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quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

William Blake: O Tigre

 
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[traduzido por Oswaldino Marques]

Tigre! Tigre! ardendo rútilo
Nas florestas da noite,
Que imortal mão, ou olho, puderam
Engendrar tua simetria terrível?

Em que céus longínquos, ou abismos,
Ardeu o fogo dos teus olhos?
Em que asas ousou ele alçar-se?
Que mão ousou apreender a chama?

Que ombro, que arte puderam
Do teu coração trançar as fibras?
E quando ele começou a pulsar,
Que mão terrível, pés terríveis?

Onde o martelo? Onde a cadeia?
Em que fornalha esteve teu cérebro?
E a bigorna? Que punho tremendo
Ousou aprisionar seus terrores?

Quando as estrelas despediram seus dardos
Rorejando o céu de lágrimas,
Sorriu ele, ao ver sua obra?
O que fez o Cordeiro, te fez?

Tigre! Tigre! ardendo rútilo
Nas florestas da noite,
Que imortal mão, ou olho, ousaram
Engendrar tua simetria terrível?

[Canções da Experiência — 1794]

William Blake

The Tyger

Tyger! Tyger! burning bright,
In the forests of the night,
What immortal hand or eye
Could frame thy fearful symmetry?

In what distant deeps or skies
Burnt the fire of thine eyes?
On what wings dare he aspire?
What the hand dare seize the fire?

And what shoulder, and what art,
Could twist the sinews of thy heart?
And when thy heart began to beat,
What dread hand? and what dread feet?

What the hammer? what the chain?
In what furnace was thy brain?
What the anvil? what dread grasp
Dare its deadly terrors clasp!

When the stars threw down their spears,
And watered heaven with their tears,
Did he smile his work to see?
Did he who made the Lamb make thee?

Tyger! Tyger! burning bright
In the forests of the night,
What immortal hand or eye
Dare frame thy fearful symmetry?

[Songs of Experience — 1794]
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Poemas Famosos de Língua Inglesa [diversas autorias], edição bilíngue, Compilação, Tradução, Prefácios das 1ª e 2ª edições e Notas de Oswaldino Marques, Coleção Antologia de Poetas Universais — volume 599, 1968, Edições de Ouro, Rio de Janeiro — RJ; William Blake (1757 1827), inglês e londrino, foi tipógrafo, escritor, poeta, gravurista e artista plástico do pré-romantismo na Inglaterra; consta de sua biografia que, por decisão paterna, o poeta esteve alheio às escolas, não cumpriu a pedagogia oficial de então e foi incentivado a trilhar seu próprio caminho e desenvolver seus dotes artísticos; aprendeu técnicas de gravura e iniciou-se como gravurista; associou-se ao tipógrafo James Parker, abriu um atelier de impressão e passou a imprimir seus livros e suas gravuras; em 1779, foi admitido na Academia Real londrina, “a quem produziu gravuras para romances e catálogos em troca de instrução”; William Blake pode ser considerado um dos fundadores do movimento romântico, o Romantismo, na literatura inglesa; suas obras: Poetical Sketches (Esboços Poéticos, 1783), Songs of Innocence (Canções da Inocência, 1789), The Book of Thel (1789), The French Revolution: A Poem in Seven Books (A Revolução Francesa, 1791), The Marriage of Heaven and Hell (O Casamento do Céu e do Inferno, [1790?] 1793), Songs of Experience (Canções da Experiência, 1794), Milton (1804), Jerusalem (1820), “Rossetti” Manuscript (Manuscrito “Rossetti", publicação póstuma) e outros títulos, além de ilustrações e pinturas.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

Edith Sitwell: Canção

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[traduzido por Oswaldino Marques]

Somos a treva no calor do dia,
Flores sem raízes no ar, o frescor: somos a água
Jacente nas folhas perante a Morte, nosso sol,
E seu tremendo calor nos embriagou... a filha da beleza
O coração da rosa e nós somos um só.

Somos a prole do verão, o hálito da noite, os dias
Em que se pode ter esperança de tudo somos o irretornável
Sorriso daquele que está perdido, visto através das folhas do verão
Esse sol e sua falsa luz sempre a escarnecer.

Edith Sitwell

Song

We are the darkness in the heat of the day,
The rootless flowers in the air, the coolness: we are the water
Lying upon the leaves before Death, our sun,
And its vast heat has drunken us… Beauty's daughter
The heart of the rose and we are one.

