____________________
Hoje minha mão está armada,
de caneta muito bem carregada
de tinta, que deixa marcas
graciosas
na folha, e as intenções objetivas:
Surge como sol na ponta do cano,
indo em direção ao meio do crânio,
como tiro de chumbo certeiro,
a modificar os neurônios do
hospedeiro.
A mão é ansiosa e intencional,
a caneta é mero objeto acidental,
a folha cúmplice e prova criminal,
e o crânio é do gigante que cai,
com a palavra mais ardente que vai,
como bala que explode e não sai.
(Cantos e Desencantos de um Guerreiro — 2011)

* Clique no título acima e ouça o poema na voz do próprio autor.
____________________
Poetas do Sarau Suburbano — Volume
2, (vários autores), Organizador: Alessandro Buzo, Prefácio de CésarTralli,
Posfácio I de Kamau e Posfácio II de Rashid MC, 2013, Edições Suburbano Convicto, São Paulo — SP; Jefferson Santana de Jesus, nascido em
1988, paulista e paulistano, formado em Letras na Universidade Presbiteriana
Mackenzie, é poeta; de sua biografia consta que “sua grande graduação é a vida,
que lhe mostrou a necessidade de lutar pelo que acredita” e que "começou a brincar de escrever aos treze anos de idade, época em que estudava no EMEF Antônio Estanislau do Amaral, uma escola da região (Jardim Ângela — Zona Sul)"; em 2006, "participou da Oficina Experimental de Jornalismo do projeto Becos e Vielas" e também "começou a frequentar o Sarau da Cooperifa"; escreveu e publicou
Cantos e Desencantos de um Guerreiro (poesia, Scortecci Editora, 2011).