Mostrando postagens com marcador Afonso Telles Alves. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Afonso Telles Alves. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Paul Verlaine: Marinha

 
____________________
[traduzido por Baptista Cepellos]

A lua aparece,
Lutuosa, entre brumas,
E o oceano estremece,
Revolto em espumas.

Em viva limalha,
Rápido corisco
A altura retalha,
Num trêmulo risco.

Em hórridas guaias,
As vagas num bando,
Se quebram nas praias,
Rolando... rolando...

Ergue-se uma tromba
Nos céus, de repente,
E o raio ribomba,
Formidavelmente!

Paul Verlaine

Marine

L’Océan sonore
Palpite sous l’oeil
De la lune en deuil
Et palpite encore,

Tandis qu’un éclair
Brutal et sinistre
Fend le ciel de bistre
D’un long zigzag clair,

Et que chaque lame,
En bonds convulsifs,
Le long des récifs
Va, vient, luit et clame,

Et qu’au firmament,
Où l’ouragan erre,
Rugit le tonnerre
Formidablement.

(Poèmes Saturniens — 1866)
____________________
Antologia de Poetas Estrangeiros — Seleção e Notas de Afonso Telles Alves, [diversos autores e tradutores], Volume VIII da coleção Antologia da Literatura Mundial, 1960, Livraria e Editora Logos Ltda., São Paulo — SP; Paul Marie Verlaine (1844 1896), francês nascido em Metz, educou-se no Liceu Bonaparte (Lycée Condorcet, atual Liceu Condorcet), em Paris, trabalhou como funcionário público, bacharelou-se em Literatura, foi professor e, desde cedo, escrevia poemas, inicialmente influenciado pelo parnasianismo; em 1866, estreou em livros com Poèmes Saturniens, teve sete de seus poemas publicados no Parnasse Contemporain; considerado um dos expoentes da poesia e literatura francesa, usou a expressão poètes maudits (poetas malditos) para se referir aos poetas de sua época e de seu convívio Baudelaire, Mallarmé, Rimbaud, Paul Valéry, ... , grupo ao qual ele se incluía, e que privilegiavam a luta contra as convenções poéticas vigentes e sofriam reprimendas sociais por isso, tendo sido muitos deles ignorados pelos críticos; só posteriormente, em 1886, com a publicação do Manifesto Simbolista, por Jean Moréas, o termo "simbolismo" passou a nominar aquele novo ambiente literário; Paul Verlaine escreveu e publicou em poesia, Poèmes Saturniens (1866), Les Amies (1867), Fêtes Galantes (1869), La Bonne Chanson (1870), Romances Sans Paroles (1874), Sagesse (1880), Jadis et naguère (1884), Amour (1888), Parallèlement (1889), Hombres (poemas eróticos [escritos até 1891], publicação clandestina, 1903) e outros títulos, e, em prosa, Les Poètes maudits (1884), Louise Leclercq (1886), Les Memoires d'un veuf (1886), Mes hôpitaux (1891), Mes prisons (1893), Quinze jours en Hollande (1893) etc.; em 1875, no Reino Unido, Verlaine lecionou "latim, grego, desenho e francês" no Stickney Grammar School, Boston; participou da comuna de Paris sem ter sido atuante nas ruas, teve poemas musicados pelo compositor Claude Debussy em Ariettes oubliées ['Canções esquecidas', ciclo de seis melodias para voz e piano']; o poeta, que foi casado com Mathilde Mauté, teve relacionamento sentimental amoroso conturbado com Rimbaud e o feriu com dois tiros, foi preso e encarcerado e, nos anos finais de sua vida, Paris o viu dependente de drogas e de alcoolismo, vivendo em bairros pobres e se socorrendo em hospitais públicos.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

Guillaumme Apollinaire: Salomé

 
____________________
[traduzido por Onestaldo de Pennafort]

Para que uma vez mais João Batista sorria,
Senhor, eu dançarei melhor que um serafim,
Mãe, por que estás imersa em tal melancolia,
vestida de condessa e ao lado do delfim?