We are the summer's children, the breath of evening, the days
When all may de hoped for, we are the unreturning
Smile of the lost one, seen through the summer leaves
That sun and its false light scorning.
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Poemas Famosos de Língua Inglesa [diversas autorias], edição bilíngue, Compilação, Tradução, Prefácios das 1ª e 2ª edições e Notas de Oswaldino Marques, Coleção Antologia de Poetas Universais — volume 599, 1968, Edições de Ouro, Rio de Janeiro — RJ; Edith Louisa Sitwell (1887 1964), ou Dame Edith Sitwell, britânica de Scarborough, North Riding of Yorkshire, Inglaterra, “a mais velha dos três Sitwells literários [ela, Osbert e Sacheverell, seus irmãos]”, pertencente à família da aristocracia rural e patrona de artes [davam suporte financeiro a alguns artistas privados de recursos], foi poetisa, crítica e biógrafa; suas obras: Façade (18 poemas compostos para um espetáculo musical, 1922), Wheels [The Sitwells] (antologias, várias edições publicadas entre 1916 e 1921), Poetry and Criticism (Poesia e Crítica, 1925), Gold Coast Customs (poemas, 1929), Collected Poems (1930), Alexander Pope (biografia, 1930), The English Eccentrics (Excêntricos Ingleses, crítica, 1933), Aspects of Modern Poetry (Aspectos da Poesia Moderna, 1934), Victoria of England (biografia, 1936), I Live Under a Black Sun (Vivo sob um Sol Negro, romance, 1937), Poems (1940), Street Songs (Canções de Rua, poemas, 1942), The Poet’s Notebook (coletânea, 1943), Green Song (1944), Song of Cold (Canção do Frio, 1945), Fanfare for Elizabeth (Fanfarra para Elizabeth, biografia, 1946), Still Fals the Rai (Street Songs), Three Poems of the Atomic Age, The Canticle of the Rose: Poems 1920-1947 (O Cântico da Rosa: Poemas 1920-1947, 1949), The Queens and the Hive (As Rainhas e a Colméia, crítica, 1962), Taken Care of The Autobiography of Edit Sitwell (publicação póstuma, autobiografia, 1965); Edith Sitwell, por sua vez, foi biografada por Rodolphe L. Megroz (The Three Sitwells: A Biographycal and Critical Study, 1927), Cecil M. Bowra (Edith Sitwell, 1947) e John Lehman (A Nest of Tigers: The Sitwells in Their Times, 1968); ainda consta de sua biografia: ter frequentado os salões de arte [e festas] de Gertrude Stein (romancista, poetisa, dramaturga e colecionadora de arte), em Paris, ter sido laureada com doutorados honorários das universidades de Leeds, Durham, Oxford e Sheffield, ter recebido a comenda de Dama do Império Britânico [daí, passou a constar da lista de honra do aniversário da rainha], ter se convertido ao catolicismo, ter sido patronesse do poeta Dylan Thomas e “muito próxima de H. D. (Hilda Doolittle, [poeta, romancista e memorialista]) e de Denton Welch [escritor e pintor]”.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

W. B. Yeats: Aquelas imagens

 
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[traduzido por Oswaldino Marques]

E se eu dissesse para abandonares
As cavernas da tua mente?
Há melhores exercícios
à luz do sol e ao vento.

Nunca mandei que fosses
A Roma ou a Moscou;
Renuncia a esse cativeiro,
Chama as musas de volta.

Procura aquelas imagens
Que perfazem o indomável,
O leão e a donzela,
A prostituta e a criança.

Descobre no vão do ar
Uma águia em voo pleno;
Reidentifica os cinco
Que fazem as musas cantarem.

W. B. Yeats

Those images

What if I bade you leave
The cavern of the mind?
There's better exercise
In the sunlight and wind.

I never bade you go
To Moscow or to Rome.
Renounce that drudgery,
Call the Muses home.

