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domingo, 9 de setembro de 2018

Pedro Saturnino: Gênese do tabaco

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Conta a lenda, formosa e antiga lenda,
Que em gelada manhã da Palestina,
Quase morta de frio, em poça ou fenda,
Topou São João com víbora ferina.

Tomando-a ao colo e prosseguindo a senda,
Leva-a livre da neve e da neblina:
Quando sente, de súbito, tremenda,
A picada da serpe viperina.

A chaga suga; cospe: e fértil erva,
Víride e olente, do local vegeta
E se alastra nas forças da semente.

Era o tabaco, a folha que conserva
O perfume da boca do profeta
E o veneno da boca da serpente...

(Grupiaras  1922)

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Nova Antologia Brasileira da Árvore — Organização e Apresentação de Maria Thereza Cavalheiro, Prefácio de Guilherme de Almeida, 1974, 1ª edição, Livraria Editora Iracema, São Paulo — SP; Pedro Saturnino Vieira de Magalhães (1883  1953), mineiro de Cabo Verde, formado em Letras e em Ciências Naturais e Farmacêuticas pela Escola de Farmácia, Odontologia e Obstetrícia de São Paulo (atual USP), foi professor, poeta, filósofo e farmacêutico; como professor, exerceu o magistério em várias cidades paulistas e mineiras, lecionando Física, Química, História Natural, Português e Inglês; bibliografia: Grupiaras (poesias, 1922), Boitatás, Nódoas (poesias, 1947), De Galope, Salamandras, Sambaqui, Itajubá, Mãe de Ouro (poesias, premiado no concurso Centro de Letras do Paraná, em 1949, e publicado em 1951), além de inéditos.