Meu coração só de escutá-lo, quando eu vinha
dançar junto ao Funchal, batia angustiado.
Eu lhe bordara lírios numa bandeirinha
destinada a flutuar no alto do seu cajado.

E agora, para quem farei lírios bordados?
Seu bordão refloresce às margens do Jordão.
Vieram prendê-o, ó Rei Herodes, teus soldados,
e em meu jardim lírios murcharam desde então.

Vinde, todos comigo, além, sob os quincôncios…
           Não chores mais, lindo bufão de reis;
em vez do guizo, empunha esta cabeça e dança!
Mãe, sua fronte fria está. Não lhe toqueis.

Senhor, ide na frente, e que a guarda nos siga.
Abriremos um fosso e nele a enterraremos
entre flores, e, em roda, em torno dançaremos,
dançaremos até que eu perca a minha liga,
           o rei a tabaqueira,
           a infanta o seu rosário
           e o cura o seu breviário.

Guillaumme Apollinaire

Salomé

Pour que sourie encore une fois Jean-Baptiste
Sire je danserais mieux que les seraphins
Ma mère dites-moi pourquoi vous êtes triste
En robe de comtesse à côté du Dauphin

Mon coeur battait battait très fort à sa parole
Quand je dansais dans le fenouil en écoutant
Et je brodais des lys sur une banderole
Destinée à flotter au bout de son bâton

Et pour qui voulez-vous qu’à présent je la brode
Son bâton refleurit sur les bords du Jourdain
Et tous les lys quand vos soldats ô roi Hérode
L’emmenèrent se sont flétris dans mon jardin

Venez tous avec moi là-bas sous les quinconces
           Ne pleure pas ô joli fou du roi
Prends cette tête au lieu de ta marotte et danse
N’y touchez pas son front ma mère est déjà froid

Sire marchez devant trabants marchez derrière
Nous creuserons un trou et l’y enterrerons
Nous planterons des fleurs et danserons en rond
Jusqu’à l’heure où j’aurai perdu ma jarretière
           Le roi sa tabatière
           L’infante son rosaire
           Le curé son bréviaire

(Poème d’abord publié en 1905 avant d’être
intégré dans le recueil Alcools [1913])
___________________
Antologia de Poetas Estrangeiros — Seleção e Notas de Afonso Telles Alves, [diversos autores e tradutores], Antologia da Literatura Mundial, 7ª edição, 1965, Livraria e Editora Logos Ltda., São Paulo — SP; Guillaume Apollinaire (1880 1918), nascido Wilhelm Albert Włodzimierz Apolinary de Wąż-Kostrowicki, em Roma Itália, dramaturgo, romancista, ensaísta e poeta, fez carreira como agitador cultural em Paris França, transitou por todos os gêneros literários poesia, prosa, prosa poética, teatro, ensaio, crítica e foi um dos expoentes da vanguarda artística do início do século XX; precursor do surrealismo, com sua arte colecionou amigos e colaboradores, entre os quais Pablo Picasso, Georges Braque, Blaise Cendrars, Jean Cocteau e Marcel Duchamp; seus textos e criações foram publicados por diversos anos em jornais, revistas, panfletos e livros; em 1903, participou de evento artístico-literário organizado pela revista La Plume, foi cofundador da revista Le Festin d’Esope; em 1907, publicou anonimamente Les Onze Mille Verges [romance erótico]; escreveu textos para o Paris Journal, o Le Mercure de France e outros periódicos; traduziu Pietro Aretino para o francês e organizou bibliografias e antologias de autores “libertinos”; suas obras: L’Hérésiarque et Cie (contos, 1910), Álcoois (coletânea de trabalhos poéticos, Alcools, 1913), Os Pintores Cubistas (Peintre cubistes, méditations esthétiques, 1913), O Poeta Assassinado (coleção de contos, Le Poète Assassiné, 1916), Os Seios de Tirésias (drama surrealista, Les Mamelles de Tirésias, 1917), Caligramas (coleção de poemas, Calligrammes, 1918) e outros títulos; em 1914, ainda estrangeiro em Paris, pediu alistamento e participou na linha de frente da 1ª Guerra Mundial, tendo sido ferido em combate; em 1916, por decreto de governo, concedeu-se ao poeta a nacionalidade francesa.

segunda-feira, 6 de maio de 2024

José María de Heredia: Flor secular


____________________
[traduzido por Severino Montenegro]

Sobre a rocha calcária ante a última colina
Onde outrora estancou o fluxo de um vulcão,
A semente que o vento alçou em turbilhão,
Lançada ao Gualatieri, agarra-se, germina.