Seek those images
That constitute the wild,
The lion and the virgin,
The harlot and the child

Find in middle air
An eagle on the wing,
Recognise the five
That make the Muses sing.
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Poemas Famosos da Língua Inglesa [diversas autorias], edição bilíngue, Compilação, Tradução, Prefácios das 1ª e 2ª edições e Notas de Oswaldino Marques, Coleção Antologia de Poetas Universais — volume 599, 1968, Edições de Ouro, Rio de Janeiro — RJ; William Butler Yeats ou W. B. Yeats (1865 1939), irlandês nascido em Dublin, recebeu educação em escolas irlandesas, foi poeta e dramaturgo, representante máximo do Renascimento Literário irlandês e um dos escritores mais destacados do século XX; Yeats circulou por diversos estilos e escolas literárias e foi co-fundador do Abbey Theatre; suas obras: Mosada: A Dramatic Poem (1886), The Wanderings of Olsin and Other Poems (1889), John Sherman and Dhoya, two stories (1891), Poems (1895), The Secret Rose — short stories (1897), The Wind Among the Reeds (O Vento entre os Juncos, 1899), Plays in Prose and Verse, Written for an Iris Theatre (1919), Discoveries — A Volume of Essays (1907), The Green Helmet and Other Poems (1910), Collected Works in Verse and Prose (8 volumes, 1918), Four Plays for Dancers (Quatro Peças para Dançarinos, 1921), The Cat at the Moon (1924), Later Poems (1924), October Blast — poetry (1927), The Winding Stair and Other Poems (1933), entre tantos outros textos em verso e prosa e para teatro; W. B. Yeats foi contemplado com o Prêmio Nobel de Literatura em 1923.

sábado, 8 de novembro de 2025

William Shakespeare: Exausto da labuta, para meu leito me apresso, . . . [soneto]

 
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traduzido por Oswaldino Marques]

Soneto 27

Exausto da labuta, para meu leito me apresso,
Caro repouso dos membros fatigados de viagem
Mas logo uma jornada se inicia em meu cérebro,
Acionando minha mente, finda a lida do corpo;
Pois, então, meus pensamentos, longe de onde moro,
Se movem para ti em ardente romaria,
Bem abertas mantendo minhas pálpebras dormentes,
A fitar a escuridão que é vista pelos cegos;
Salvo que de minha alma a visão ilusória
Exibe teu vulto aos meus olhos sem imagens,
Que, tal joia suspensa em treva aterradora,
Faz bela a noite torva e remoça sua face;
       Assim, de dia o corpo, da noite meu espírito,
       Em teu proveito, ou no meu, não conhecem sossego.

William Shakespeare

Sonnet 27

Weary with toil, I hast me to my bed,
The dear repose for limbs with travel tired;
But then begins a journey in my head
To work my mind, when body's work's expired:
For then my thoughts (from far where I abide)
Intend a zealous pilgrimage to thee,
And keep my drooping eye-lids open wide,
Looking on darkness which the blind do see:
Save that my soul's imaginary sight
Presents thy shadow to my sightless view,
Which, like a jewel (hung in ghastly night)
Makes black night beauteous, and her old face new.
          Lo! thus, by day my limbs, by night my mind,
          For thee, and for myself, no quiet find.
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Poemas Famosos da Língua Inglesa [diversas autorias], edição bilíngue, Compilação, Tradução, Prefácios das 1ª e 2ª edições e Notas de Oswaldino Marques, Coleção Antologia de Poetas Universais — volume 599, 1968, Edições de Ouro, Rio de Janeiro — RJ; William Shakespeare (1564 1616), inglês nascido em Stratford upon-Avon, “provavelmente” tenha iniciado seus estudos em casa, frequentou a Petty School até os sete anos de idade, foi poeta, ator e dramaturgo profissional, e é tido como o mais influente dramaturgo do mundo; em seus traços biográficos conhecidos há a especulação de que possa ter seguido para Londres por volta de 1592, época em que, com suas peças encenadas, se consolidou como dramaturgo ali; consta que com o fim da epidemia de peste que assolou na época, Shakespeare e outros atores, antes pertencentes a diferentes companhias, se uniram e formaram a Companhia do Lorde Chamberlaim, que os patrocinava, e, por quase vinte anos, passaram a participar dos lucros da empresa; o dramaturgo também se tornou membro dos consórcios que administravam o Globe Theatre e o Blackfriars Theatre; como escritor e poeta, suas primeiras obras impressas foram dois longos poemas: Vênus e Adônis (Venus and Adonis, 1593) e O Estupro de Lucrécia (The Rape of Lucrece, 1594); do poeta, consta que restaram até nossos dias 38 peças, 3154 sonetos, dois longos poemas narrativos e diversos outros poemas; suas peças foram traduzidas para os principais idiomas do globo e são revisitadas e interpretadas frequentemente pelo teatro, televisão, cinema e literatura que o digam Romeu e Julieta e Hamlet, por exemplo; principais obras: escreveu comédias: Sonho de Uma Noite de Verão (A Midsummer Night's Dream), O Mercador de Veneza (The Merchant of Venice), A Comédia de Erros (The Comedy of Errors), A Megera Domada (Taming of the Shrew), A Tempestade (The Tempest), Os Dois Cavalheiros de Verona (The Two Gentlemen of Verona), Cimbelino, e tantas outras, tragédias: Tito Andrônico, Romeu e Julieta, Júlio César, Macbeth, Coriolano, Rei Lear, Otelo — O Mouro de Veneza, Hamlet etc., dramas históricos: Rei João, Ricardo II, Ricardo III, Henrique IV — partes 1 e 2, Henrique V, Henrique VI — partes 1, 2 e 3, Henrique VIII e Eduardo III.

