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[traduzido por Oswaldino
Marques]
Cumpre amar o bem e o mal
odiar,
Pois o mal é o mal, o bem bem
permanece;
Coisas, porém, há indiferentes
Que não devemos quer amar ou
odiar,
Mas degustar uma e depois
outra,
Ao sabor da nossa fantasia.
Se, pois, na origem a sábia Natureza
Feito tivesse as mulheres más
ou boas,
Poderíamos eleger estas, odiar
aquelas,
Mas, visto que ela assim as
criou,
Para que não odiássemos nem amássemos,
Não há fugir: todos, usemo-las
todas.
Se boas fossem, de pronto se
veria,
O bem é tão visível quanto o
verde
E se denuncia a todos os
olhares;
Se fossem más, não
persistiriam,
— O mal consome a si e ao
resto —
Logo, não merecem censura nem
louvor.
Mas, são elas nossas como os
frutos;
Se este apenas prova, outro
devora,
E aquele nem sequer toca — não
há desdouro:
Variar de amor é variar de
prato,
E quem, após saborear a amêndoa,
Não joga fora as cascas
imprestáveis?
Community
Good we must love, and must hate ill,
For ill is ill, and good good still;
But there are things indifferent,
Which wee may neither hate, nor love,
But one, and then another prove,
As we shall find our fancy bent.
If then at first wise Nature had
Made women either good or bad,
Then some wee might hate, and some choose,
But since she did them so create,
That we may neither love, nor hate,
Only this rests. All, all may use.
If they were good it would be seen,
Good is as visible as green,
And to all eyes itself betrays;
If they were bad, they could not last,
Bad doth itself and others waste;
So, they deserve nor blame, nor praise.
But they are ours as fruits are ours;
He that but tastes, he that devours,
And he that leaves all, doth as well:
Chang’d loves are but chang’d sorts of meat,
And when he hath the kernel eat,
Who doth not fling away the shell?
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Poemas Famosos de Língua
Inglesa [diversas autorias], edição bilíngue, Compilação, Tradução, Prefácios
das 1ª e 2ª edições e Notas de Oswaldino Marques, Coleção Antologia de
Poetas Universais — volume 599, 1968, Edições de Ouro, Rio de Janeiro — RJ; John Mayra Donne (1572 — 1631), inglês e londrino, estudou
na Hart Hall, atual Hertford College — Oxford, depois consta ter ingressado na
Universidade de Cambridge, ter concluído o curso, mas não ter sido diplomado
devido sua recusa da prestação do Oath of Supremacy — Juramento de Supremacia —, juras de lealdade à rainha, protestante —
exigido dos formandos, por ele ser da religião católico-romana; foi poeta,
pastor, diácono e sacerdote, advogado e reitor da Saint Paul Cathedral, em
Londres; de sua biografia, também consta que após os estudos viajou pela
Espanha e Itália e, de retorno a Londres, estudou Direito, primeiro no Thavies
Inn e depois no Lincoln’s Inn; a poesia de John Donne, em sua grande maioria,
não foi publicada com o poeta ainda em vida; seu legado poético foi preservado
em cópias manuscritas que eram feitas e distribuídas a um pequeno e seleto
grupo de admiradores e amantes da poesia; ao longo do século XVIII e grande
parte do XIX, o poeta e sacerdote foi pouco lido e pouco apreciado, consta que
apenas no final do ano 1800 “a poesia de Donne foi avidamente adotada por um
grupo crescente de leitores e escritores de vanguarda. Sua prosa permaneceu
praticamente despercebida até 1919”; publicações do autor: poemas: The
Anniversaries (1621), Holy Sonnets (1633), The Good-Morrow (1633), The
Canonization (1633), Love Poems (1905), John Donne: Divine Poems, Sermons,
Devotions and Prayers (1990), The Complete English Poems (1991), John Donne’s
Poetry (1991), John Donne: The Majors Works (2000), Poems on Several Occasions
(2001), The Complete Poetry and Selected Prose of John Donne (2001), prosa:
Devotions Upon Emergent Occasions and Death’s Duel (1624), Six Sermons (1634),
Fifty Sermons (1649), Essayes in Divinity (1651), Paradoxes, Problems, Essayes,
Characters (1652), Sermons Never Before Published (1661)...; John Donne “foi um
importante poeta inglês da escola metafísica” e “é frequentemente considerado o
maior poeta de amor da língua inglesa”.