Frágil cresceu. Na sombra onde a raiz confina
E, em um século, o sol sazonou o botão,
Seu tronco hauriu a seiva inflamada do chão,
De porte colossal, que a débil haste inclina.

Enfim, no ar abrasado e que ainda mais esquenta,
Sob o pistilo enorme ele expande, rebenta,
E o estame joga, ao longe, o pólen multicor;

E o grandioso aloés de flor rubra e tardia,
Para o ignoto himeneu que sonhou seu amor,
Tem cem anos de vida e só floriu um dia.

José María de Heredia

Fleur séculaire

Sur le roc calciné de la dernière rampe
Où le flux volcanique autrefois s’est tari,
La graine que le vent au haut Gualatieri
Sema, germe, s’accroche et, frêle plante, rampe.

Elle grandit. En l’ombre où sa racine trempe,
Son tronc, buvant la flamme obscure, s’est nourri;
Et les soleils d’un siècle ont longuement mûri
Le bouton colossal qui fait ployer sa hampe.

Enfin, dans l’air brillant et qu’il embrase encor,
Sous le pistil géant qui s’érige, il éclate,
Et l’étamine lance au loin le pollen d’or;

Et le grand aloès à la fleur écarlate,
Pour l’hymen ignoré qu’a rêvé son amour,
Ayant vécu cent ans, n’a fleuri qu’un seul jour.

[Les Trophées — 1893]
____________________
Antologia de Poetas Estrangeiros — Seleção e Notas de Afonso Telles Alves, [diversos autores e tradutores], Volume VIII da coleção Antologia da Literatura Mundial, [1960], Livraria e Editora Logos Ltda., São Paulo — SP; José María de Heredia Girard (1842 1905), nascido em Cuba (à época, colônia espanhola), na localidade de Cafeyre, próxima a Santiago de Cuba, aos oito anos tendo sido mandado para a França, estudou e bacharelou-se no colégio dos padres vicentinos, o liceu Saint-Vincent, em Senlis, foi poeta, escritor e tradutor; em 1859, de volta a Cuba, Havana, onde permaneceu por pouco mais de um ano, aprofundou os conhecimentos da língua e da literatura espanhola, compôs seus primeiros poemas franceses que chegaram até nós, e depois retornou para Paris França; fez parte do grupo que tinha em Leconte de Lisle um “chefe e mestre”, e do qual também participavam François Coppée, Sully Prudhomme, Paul Verlaine e outros, todos se tornando conhecidos como os poetas do Parnaso, “os parnasianos”; José María de Heredia, que naturalizou-se francês, publicou Les Trophées (118 sonetos e 4 poemas de maior extensão, 1893) e no ano seguinte foi eleito membro da Academia Francesa; também foi diretor da Biblioteca do Arsenal, de Paris, e organizou uma edição crítica das obras do poeta André Chénier; Heredia é reconhecido como um dos poetas do Parnasianismo francês, embora com “produção pouco abundante, mas de boa qualidade”; além da já citada publicação de Les Tropheés, deixou-nos também sua obra esparsa em revistas literárias da época e contribuiu para a Revue de Deux Mondes, o Le Temps e o Journal des Débats; traduziu, do espanhol para o francês, A Verdadeira História da Conquista da Nova-Espanha — 3 volumes, do Capitão Bernal Diaz del Castillo (Véridique histoire de la conquête de la Nouvelle-Espagne — 3 volumes, 1877-1878).

domingo, 31 de março de 2024

José María de Heredia: O banho das ninfas


____________________
[traduzido por João Ribeiro]

Num canto da floresta escura e densa
Por sobre a fonte curva-se um loureiro,
Nua, à ramada a Oréa de suspensa
Sobre a água dependura o corpo inteiro.