segunda-feira, 3 de novembro de 2025

W. B. Yeats: E daí?

 
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[traduzido por Oswaldino Marques]

Seus melhores companheiros achavam, na escola,
Que ele, era fatal, se tornaria famoso;
Ele pensava o mesmo e viveu à risca,
A quadra dos vinte anos assoberbada de trabalho;
“E daí?” cantou o fantasma de Platão. “E daí?”

Tudo o que saía de sua pena era lido,
Depois de alguns anos ajuntou dinheiro
Bastante para suas necessidades,
E conquistou amigos que eram amigos de fato:
“E daí?” cantou o fantasma de Platão. “E daí?”

Seus sonhos mais felizes se concretizaram
Uma casinha antiga, mulher, filha, filho,
Chão onde repolho e ameixa brotavam,
Poetas e Talentos se aglomeravam em torno dele;
“E daí?” cantou o fantasma de Platão. “E daí?”

“A tarefa está cumprida,” já velho, pensou,
“De acordo com meus planos da mocidade;
Que os néscios espumem, não me extraviei em nada,
A alguma coisa dei o toque da perfeição”;
Mais alto, porém, cantou o fantasma: “E daí?”

W. B. Yeats

What Then?

His chosen comrades thought at school
He must grow a famous man;
He thought the same and lived by rule,
All his twenties crammed with toil;
'What then?' sang Plato's ghost, 'What then?'

Everything he wrote was read,
After certain years he won
Sufficient money for his need,
Friends that have been friends indeed;
'What then?' sang Plato's ghost, 'What then?'

All his happier dreams came true —
A small old house, wife, daughter, son,
Grounds where plum and cabbage grew,
Poets and Wits about him drew;
'What then.?' sang Plato's ghost, 'What then?'

‘The work is done,’ grown old he thought,
'According to my boyish plan;
Let the fools rage, I swerved in naught,
Something to perfection brought’;
But louder sang that ghost 'What then?'
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Poemas Famosos da Língua Inglesa [diversas autorias], edição bilíngue, Compilação, Tradução, Prefácios das 1ª e 2ª edições e Notas de Oswaldino Marques, Coleção Antologia de Poetas Universais — volume 599, 1968, Edições de Ouro, Rio de Janeiro — RJ; William Butler Yeats ou W. B. Yeats (1865 1939), irlandês nascido em Dublin, recebeu educação em escolas irlandesas, foi poeta e dramaturgo, representante máximo do Renascimento Literário irlandês e um dos escritores mais destacados do século XX; Yeats circulou por diversos estilos e escolas literárias e foi co-fundador do Abbey Theatre; suas obras: Mosada: A Dramatic Poem (1886), The Wanderings of Olsin and Other Poems (1889), John Sherman and Dhoya, two stories (1891), Poems (1895), The Secret Rose — short stories (1897), The Wind Among the Reeds (O Vento entre os Juncos, 1899), Plays in Prose and Verse, Written for an Iris Theatre (1919), Discoveries — A Volume of Essays (1907), The Green Helmet and Other Poems (1910), Collected Works in Verse and Prose (8 volumes, 1918), Four Plays for Dancers (Quatro Peças para Dançarinos, 1921), The Cat at the Moon (1924), Later Poems (1924), October Blast — poetry (1927), The Winding Stair and Other Poems (1933), entre tantos outros textos em verso e prosa e para teatro; W. B. Yeats foi contemplado com o Prêmio Nobel de Literatura em 1923.

