S/A — IMESP, São Paulo — SP; Áurea Pires da Gama (1876 1949), fluminense de Angra dos Reis, fez seus primeiros estudos em Minas Gerais e os concluiu no Rio de Janeiro, foi poetisa e professora; aos 14 anos escreveu o soneto Impossível, publicado no jornal O Astro, de Barbacena MG; a partir de 1906 fixou residência em Cruzeiro SP, ali foi cofundadora do Externato Cruzeiro e passou a dedicar-se ao magistério; suas obras: Flocos de Neve (1896), Indiana (1902), Pétalas (1908), Paquetá (1919) e Entre o mar e a floresta (1922); colaborou com a revista A Mensageira, registando ali alguns de seus versos; foi biografada por Elmo Elton no livro Áurea Pires da Gama: perfil de uma poetisa angreense, publicado em 1974; a poetisa foi casada com o escritor, juiz, desembargador e político Antônio Chichorro da Gama.