Ao banho, as ninfas; rápido e ligeiro!
E ei-las, as manchas de brancura intensa
Dos corpos nus, evípedes; e o cheiro
Que a nuvem d’ouro do cabelo incensa!...

Lançam-se a nado as deusas em peleja
Mas súbito rompendo os negros flancos
Do bosque, o olhar d’um Sátiro flameja...

E, nuas, elas trepam-se aos barrancos...
Tal à vista d’um corvo que fareja
Debanda a multidão dos cisnes brancos!

José María de Heredia

Le bain des nymphes

C’est un vallon sauvage abrité de l’Euxin;
Au-dessus de la Source un noir laurier se penche,
Et la Nymphe, riant, suspendue à la branche,
Frôle d’un pied craintif l’eau froide du bassin.

Ses compagnes, d’un bond, à l’appel du buccin,
Dans l’onde jaillissante où s’ébat leur chair blanche
Plongent, et de l’écume émergent une hanche,
De clairs cheveux, un torse ou la rose d’un sein.

Une gaîté divine emplit le grand bois sombre.
Mais deux yeux, brusquement, ont illuminé l’ombre.
Le satyre!… son rire épouvante leurs jeux;

Elles s’élancent. Tel, lorsqu’un corbeau sinistre
Croasse, sur le fleuve éperdument neigeux
S’effarouche le vol des cygnes du Caÿstre.

[Les Trophées 1893]
____________________
Antologia de Poetas Estrangeiros — Seleção e Notas de Afonso Telles Alves, [diversos autores e tradutores], Volume VIII da coleção Antologia da Literatura Mundial, [1960], Livraria e Editora Logos Ltda., São Paulo — SP; José María de Heredia Girard (1842 1905), nascido em Cuba (à época, colônia espanhola), na localidade de Cafeyre, próxima a Santiago de Cuba, aos oito anos tendo sido mandado para a França, estudou e bacharelou-se no colégio dos padres vicentinos, o liceu Saint-Vincent, em Senlis, foi poeta, escritor e tradutor; em 1859, de volta a Cuba, Havana, onde permaneceu por pouco mais de um ano, aprofundou os conhecimentos da língua e da literatura espanhola, compôs seus primeiros poemas franceses que chegaram até nós, e depois retornou para Paris França; fez parte do grupo que tinha em Leconte de Lisle um “chefe e mestre”, e do qual também participavam François Coppée, Sully Prudhomme, Paul Verlaine e outros, todos se tornando conhecidos como os poetas do Parnaso, “os parnasianos”; José María de Heredia, que naturalizou-se francês, publicou Les Trophées (118 sonetos e 4 poemas de maior extensão, 1893) e no ano seguinte foi eleito membro da Academia Francesa; também foi diretor da Biblioteca do Arsenal, de Paris, e organizou uma edição crítica das obras do poeta André Chénier; Heredia é reconhecido como um dos poetas do Parnasianismo francês, embora com “produção pouco abundante, mas de boa qualidade”; além da já citada publicação de Les Tropheés, deixou-nos também sua obra esparsa em revistas literárias da época e contribuiu para a Revue de Deux Mondes, o Le Temps e o Journal des Débats; traduziu, do espanhol para o francês, A Verdadeira História da Conquista da Nova-Espanha — 3 volumes, do Capitão Bernal Diaz del Castillo (Véridique histoire de la conquête de la Nouvelle-Espagne — 3 volumes, 1877-1878).

sábado, 13 de janeiro de 2024

José María de Heredia: A Flauta


____________________
[traduzido por Freitas Guimarães]

A tarde já chegou. Revoam pombos no ar.
Não dá nenhum encanto à paixão amorosa,
Cabreiro! a gaita com que estás a acompanhar
A água que, entre juncais, desliza sonorosa.

