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O santo é de pedra
De setas de lata
O santo tem chagas
De tinta vermelha.
O povo tem fome
O povo é de carne.
O santo lá vai
E pende pra cá
E pende pra lá.
As velas escorrem
E pingam no braço
De gente de carne
Que olha pra cima
E não acha bom
Esfregando depressa
De baixo pra cima
De cima pra baixo.
Os negrinhos de bata:
Um é magrela
Outro é gorducho
Uns são riquinhos
De seda é a bata
Outros são pobres
E é pé no chão.
O santo é de pedra
O manto é de seda
As flores de pano
Seu pranto de água
E as velas de cera.
A perna do santo
É assim pra frente
E pra frente lá vamos
Em fila por um
Em fila por dois
Em filas compridas
De gente devota
De gente que sabe
Que o santo é de pedra
De bata de seda
De flores de pano
De vela na mão
De vela de cera
De pranto de água
De chagas de tinta
De tinta vermelha.
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232 Poetas
Paulistas — Antologia, por Pedro de Alcântara Worms, 1968,
Editora Conquista, Rio de Janeiro — RJ; Carlos Haraldo Sörensen (1928 — 2008), paulista de Bauru, formado pela Faculdade de Arquitetura da
Universidade do Brasil, no Rio de Janeiro, e pela École Nationale Supérieure de
Beaux Arts, Paris, foi pintor, ceramista, tapeceiro, ilustrador, escultor,
gravador, figurinista, cenógrafo, arquiteto e poeta; consta que desde cedo
experimentou o gosto por escrever poemas e atuar no teatro; ilustrou vários livros
e, como ilustrador, trabalhou em revistas e jornais; fez exposições em galerias
no Rio, Paris, Milão, Londres, Tókio, Nova Iorque, Buenos Aires, Lagos, ...; nos
palcos criou figurinos e cenários; trabalhou na televisão e ganhou diversos prêmios.