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quinta-feira, 23 de novembro de 2023

Rafael Alberti: À paleta


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[traduzido por Xavier Placer]

A ti, infinita face, chão semeado
onde ceifa o pincel, resume, amassa
e onde entre cor, luzes e sombras, passa
de mar radioso a um tempo então nublado.

A ti, poço e coberta, onde assomado
maldita, vem e vai, mede, compassa;
fronte na mão pousada que ultrapassa
teu ver de Polifermo enamorado.

A ti, asa redonda, leque escudo,
espelho que ao vestir queda desnudo
a superfície novamente pura.

Em ti a visão se apura assim que nasce.
Teu firmamento o arco-iris pasce.
A ti, leito e cadinho da Pintura.

Rafael Alberti

A la paleta

A ti, infinita haz, campo sembrado
donde siega el pince!, gavilla, amasa
y entre color, luces y sombras, pasa
de mar radiante a tiempo anubarrado.

A ti, pozo y brocal, donde assomado
medita, viene y va, mide, acompasa;
frente asida a la mano que traspasa
tu ojo de Polifemo enamorado.

A ti, abanico, ala redonda, escudo,
espejo que al vestir queda desnudo
y nuevamente superficie pura.

En ti se cuece Ia visión que nace.
Tu firmamento el arcoiris pace.
A ti, lecho y crisol de la Pintura.
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O Mundo Maravilhoso do Soneto, de Vasco de Castro Lima [inúmeros sonetistas e tradutores], Prefácio de Rangel Coelho, 1987, Livraria Freitas Bastos S/A, Rio de Janeiro — RJ; Rafael Alberti Merello (1902 1999), espanhol de Puerto de Santa María, Andaluzia, fez seus estudos iniciais no Colégio San Luis Gonzaga, da Compañia de Jesus, de onde foi expulso e, abandonando os estudos, passou a se dedicar à pintura e à literatura; poeta, divulgou seus textos nas publicações literárias e de arte Horizonte, Alfar, Revista de Occidente, Litoral e outros veículos; conheceu Garcia Lorca, Antonio Machado, Luis Buñuel, Salvador Dali, Ortega y Gasset e outros, convivendo artística e literariamente com todos; fundou em Madri a revista revolucionária Octubre; suas obras: Marinero en tierra (1925), El alba de Alhelí (1928), Cal y Canto (1928), Sobre los ângeles (1928 1929), Sermones y moradas (1929 1930), El hombre deshabitado (teatro, 1931), Consignas y Un fantasma (1933), Verte y no verte. A Ignacio Sánchez Mejías (1935), Entre el clavel y la espada, La arboleda perdida — volume 1 (memórias, 1942), El adefesio (teatro, 1944), Coplas de Juan Panadero (1949), A la pintura (1950), Fustigada luz (1980), Prosas (1980), Versos sueltos de cada día (1982), La arboleda perdida — volume 2 (memórias, 1987), e tantos outros textos; Rafael Alberti, em meio à Guerra Civil Espanhola, iniciou um exílio de trinta anos, só retornando à Espanha após a morte de Franco, em 1977; pertenceu ao Partido Comunista espanhol, andejou por diversos países, recebeu premiações por seus textos.