Deste plátano à sombra, onde viemos deitar,
A relva é mais macia. Amigo! a cabra ociosa,
Surda a seu cabritinho a fim de o desmamar,
Deixa que aos morros trepe e aos brotos busque, ansiosa.

A minha flauta de sete hastes de cicuta
Feita, unidas a cera aguda, ou grave, escuta!
Ou chore, ou gema ou cante é sempre ao meu sabor.

Vem conosco aprender a arte do deus Sileno!
Deste sagrado tubo irão pelo ar sereno,
Como aladas canções, teus suspiros de amor!

José María de Heredia

La flûte

Voici le soir. Au ciel passe un vol de pigeons.
Rien ne vaut pour charmer une amoureuse fièvre,
Ô chevrier, le son d'un pipeau sur la lèvre
Qu'accompagne un bruit frais de source entre les joncs.

A l'ombre du platane où nous nous allongeons
L'herbe est plus molle. Laisse, ami, l'errante chèvre,
Sourde aux chevrotements du chevreau qu'elle sèvre,
Escalader la roche et brouter les bourgeons.

Ma flûte, faite avec sept tiges de ciguë
Inégales que joint un peu de cire, aiguë
Ou grave, pleure, chante ou gémit à mon gré.

Viens. Nous t'enseignerons l'art divin du Silène,
Et tes soupirs d'amour, de ce tuyau sacré,
S'envoleront parmi l'harmonieuse haleine.

[Les Trophées — 1893]
____________________
Antologia de Poetas Estrangeiros — Seleção e Notas de Afonso Telles Alves, [diversos autores e tradutores], Volume VIII da coleção Antologia da Literatura Mundial, [1960], Livraria e Editora Logos Ltda., São Paulo — SP; José María de Heredia Girard (1842 1905), nascido em Cuba (à época, colônia espanhola), na localidade de Cafeyre, próxima a Santiago de Cuba, aos oito anos tendo sido mandado para a França, estudou e bacharelou-se no colégio dos padres vicentinos, o liceu Saint-Vincent, em Senlis, foi poeta, escritor e tradutor; em 1859, de volta a Cuba, Havana, onde permaneceu por pouco mais de um ano, aprofundou os conhecimentos da língua e da literatura espanhola, compôs seus primeiros poemas franceses que chegaram até nós, e depois retornou para Paris França; fez parte do grupo que tinha em Leconte de Lisle um “chefe e mestre”, e do qual também participavam François Coppée, Sully Prudhomme, Paul Verlaine e outros, todos se tornando conhecidos como os poetas do Parnaso, “os parnasianos”; José María de Heredia, que naturalizou-se francês, publicou Les Trophées (118 sonetos e 4 poemas de maior extensão, 1893) e no ano seguinte foi eleito membro da Academia Francesa; também foi diretor da Biblioteca do Arsenal, de Paris, e organizou uma edição crítica das obras do poeta André Chénier; Heredia é reconhecido como um dos poetas do Parnasianismo francês, embora com “produção pouco abundante, mas de boa qualidade”; além da já citada publicação de Les Tropheés, deixou-nos também sua obra esparsa em revistas literárias da época e contribuiu para a Revue de Deux Mondes, o Le Temps e o Journal des Débats; traduziu, do espanhol para o francês, A Verdadeira História da Conquista da Nova-Espanha — 3 volumes, do Capitão Bernal Diaz del Castillo (Véridique histoire de la conquête de la Nouvelle-Espagne — 3 volumes, 1877-1878).

sábado, 16 de dezembro de 2023

William Shakespeare: "To be or not to be"


____________________
[traduzido por Machado de Assis]

[Hamlet, Ato 3, Cena 1]

