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terça-feira, 8 de março de 2016

Carlos Fernandes Góes: Um louco

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Lia-se a história de um padecimento
No seu olhar incerto, alucinado...
Traço por traço, incógnito tormento
Tinha-lhe o rosto aos poucos macerado...

Tarde da noite, ao frígido relento,
Dobrava as ruas tácito, isolado,
Nos céus disperso o olhar frouxo e nublado,
Versos à lua soletrando e ao vento!

Dizem que amou... Detesta a companhia
Onde a mulher o vulto airoso apruma
Numa atitude às praxes acurvada...

Quando escancela a boca alvar e fria,
Parece que numa lágrima reçuma
A convulsão da estulta gargalhada!

Brazilian poet and writer. Nasceu na cidade do Rio de Janeiro a 10 de outubro de 1881. Formado em direito e professor do Ginasio Mineiro em Belo Horizonte. Membro da Academia Mineira de Letras e do Instituto Histórico Mineiro. Poeta e Prosador. Bibliog. - Crótalos, 1898; Cithara; Espelhos.
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Poetas Cariocas em 400 Anos — Frederico Trotta, 1966, Casa Editora Vecchi, Rio de Janeiro — RJ; Carlos Fernandes Góes (1881  1934), nascido no Rio de Janeiro, bacharel em Direito, foi promotor, professor de Português, filólogo, gramático, dramaturgo, prosador e poeta; além de inúmeras obras didáticas — Dicionário de Raízes e CognatosDicionário de GalicismosDicionário de Afixos e Desinências, Método de Análise, Sintaxe da Regência, Gramática Expositiva Primária, Pontos de Língua Pátria ...  escreveu e publicou Crótalos (poesia, 1898), Cítara (poesia, 1904), O Governador das Esmeraldas (conto, 1911), História da terra mineira (1913), Teatro das crianças (teatro, 1917), Espelhos (poesia, 1924), A Boa Estrela (teatro) e outros títulos em verso e prosa, comédias e dramas.