domingo, 26 de outubro de 2025

James Weldon Johnson: Mãe Preta

 
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[traduzido por Oswaldino Marques]

Ó enluarada cabeça envolta em alegre turbante,
Ó manso semblante escuro, ó tôsca, mas afetuosa mão,
E cujos filhos são hoje os senhores da terra!
Foi o teu regaço que agasalhou, também, estas crianças,
Os teus olhos que se seguiram durante toda a sua infência
E era no teu peito que, outrora, elas sugavam a sua robustez.

Quantas vezes ao colo não estreitaste,
Quantas vezes não tiveste de encontro ao teu amplo e noturno seio
A áurea cabeça, a fronte e o rosto de neve,
Dele ressaindo como um camafeu tocado de vida!
Ó alma simples, enquanto essa criança acalentavas
Com teu doce canto, tão plangente e agoniado,
Jamais te acudiu à mente, como súbita punhalada,
Que um dia ela esmagaria o teu próprio filho negro?


The Black Mammy

O whitened head entwined in turban gay,
O kind black face, O crude, but tender hand,
O foster-mother in whose arms there lay
The race whose sons are masters of the land!
It was thine arms that sheltered in their fold,
It was thine eyes that followed through the length
Of infant days these sons. In times of old
It was thy breast that nourished them to strength.

So often hast thou to thy bosom pressed
The golden head, the face and brow of snow;
So often has it 'gainst thy broad, dark breast
Lain, set off like a quickened cameo.
Thou simple soul, as cuddling down that babe
With thy sweet croon, so plaintive and so wild,
Came ne'er the thought to thee, swift like a stab,
That it some day might crush thine own black child?
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Poemas Famosos de Língua Inglesa [diversas autorias], edição bilíngue, Compilação, Tradução, Prefácios das 1ª e 2ª edições e Notas de Oswaldino Marques, Coleção Antologia de Poetas Universais — volume 599, 1968, Edições de Ouro, Rio de Janeiro — RJ; James Weldon Johnson (1871 1938), estadunidense de Jacksonville  Flórida, estudou “literatura inglesa e a tradição musical europeia” na Stanton School [primeira escola pública para crianças negras na Flórida e única escola secundária voltada aos negros no país], graduou-se e fez mestrado em Leis nas universidades de Atlanta e Columbia, exerceu as funções de cônsul estadunidense na Nicarágua e na Venezuela, foi poeta, romancista, compositor, antologista, professor, jornalista, advogado e líder militante pró direitos civis da população negra nos EUA; dirigiu a Associação Nacional para o Progresso das Pessoas de Cor (NAACP); em 1891 começou a lecionar na Geórgia; em 1895, fundou o Daily American, primeiro jornal diário direcionado aos negros nos Estados Unidos; foi pioneiro nos estudos da cultura negra (poesia, música e teatro), os quais, na década de [19]20, eram apresentados a muitos brancos americanos, o “rico espírito criativo afro-americano”; em 1897, James W. Johnson foi o “primeiro advogado negro admitido na Ordem dos Advogados da Flórida desde a Reconstrução” e passou a exercer advocacia; em 1906, já empregado no corpo diplomático, teve poemas publicados no The Century Magazine e no The Independent; em Nova York, foi redator editorial do New York Age, “o jornal negro mais antigo”; suas obras: escreveu e editou The Autobiography of an Ex-Colored Man (romance publicado anonimamente, Sherman, French & Company, 1912) Fifty Years and Other Poems (1918), The Book of American Negro Poetry (Harcourt, Brace and Company, 1922), The Book of American Negro Spirituals (Viking Press, 1925), The Second Book of American Negro Spirituals (Viking Press, 1926), God’s Trombones: Seven Negro Sermons in Verse (poemas, Viking Press, 1927), Saint Peter Relates an Incident of the Ressurrection Day (coletânea de poesias, sátiras, 1930), Along This Way: The Autobiography of James Weldon Johnson (autobiografia, 1933) e outros textos em prosa e verso; em 1900, o poeta e ativista negro também fora coautor da canção Lift Every Voice and Sing, popularizada como Hino Nacional Negro, elaborada em parceria de seu irmão e musicista John Rosamond Johnson [juntos, compuseram outras duas centenas de canções e operetas para a Broadway novaiorquina]; organizou paradas, marchas e protestos pró negros, denunciou violências e linchamentos contra afro-americanos, recebeu premiações.