Ser ou não ser, eis a questão. Acaso
É mais nobre a cerviz curvar aos golpes
Da ultrajosa fortuna, ou já lutando
Extenso mar vencer de acerbos males?
Morrer, dormir, não mais. E um sono apenas,
Que as angústias extingue e à carne a herança
Da nossa dor eternamente acaba,
Sim, cabe ao homem suspirar por ele.
Morrer, dormir. Dormir? Sonhar, quem sabe?
Ai, eis a dúvida. Ao perpétuo sono,
Quando o lodo mortal despido houvermos,
Que sonhos hão de vir? Pesá-lo cumpre.
Essa a razão que os lutuosos dias
Alonga do infortúnio. Quem do tempo
Sofrer quisera ultrajes e castigos,
Injúrias da opressão, baldões de orgulho,
Do mal prezado amor choradas mágoas,
Das leis a inércia, dos mandões a afronta,
E o vão desdém que de rasteiras almas
O paciente mérito recebe,
Quem, se na ponta da despida lâmina
Lhe acenara o descanso? Quem ao peso
De uma vida de enfados e misérias
Quereria gemer, se não sentira
Terror de alguma não sabida coisa
Que aguarda o homem para lá da morte,
Esse eterno país misterioso
Donde um viajor sequer há regressado?
Este só pensamento enleia o homem;
Este nos leva a suportar as dores
Já sabidas de nós, em vez de abrirmos
Caminho aos males que o futuro esconde,
E a todos acovarda a consciência.
Assim da reflexão à luz mortiça
A viva cor da decisão desmaia;
E o firme, essencial cometimento,
Que esta idéia abalou, desvia o curso,
Perde-se, até de ação perder o nome.

William Shakespeare

To be or not to be

[Spoken by Hamlet, Act 3 Scene 1]

To be, or not to be: that is the question:
Whether ’tis nobler in the mind to suffer
The slings and arrows of outrageous fortune,
Or to take arms against a sea of troubles,
And by opposing end them? To die: to sleep;
No more; and by a sleep to say we end
The heart-ache and the thousand natural shocks
That flesh is heir to, ’tis a consummation
Devoutly to be wish’d. To die, to sleep;
To sleep: perchance to dream: ay, there’s the rub;
For in that sleep of death what dreams may come
When we have shuffled off this mortal coil,

Must give us pause: there’s the respect
That makes calamity of so long life;
For who would bear the whips and scorns of time,
The oppressor’s wrong, the proud man’s contumely,
The pangs of despised love, the law’s delay,
The insolence of office and the spurns
That patient merit of the unworthy takes,
When he himself might his quietus make
With a bare bodkin? who would fardels bear,
To grunt and sweat under a weary life,
But that the dread of something after death,
The undiscover’d country from whose bourn
No traveller returns, puzzles the will
And makes us rather bear those ills we have
Than fly to others that we know not of?
Thus conscience does make cowards of us all;
And thus the native hue of resolution
Is sicklied o’er with the pale cast of thought,
And enterprises of great pith and moment
With this regard their currents turn awry,
And lose the name of action.
____________________
Antologia de Poetas Estrangeiros — Seleção e Notas de Afonso Telles Alves, [diversos autores e tradutores], Volume VIII da coleção Antologia da Literatura Mundial, [1960], Livraria e Editora Logos Ltda., São Paulo — SP; William Shakespeare (1564 1616), nascido em Stratford-upon-Avon, poeta e dramaturgo inglês, é tido como o mais influente dramaturgo do mundo; de Shakespeare, consta que restaram até nossos dias 38 peças, 3154 sonetos, dois longos poemas narrativos e diversos outros poemas; suas peças foram traduzidas para os principais idiomas do globo e são revisitadas e interpretadas frequentemente pelo teatro, televisão, cinema e literatura que o digam Romeu e Julieta e Hamlet, por exemplo; principais obras: escreveu comédias (Sonho de Uma Noite de Verão, O Mercador de Veneza, A Comédia de Erros, A Megera Domada, A Tempestade, Cimbelino, e tantas outras), tragédias (Tito Andrônico, Romeu e Julieta, Júlio César, Macbeth, Coriolano, Rei Lear, Otelo — O Mouro de Veneza, Hamlet etc.), dramas históricos (Rei João, Ricardo II, Ricardo III, Henrique IV — partes 1 e 2, Henrique V, Henrique VI — partes 1, 2 e 3, Henrique VIII e Eduardo III).

sexta-feira, 25 de novembro de 2022

Théophile Gautier: A Nuvem

 
____________________
[traduzido por Gonçalves Crespo]

As roupas deslaçando, entra no banho
A lânguida sultana enamorada:
Livre do pente, os ombros nus lhe beija
A longa e fina trança desatada.

