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domingo, 3 de agosto de 2025

Giosuè Carducci: Matinas e Noturno

 
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[traduzido por A. Herculano de Carvalho]

Da chuva da manhã, por fim, emerso,
Na pureza do azul o céu resplende,
E deste sol de maio ao universo,
O sorriso de Deus, lento, descende;

Quando álacre, ao espírito submerso,
Asas de luz, meu pensamento estende
E ao sol dos olhos teus voa meu verso
Como a trinar dum pássaro que ascende.

Mas sinto ardor no peito essa luz turva
Das pupilas, nas quais vagueia e fala
Um desejo de ignoto e estranho fito,

Quando a lua contemplo, erma de chuva,
A cidade marmórea que se cala,
Contar melancolias do infinito.


XXII.

Mattutino e notturno

Al mattin da la pioggia ecco deterso
In purità d’azzurro il ciel risplende,
E dal sole di maggio a l’universo
Il sorriso di Dio benigno scende;

Quando alacre da l’animo sommerso
L’ali innovate il mio pensiero stende,
E al sol de gli occhi tuoi rivola il verso
Come trillo di lodola che ascende.

Ma sento ardermi in cor la luce bruna
De le pupille in cui erra dolente
Il desio d’un ignoto estraneo lito,

Quando ammiro da i poggi ermi la luna
A la città marmorea tacente
Dir le malinconie de l’infinito.

[Verona, 17 luglio 1883]

(Rime nuove/Libro II — 1887),
[Rime nuove, libro II — 1906].
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Poesias Escolhidas: Giosuè Carducci, Tradução e Notas de Jamil Almansur Haddad, Estudo Introdutivo e Vida e Obra de Giosuè Carducci, por Paul Renucci, Ilustrações de Michel Cauvet e Pequena História da atribuição do Prêmio Nobel a Giosuè Carducci, por Gunnar Ahlström — Biblioteca dos Prêmios Nobel de Literatura, 1971, Editora Opera Mundi, Rio de Janeiro — RJ; Giosuè Alessandro Giuseppe Carducci ou Joshua Carducci (1835 1907), italiano de Val di Castello, comuna de Pietrasanta, hoje Pietrasanta-Carducci, estudou na Scuola Normale de Pisa, formou-se em Filosofia e Filologia, além de ter sido professor por quase meio século, foi poeta e crítico; até os quatorze anos, Carducci não teve outro mestre além de seus pais o pai, médico “sem fortuna”, era “sustentado por uma clientela camponesa miserável” e também não era favorecido na busca de uma “clínica mais afortunada” por manter suas opiniões políticas não ao gosto das comunidades por onde passava, assim vivia mudando de localidade e de sede de clínica; foi em Florença que o poeta, já aos quatorze anos, passou a frequentar o colégio Scuole Pio, fez dois anos de retórica, escreveu seus primeiros sonetos, depois frequentou um curso de ciências e continuou com seus estudos“, o gosto já adquirido pela leitura cresceu, leu Os Noivos, de Manzoni, os épicos Ilíada, de Homero, Eneida, de Virgílio, e Jerusalém Libertada, de Torquato Tasso, os “poemas cavaleirescos” Orlando Amoroso, de Boiardo, e Orlando Furioso, de Ariosto; deu aulas em estabelecimentos secundários de San Miniato al Tedesco e Pistóia e, desde os vinte e cinco anos, lecionou Literatura Italiana na Faculdade de Letras da Universidade de Bolonha; também escreveu poemas por quase meio século o primeiro que se tem conservado, A Dio, um soneto a Deus, foi escrito em maio de 1848, e o último, uma quadra, O Castelo de São Martinho, traz a data de 10 de novembro de 1902; suas obras: em poesia: Rime (1857), Inno a Satana (1863), Levia Gravia [1857—1870] (1868), Poesie (edição, num só volume, de Deccenalli [1860—1870], Levia Gravia [1857—1870] e Juvenilia [1850—1857], 1871), Primavere elleniche (1872), Nuove poesie (1873, e 2ª edição melhorada e aumentada, 1875), Odi Barbare (primeira série, 1877), Juvenilia [1850—1857] (edição definitiva, 1880), Nuove Odi Barbare (1882, 2ª edição melhorada e aumentada, 1886), Ça Ira (1883), Rime Nuove (1887), Terze Odi Barbare (1889), Rime e Ritme (1899), em prosa: Ricordi Autobiografici, Saggi e Frammenti [1850—1907], Prose Giovanili [1851—1859], Primi Sagi [1857—1865], Poeti e Figure del Risorgimento [1858—1901], Petrarca e Boccacio [1861—1882], Scritti di Storia e di Erudizione [1862—1895], Dante [1864—1904], Discorsi Letterari e Storicci [1868—1897], Leopardi e Manzoni [1873—1898], todas publicadas entre 1940 e 1942, além de outras publicações e reedições em verso e prosa; Giosuè Carducci foi laureado com o Prêmio Nobel de Literatura em 1906.