sábado, 11 de outubro de 2025

Coventry Patmore: Brinquedos

 
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[traduzido por Oswaldino Marques]

Meu filhinho, de olhos cismarentos,
Que andava e falava com um jeito manso de gente grande,
Por haver contrariado, pela sétima vez, a minha lei,
Conheceu o rigor do meu braço, após o que despedi-o
Com ríspidas palavras e sem o beijo de sempre,
Pois, sua mãe, que era paciente, já se fora dentre os vivos.
Receoso, depois, de que a mágoa lhe frustrasse o sono,
Fui vê-lo, no leito,
Mas o encontrei a dormir profundamente,
As olheiras acentuadas, as pestanas ainda
Orvalhadas do pranto recente.
E eu, entre queixas,
A beijá-lo para apagar-lhe as lágrimas,
Ia-lhe esparzindo outras, das minhas próprias órbitas.
É que, numa mesa arrastada para junto da cabeceira,
Ele pusera, ao alcance da mão,
Um estojo de fichas, uma pedra de veios sanguíneos,
Uma folha de relva macerada pelo pêssego,
Seis ou sete conchas.
Uma garrafa com campânulas azuis
E duas moedas francesas, de cobre,
Tudo disposto com escrupulosa arte,
Para confortar seu coração pesaroso.
Assim, nessa noite, ao elevar a Deus
Minhas preces, chorei, e disse:
Ah, quando, afinal, estivermos a expirar, como em transe,
Já, no regaço da morte, não mais. Te aperreando,
E Te acudirem à memória os brinquedos
Que fizeram a nossa alegria,
E como imperfeitamente compreendemos
O supremo bem de Teus mandamentos,
Então, não menos paternal
Do que eu, por Tuas mãos modelado com a argila,
Deixarás de lado a Tua ira e dirás:
“Coitadinhos por suas criancices.”


The Toys

My little son, who look'd from thoughtful eyes
And moved and spoke in quiet grown-up wise,
Having my law the seventh time disobey'd,
I struck him, and dismiss'd
With hard words and unkiss'd,
His mother, who was patient, being dead
Then, fearing lest his grief should hinder sleep,
I visited his bed,
But found him slumbering deep,
With darken'd eyelids, and their lashes yet
From his late sobbing wet.
And I, with moan,
Kissing away his tears, left others of my own;
For, on a table drawn beside his head,
He had put, within his reach,
A box of counters, and a red-vein'd stone,
A piece of grass abraded by the peach,
And six or seven shells,
A bottle with bluebells,
And two French copper coins, ranged there with careful art,
To comfort his sad heart.
So when that night I pray'd
To God, I wept, and said:
Ah, when at last we lie with trancèd breath,
Not vexing Thee in death,
And Thou rememberest of what toys
We made our joys,
How weakly understood,
Thy great commanded good,
Then, fatherly not less
Than I whom Thou hast moulded from the clay,
Thou'lt leave Thy wrath, and say,
“I will be sorry for their childishness.”
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Poemas Famosos de Língua Inglesa [diversas autorias], edição bilíngue, Compilação, Tradução, Prefácios das 1ª e 2ª edições e Notas de Oswaldino Marques, Coleção Antologia de Poetas Universais — volume 599, 1968, Edições de Ouro, Rio de Janeiro — RJ; Coventry Kersey Dighton Patmore (1823 1896), inglês de Woodford, Essex, nascido em “família literária”, foi poeta do período vitoriano, crítico e ensaísta de artes, participante do grupo dos pré-rafaelitas e colaborador do The Germ [periódico do grupo]; trabalhou por 19 anos na Biblioteca do Museu Britânico em Londres, suas obras: Poems (livro de estréia, 1844), Tamerton Church Tower (Torre da Igreja de Tamerton, 1853), The Angel in the House (O anjo na casa, 4 volumes: The Betrothal [O Noivado, 1854], The Espousals [Os Esponsais, 1856], Faithful for Ever [Fiéis para Sempre, 1860] e The Victories of Love [As Vitórias do Amor, 1862]), The Unknown Eros and Other Odes (O Eros desconhecido e outras odes, 1877), Amelia [+ essay on English Metrical Law] (Amelia + ensaio sobre a métrica inglesa, 1878), Principles in Art (ensaios, Princípios na Arte, 1889), Religio Poetae (ensaios, A Religião do Poeta, 1893), The Rod, the Root, and the Flower (coletânea de aforismos: A Vara, A Raiz e a Flor, 1895); Coventry Patmore se converteu ao catolicismo romano em 1864; suas obras poéticas foram reunidas e lançadas em 1886, incluindo “um apêndice sobre a métrica inglesa”.

