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quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Sully Prudhomme: O Ideal

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[traduzido por Cruz Filho]

Cheio de astros é o céu, e grande a lua;
A terra toda é só palor estremo
E o espírito do mundo no ar flutua.
— Sonho com a estrela de esplendor supremo,

A que em nosso horizonte ainda não erra,
Mas cuja luz percorre a imensidade
E há de um dia, afinal, chegar à terra,
Para encantar os olhos de outra idade.

Quando luzir, num século remoto,
Essa estrela longínqua e soberana,
Dizei-lhe que ela em mim teve um devoto,
Ó últimas mortais da raça humana!

(Do livro a publicar, Toda a Musa.)
[Toda Musa — poesia completa,
Cruz Filho, publicado em 1965]

Sully Prudhomme

L’Idéal

À Paul Sédille

La lune est grande, le ciel clair
Et plein d’astres, la terre est blême,
Et l’âme du monde est dans l’air.
Je rêve à l’étoile suprême,

À celle qu’on n’aperçoit pas,
Mais dont la lumière voyage
Et doit venir jusqu’ici-bas
Enchanter les yeux d’un autre âge.

Quand luira cette étoile, un jour,
La plus belle et la plus lointaine,
Dites-lui qu’elle eut mon amour,
Ô derniers de la race humaine!

[Stances et Poèmes — 1865]
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Diário Íntimo e Pensamentos: Sully Prudhomme [+ ‘Poemas de Sully Prudhomme em Traduções Brasileiras’], Apresentação ‘Prefácio’ de Anders Österling, Tradução e Notas de Mello Nóbrega, Estudo Introdutivo de Gabriel D’Aubarède, Ilustrações de André Hambourg e Pequena História da atribuição do Prêmio Nobel a Sully Prudhomme, por Gunnar Ahlström — Biblioteca dos Prêmios Nobel de Literatura, 1973, Editora Ópera Mundi, Rio de Janeiro — RJ; Sully-Prudhomme ou René Armand François Prudhomme (1839 — 1907), francês e parisiense, ingressou no Liceu Bonaparte, pretendia ser engenheiro, desistiu, trabalhou como escriturário em fábrica, estudou Direito, foi pensador, ensaísta e poeta; pertenceu ao grupo de poetas parnasianos que foram responsáveis pela publicação de Parnasse Contemporain; elegeu-se para a Academia Francesa (1881) e foi o primeiro autor literato a receber o recém-criado Prêmio Nobel de Literatura (1901); obras poéticas: Stances et Poèmes (1865), Les Épreuves (1866), Les Solitudes (1869), Impressions de la guerre (1870), Les Destins (1872), La France (1874), Les Vaines tendresses (1875), La Justice (1878), Le Prisme, poésies diverses (1886), Le Bonheur (1888)..., em prosa, escreveu Réflexions sur l’art des vers (prosa, 1892) e outros escritos (diário e pensamentos); Sully Prudhomme deixou publicado ensaios filosóficos e prosa variada na Bibliothèque de philosophie contemporaine e nos periódicos Revue de deux Mondes, Revue scientifique, La Nature, Revue de Métaphysique et de Morale e Nouvelle Revue Internationale Européenne; de sua biografia, consta que o poeta, “de saúde precária” desde a infância, a partir de 1870, sofreu mais complicações, teve paralisia em “toda parte inferior do corpo” e após a qual “nunca mais recobraria integralmente sua capacidade [motora]; teve poemas musicados, recebeu honrarias e premiações por sua obra, entre as quais o já citado 1º Prêmio Nobel de Literatura (1901).