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[traduzido por Renata Cordeiro]
Nesta vida há mistério e na alma, o
irrevelado,
Um sempiterno amor num instante
nascido;
É o mal sem esperança, e deve ser
calado
e àquela que o causou, o mal é
dessabido.
Ai! Perto dela vou passar
despercebido,
Com ela, o eterno só, jamais
acompanhado;
e até ao fim do meu caminho aqui
trilhado
nada ousarei pedir, sem nada ter
obtido.
Embora por Deus boa e terna, vai
seguir
Seu rumo, distraída, e sem jamais
ouvir
Meu murmúrio de amor que aos seus
pés se erguerá;
dirá, pia fiel ao austero dever,
lendo estes versos só repletos do
seu ser,
“Que mulher será esta?”, e nada
entenderá.

Sonnet
Mon âme a son secret, ma vie a son mystère;
Un amour éternel en un moment conçu;
Le mal est sans espoir, aussi j’ai dû le taire,
Et celle qui l’a fait n’en a jamais rien su.
Hélas! J’aurai passé près d’elle inaperçu
Toujours à ses côtés et toujours solitaire;
et j’aurai jusqu’au bout fait mon temps sur la terre,
n’osant rien demander, et n’ayant rien reçu.
Pour elle, quoique Dieu l’ait faite bonne et tendre,
Elle ira son chemin, distraite, et sans entendre
Ce murmure d’amour elevé sur ses pas;
à l’austère devoir pieusement fidèle,
Elle dira, lisant ces vers tout remplis d’elle,
“Quelle est donc cette femme?” et ne comprendra pas.
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Pequena Antologia de Poemas Franceses:
De François Villon a Fernando Pessoa — Concepção, Seleção, Tradução e Notas de Renata Maria Parreira Cordeiro, 2002, Landy Livraria Editora e Distribuidora Ltda., São
Paulo — SP; Aléxis-Félix Arvers (1806 — 1850), francês e parisiense, estudou Direito,
foi funcionário de cartório e perseguiu o desejo de ser poeta e escritor; fez sucesso
com uma peça teatral, uma comédia que caiu no esquecimento, e levou uma vida de
dandy por Paris; um seu poema, conhecido como ‘Soneto de Arvers’ e aqui transcrito,
despertou grande polêmica nos meios literários à época, com todos curiosos em descobrir
quem teria sido sua musa inspiradora, ‘Quelle est donc cette femme?’, ‘Quem será
essa mulher?’; o ‘Soneto de Arvers’ foi amplamente traduzido para os mais diversos
idiomas, inclusive para o esperanto; em língua portuguesa contam-se em dezenas os
tradutores, entre os quais Guilherme de Almeida, Olegário Mariano, José Oiticica,
Gondim da Fonseca, J. G. de Araújo Jorge, José Lino Grünewald, Lúcio de Mendonça,
Benedicto Lopes, Bastos Tigre, além de ter inspirado outras criações em resposta
ou citando o soneto famoso; Félix Arvers escreveu e publicou Minhas horas perdidas
(Mês heures perdues, poesias, 1833), com o referido soneto incluso.