sexta-feira, 26 de setembro de 2025

Edith Sitwell: Canção sombria

 
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[traduzido por Oswaldino Marques]

O fogo era felpudo domo um urso
E as chamas ronronam...
O urso ruço, cativo dos homens cruéis,
Andeja, preso à corrente,
Pelo bosque negro e hirsuto.
A moça suspirou: “Todo o meu sangue
É animal. Achavam que, quando eu me sentava,
Parecia um gato caseiro;
Mas pelos bosques sombrios eu andava ao léu...
Ah, quem me dera que meu sangue se extinguisse!”
O fogo tinha uma pelugem de urso;
Ele ouvia e sabia...
A terra escura, lanzuda como um urso,
Também grunhia!

Edith Sitwell

Dark Song

The fire was furry as a bear
And the flames purr…
The brown bear rambles in his chain
Captive to cruel men
Through the dark and hairy wood.
The maid sighed, "All my blood
Is animal. They thought I sat
Like a household cat;
But through the dark woods rambled I…
Oh, if my blood would die!"
The fire had a bear's fur;
It heard and knew…
The dark earth furry as a bear,
Grumbled too!
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Poemas Famosos de Língua Inglesa [diversas autorias], edição bilíngue, Compilação, Tradução, Prefácios das 1ª e 2ª edições e Notas de Oswaldino Marques, Coleção Antologia de Poetas Universais — volume 599, 1968, Edições de Ouro, Rio de Janeiro — RJ; Edith Louisa Sitwell (1887 1964), ou Dame Edith Sitwell, britânica de Scarborough, North Riding of Yorkshire, Inglaterra, “a mais velha dos três Sitwells literários [ela, Osbert e Sacheverell, seus irmãos]”, pertencente à família da aristocracia rural e patrona de artes [davam suporte financeiro a alguns artistas privados de recursos], foi poetisa, crítica e biógrafa; suas obras: Façade (18 poemas compostos para um espetáculo musical, 1922), Wheels [The Sitwells] (antologias, várias edições publicadas entre 1916 e 1921), Poetry and Criticism (Poesia e Crítica, 1925), Gold Coast Customs (poemas, 1929), Collected Poems (1930), Alexander Pope (biografia, 1930), The English Eccentrics (Excêntricos Ingleses, crítica, 1933), Aspects of Modern Poetry (Aspectos da Poesia Moderna, 1934), Victoria of England (biografia, 1936), I Live Under a Black Sun (Vivo sob um Sol Negro, romance, 1937), Poems (1940), Street Songs (Canções de Rua, poemas, 1942), The Poet’s Notebook (coletânea, 1943), Green Song (1944), Song of Cold (Canção do Frio, 1945), Fanfare for Elizabeth (Fanfarra para Elizabeth, biografia, 1946), Still Fals the Rai (Street Songs), Three Poems of the Atomic Age, The Canticle of the Rose: Poems 1920-1947 (O Cântico da Rosa: Poemas 1920-1947, 1949), The Queens and the Hive (As Rainhas e a Colméia, crítica, 1962), Taken Care of The Autobiography of Edit Sitwell (publicação póstuma, autobiografia, 1965); Edith Sitwell, por sua vez, foi biografada por Rodolphe L. Megroz (The Three Sitwells: A Biographycal and Critical Study, 1927), Cecil M. Bowra (Edith Sitwell, 1947) e John Lehman (A Nest of Tigers: The Sitwells in Their Times, 1968); ainda consta de sua biografia: ter frequentado os salões de arte [e festas] de Gertrude Stein (romancista, poetisa, dramaturga e colecionadora de arte), em Paris, ter sido laureada com doutorados honorários das universidades de Leeds, Durham, Oxford e Sheffield, ter recebido a comenda de Dama do Império Britânico [daí, passou a constar da lista de honra do aniversário da rainha], ter se convertido ao catolicismo, ter sido patronesse do poeta Dylan Thomas e “muito próxima de H. D. (Hilda Doolittle, [poeta, romancista e memorialista]) e de Denton Welch [escritor e pintor]”.

