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[traduzido por Gomes Filho]
"Soneto XXVII"
Busco, à noite, o meu leito,
exausto da labuta,
pois é justo um repouso aos membros
fatigados.
Nova jornada, entanto! É meu
cérebro em luta
com o pensamento vivo, e os sonhos
acordados.
Romaria ou vigília?... Eu sei que
não me escuta
tão longe de onde estou, por mal
dos meus pecados,
aquela por quem vivo. E o coração
disputa
às estrelas do céu seus olhos
encantados.
Bem abertas mantendo as pálpebras
dormentes,
cego, na escuridão, sinto mais que
os videntes
que falta em sua face a luz do mar
que é puro.
Assim, de dia ao corpo, e de noite,
à minha alma,
por que hão de me roubar ao
espírito a calma
que esse amor não me deu porque foi
tão perjuro?
Sonnet XXVII
Weary
with toil, I haste me to my bed,
The dear
repose for limbs with travel tired;
But then
begins a journey in my head
To work
my mind, when body's work's expired:
For then
my thoughts — from far where I abide —
Intend a
zealous pilgrimage to thee,
And keep
my drooping eyelids open wide,
Looking
on darkness which the blind do see:
Save that
my soul's imaginary sight
Presents
thy shadow to my sightless view,
Which,
like a jewel hung in ghastly night,
Makes
black night beauteous, and her old face new.
Lo!
thus, by day my limbs, by night my mind,
For
thee, and for myself, no quiet find.
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O Mundo Maravilhoso
do Soneto, de Vasco de Castro Lima [inúmeros sonetistas e tradutores], Prefácio
de Rangel Coelho, 1987, Livraria Freitas Bastos S/A, Rio de Janeiro — RJ; William Shakespeare (1564 — 1616), inglês nascido em Stratford
upon-Avon, “provavelmente” tenha iniciado seus estudos em casa, frequentou a
Petty School até os sete anos de idade, foi poeta, ator e dramaturgo
profissional, e é tido como o mais influente dramaturgo do mundo; em seus
traços biográficos conhecidos há a especulação de que possa ter seguido para
Londres por volta de 1592, época em que, com suas peças encenadas, se
consolidou como dramaturgo ali; consta que com o fim da epidemia de peste que
assolou na época, Shakespeare e outros atores, antes pertencentes a diferentes
companhias, se uniram e formaram a Companhia do Lorde Chamberlaim, que os patrocinava,
e, por quase vinte anos, passaram a participar dos lucros da empresa; o dramaturgo
também se tornou membro dos consórcios que administravam o Globe Theatre e o
Blackfriars Theatre; como escritor e poeta, suas primeiras obras impressas
foram dois longos poemas: Vênus e Adônis (Venus and Adonis, 1593) e O Estupro
de Lucrécia (The Rape of Lucrece, 1594); do poeta, consta que restaram até nossos
dias 38 peças, 3154 sonetos, dois longos poemas narrativos e diversos outros poemas;
suas peças foram traduzidas para os principais idiomas do globo e são revisitadas
e interpretadas frequentemente pelo teatro, televisão, cinema e literatura — que
o digam Romeu e Julieta e Hamlet, por exemplo; principais obras: escreveu comédias:
Sonho de Uma Noite de Verão (A Midsummer Night's Dream), O Mercador de Veneza
(The Merchant of Venice), A Comédia de Erros (The Comedy of Errors), A Megera Domada (Taming
of the Shrew), A Tempestade (The Tempest), Os
Dois Cavalheiros de Verona (The Two Gentlemen of Verona), Cimbelino, e tantas outras,
tragédias: Tito Andrônico, Romeu e Julieta, Júlio César, Macbeth, Coriolano, Rei
Lear, Otelo — O Mouro de Veneza, Hamlet etc., dramas históricos: Rei João, Ricardo
II, Ricardo III, Henrique IV — partes 1 e 2, Henrique V, Henrique VI — partes 1,
2 e 3, Henrique VIII e Eduardo III.