
____________________
Lia-se a história de um
padecimento
No seu olhar incerto, alucinado...
Traço por traço, incógnito
tormento
Tinha-lhe o rosto aos poucos
macerado...
Tarde da noite, ao frígido
relento,
Dobrava as ruas tácito, isolado,
Nos céus disperso o olhar frouxo e
nublado,
Versos à lua soletrando e ao
vento!
Dizem que amou... Detesta a
companhia
Onde a mulher o vulto airoso
apruma
Numa atitude às praxes acurvada...
Quando escancela a boca alvar e
fria,
Parece que numa lágrima reçuma
A convulsão da estulta gargalhada!

____________________
Poetas
Cariocas em 400 Anos — Frederico Trotta, 1966, Casa Editora Vecchi,
Rio de Janeiro — RJ; Carlos Fernandes Góes (1881 — 1934), nascido no Rio
de Janeiro, bacharel em Direito, foi promotor, professor de Português,
filólogo, gramático, dramaturgo, prosador e poeta; além de inúmeras obras
didáticas — Dicionário de Raízes e Cognatos, Dicionário de Galicismos, Dicionário de Afixos e Desinências, Método de Análise, Sintaxe da Regência, Gramática
Expositiva Primária, Pontos de Língua Pátria ... — escreveu e publicou Crótalos
(poesia, 1898), Cítara (poesia, 1904), O Governador das Esmeraldas (conto,
1911), História da terra mineira (1913), Teatro das crianças (teatro, 1917), Espelhos
(poesia, 1924), A Boa Estrela (teatro) e outros títulos em verso e prosa,
comédias e dramas.