terça-feira, 20 de maio de 2025

Percy Bysshe Shelley: Num galho batido da invernia, . . . & A . . .

 
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[traduzidos por Oswaldino Marques]

Num galho batido da invernia, . . . *

Num galho batido da invernia,
Um pássaro viúvo pôs-se a lamentar seu amor;
O vento gelado se arrastava no alto,
Um veio regelante se estirava lá em baixo.

Não havia uma folha na floresta nua,
No chão desolado sequer uma flor;
O ar, por um fio, dir-se-ia parado,
Não fora a soar da roda do moinho.

— o —

A . . .

Quando da música cessam as ternas vozes,
O eco fica vibrando na memória...
O aroma, quando as violetas fenecem,
Continua presente no sentido que aguça.

Com as pétalas da rosa estiolada
Estofa-se um leito para quem se ama;
Assim, quando partires, o amor, personificado,
Sobre teus cismares adormecerá contente.

Percy Bysshe Shelley

A Widow Bird Sate Mourning For Her Love

A widow bird sate mourning for her Love
Upon a wintry bough;
The frozen wind crept on above,
The freezing stream below.

There was no leaf upon the forest bare,
No flower upon the ground,
And little motion in the air
Except the mill-wheel's sound.

— o —

To — [Music, when Soft Voices Die, . . .]

Music, when soft voices die,
Vibrates in the memory —
Odours, when sweet violets sicken,
Live within the sense they quicken.

Rose leaves, when the rose is dead,
Are heap’d for the belovèd's bed;
And so thy thoughts, when Thou art gone,
Love itself shall slumber on.

* Nota de Oswaldino Marques: Esta é uma pequena lírica que encerra o drama de Shelley, Carlos I (Charles The First).
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Poemas Famosos de Língua Inglesa [diversas autorias], edição bilíngue, Compilação, Tradução, Prefácios das 1ª e 2ª edições e Notas de Oswaldino Marques, Coleção Antologia de Poetas Universais — volume 599, 1968, Edições de Ouro, Rio de Janeiro — RJ; Percy Bysshe Shelley (1792 1822), inglês nascido em Field Place, Horsham, foi poeta, ensaísta e dramaturgo do Romantismo da Inglaterra; de família abastada, fez seus estudos na Syon House Academy Brentford e no Eton College, uma escola secular nos arredores do Castelo de Windsor; depois, matriculou-se na University College Oxford, de onde foi expulso por ter publicado anonimamente um panfleto, The Necessity of Atheism, enviado aos bispos e outras personalidades, com um convite para debate e, intimado pelas autoridades escolares, ter-se calado, não respondendo se o folheto era ou não de sua autoria; com um professor de clássicos estudou de Horácio e Virgílio a Homero; traduziu O Banquete, de Platão; conheceu Lord Byron, John Keats, Leigh Hunt e outros escritores e poetas de sua época, convivendo com eles; suas obras: Zastrozzi (romance, 1810), Original Poetry by Victor and Cazire (em coautoria com sua irmã Elizabeth Shelley, 1810), The Cenci, a Tragedy, in Five Acts (Os Cenci, uma Tragédia em 5 Atos, 1819), The Masque of Anarchy (1819), Una Favola (original em italiano, 1819), Ode to the West Wind (Ode ao Vento Oeste, 1819), Prometheus Unbound, A Lyrical Drama, in Four Acts (Prometeu Libertado, 1820), Adonais — elegia sobre a morte de John Keats (1821), Hellas, A Lyrical Drama (1821), e outros títulos; O poeta Shelley morreu no mar, quando o barco em que velejava desapareceu na neblina de uma tempestade, tendo seu corpo sido encontrado; Robert Schumann, Samuel Barber, Berthold Goldschmidt e outros compositores musicaram textos do poeta.