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domingo, 26 de julho de 2026

Shakespeare: Busco, à noite, o meu leito, exausto da labuta, . . . [soneto]

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[traduzido por Gomes Filho]

"Soneto XXVII"

Busco, à noite, o meu leito, exausto da labuta,
pois é justo um repouso aos membros fatigados.
Nova jornada, entanto! É meu cérebro em luta
com o pensamento vivo, e os sonhos acordados.

Romaria ou vigília?... Eu sei que não me escuta
tão longe de onde estou, por mal dos meus pecados,
aquela por quem vivo. E o coração disputa
às estrelas do céu seus olhos encantados.

Bem abertas mantendo as pálpebras dormentes,
cego, na escuridão, sinto mais que os videntes
que falta em sua face a luz do mar que é puro.

Assim, de dia ao corpo, e de noite, à minha alma,
por que hão de me roubar ao espírito a calma
que esse amor não me deu porque foi tão perjuro?

Shakespeare

Sonnet XXVII

Weary with toil, I haste me to my bed,
The dear repose for limbs with travel tired;
But then begins a journey in my head
To work my mind, when body's work's expired:
For then my thoughts — from far where I abide —
Intend a zealous pilgrimage to thee,
And keep my drooping eyelids open wide,
Looking on darkness which the blind do see:
Save that my soul's imaginary sight
Presents thy shadow to my sightless view,
Which, like a jewel hung in ghastly night,
Makes black night beauteous, and her old face new.
   Lo! thus, by day my limbs, by night my mind,
   For thee, and for myself, no quiet find.
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O Mundo Maravilhoso do Soneto, de Vasco de Castro Lima [inúmeros sonetistas e tradutores], Prefácio de Rangel Coelho, 1987, Livraria Freitas Bastos S/A, Rio de Janeiro — RJ; William Shakespeare (1564 — 1616), inglês nascido em Stratford upon-Avon, “provavelmente” tenha iniciado seus estudos em casa, frequentou a Petty School até os sete anos de idade, foi poeta, ator e dramaturgo profissional, e é tido como o mais influente dramaturgo do mundo; em seus traços biográficos conhecidos há a especulação de que possa ter seguido para Londres por volta de 1592, época em que, com suas peças encenadas, se consolidou como dramaturgo ali; consta que com o fim da epidemia de peste que assolou na época, Shakespeare e outros atores, antes pertencentes a diferentes companhias, se uniram e formaram a Companhia do Lorde Chamberlaim, que os patrocinava, e, por quase vinte anos, passaram a participar dos lucros da empresa; o dramaturgo também se tornou membro dos consórcios que administravam o Globe Theatre e o Blackfriars Theatre; como escritor e poeta, suas primeiras obras impressas foram dois longos poemas: Vênus e Adônis (Venus and Adonis, 1593) e O Estupro de Lucrécia (The Rape of Lucrece, 1594); do poeta, consta que restaram até nossos dias 38 peças, 3154 sonetos, dois longos poemas narrativos e diversos outros poemas; suas peças foram traduzidas para os principais idiomas do globo e são revisitadas e interpretadas frequentemente pelo teatro, televisão, cinema e literatura — que o digam Romeu e Julieta e Hamlet, por exemplo; principais obras: escreveu comédias: Sonho de Uma Noite de Verão (A Midsummer Night's Dream), O Mercador de Veneza (The Merchant of Venice), A Comédia de Erros (The Comedy of Errors), A Megera Domada (Taming of the Shrew), A Tempestade (The Tempest), Os Dois Cavalheiros de Verona (The Two Gentlemen of Verona), Cimbelino, e tantas outras, tragédias: Tito Andrônico, Romeu e Julieta, Júlio César, Macbeth, Coriolano, Rei Lear, Otelo — O Mouro de Veneza, Hamlet etc., dramas históricos: Rei João, Ricardo II, Ricardo III, Henrique IV — partes 1 e 2, Henrique V, Henrique VI — partes 1, 2 e 3, Henrique VIII e Eduardo III.