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Do
crespo mar azul brancas gaivotas
Voam
— de leite e neve o céu manchando,
E
vão abrindo às regiões remotas
As
asas, em silêncio, à tarde, e em bando.
Depois
se perdem pelo espaço ignotas,
O
ninho das estrelas procurando;
Cerras
os cílios, com teu dedo notas
Que
elas vêm outra vez o azul furando.
Uma
na vaga buliçosa dorme.
Uma
revoa em cima, outra mais baixo...
E
ronca o abismo do oceano enorme...
Cai
o sol, como já queimado facho...
Do
lado oposto espia a noite informe...
Tu
me perguntas se isto é belo... e eu acho...
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Os
Sonetos — Antologia: diversas autorias, Coordenação Gráfica de Rogério Ramos e Capa
e Ilustrações de Percy Deane, 1982, Edição especial para o Banco Lar Brasileiro
S. A., L. R. Editores Ltda., São Paulo — SP; Luís Delfino dos Santos (1834 — 1910),
nascido na então Desterro, hoje Florianópolis — SC, fez seus estudos iniciais no
colégio de jesuítas em sua cidade natal, formou-se em Medicina pela Academia Imperial
de Medicina do Rio de Janeiro, foi médico, político e, dedicando-se à literatura,
foi e é considerado o segundo poeta mais importante de Santa Catarina (o primeiro
é Cruz e Souza); em 1852 estreou na arte literária com a publicação do conto O Órfão
do Templo na revista carioca Beija-Flor; em 1862 publicou seu poema “mais famoso
desta fase”, A Filha d’África, na Revista Popular; apesar de conhecido poeticamente,
não publicou nenhum livro em vida, seus poemas foram divulgados em jornais e revistas
da época (Beija-Flor, Diário do Rio de Janeiro, Revista Popular, A Estação, A Gazetinha,
A Vida Moderna) e nos periódicos simbolistas A Meridional, Revista Contemporânea,
Rosa Cruz e Vera-Cruz; de sua biografia também consta ter colaborado com o semanário
português lisboeta Branco e Negro entre 1896 e 1898; deixou-nos como legado uma
vasta obra — “abrange mais de cinco mil poemas” — considerada perfeita, a qual só
postumamente foi reunida em catorze volumes por seu filho Tomás Delfino dos Santos
e publicada entre 1926 e 1943: Poemas, Algas e Musgos (1927), Poesias Líricas, Íntimas
e Aspásias (1935), Rosas Negras, Imortalidades (1941), poesias ...; foi senador
pelo Estado de Santa Catarina.

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