Atrás dos vidros o sultão a espreita;
E consigo murmura: como é bela!
"Ninguém a vê, ninguém! o negro eunuco
Do harém na torre solitário vela!"

Eu a vejo, uma nuvem lhe responde
Do sereno e alto azul iluminado:
Vejo-lhe os seios nus, vejo-lhe o dorso,
E o seu corpo de pérolas colmado.

Fez-se pálido Ahmed bem como a lua,
E erguendo o seu “kandjar” de folha rara,
Desce, e apunhala a nua favorita...
Quanto à nuvem... no azul se dissipara...

Théophile Gautier

Le nuage

Dans son jardin la sultane se baigne,
Elle a quitté son dernier vêtement;
Et délivrés des morsures du peigne,
Ses grands cheveux baisent son dos charmant.

Par son vitrail le sultan la regarde,
Et caressant sa barbe avec sa main,
Il dit: L’eunuque en sa tour fait la garde,
Et nul, hors moi, ne la voit dans son bain.

 Moi, je la vois, lui répond, chose étrange!
Sur l’arc du ciel un nuage accoudé;
Je vois son sein vermeil comme l’orange
Et son beau corps de perles inondé.

Ahmed devint blême comme la lune,
Prit son kandjar au manche ciselé,
Et poignarda sa favorite brune
Quant au nuage, il s’était envolé!
____________________
Antologia de Poetas Estrangeiros — Seleção e Notas de Afonso Telles Alves, [diversos autores e tradutores], Antologia da Literatura Mundial, 7ª edição, 1965, Livraria e Editora Logos Ltda., São Paulo — SP; Théophile Gautier (1811 1872), francês de Tarbes, foi escritor, jornalista, poeta, crítico literário e de arte; defensor e propulsionador da “arte pela arte”, pelo culto à beleza da forma poética, que veio desaguar no surgimento do parnasianismo, Gautier transitou no romantismo, parnasianismo, simbolismo e decadentismo; colaborou com os periódicos La Chronique de Paris, La Presse, entre vários outros jornais da época; obras: La Cafetière (contos, 1831), Albertus ou L’Ame et le pêché (poesias, 1833), Mademoiselle de Maupin (romance, 1835), Le Jeunes-France (contos ou romances zombeteiros, 1833), La Comédie de la mort (poesias, 1838), Une tear du diable, Le Tricorne Enchanté, Pierrot Posthume (teatro, todos em 1839), Les Grotesques (crítica, 1843), Le Voyage en Espagne (relatos de viagem, 1843), Émaux et camées (poesias, 1852), Constantinopla (relatos de viagem, 1853), Les Beaux-Arts en Europe (crítica, 1855), L’Art Moderne (crítica, 1856), Honoré de Balzac (biografia, 1859), Le Capitaine Fracasse (romance, 1863), Voyage en Russe (relatos de viagem, 1867) e outros títulos.

segunda-feira, 14 de novembro de 2022

Elizabeth Browning: Amo-te quanto em largo, alto e profundo . . . [soneto]

 
____________________
[traduzido por Manuel Bandeira]

Amo-te quando em largo, alto e profundo
Minh’alma alcança quando, transportada,
Sente, alongando os olhos deste mundo,
Os fins do Ser, a Graça entressonhada.

Amo-te em cada dia, hora e segundo:
À luz do sol, na noite sossegada.
E é tão pura a paixão de que me inundo
Quanto o pudor dos que não pedem nada.

Amo-te com o doer das velhas penas;
Com sorrisos, com lágrimas de prece,
E a fé da minha infância, ingênua e forte.

Amo-te até nas coisas mais pequenas.
Por toda a vida. E, assim Deus o quisesse,
Ainda mais te amarei depois da morte.

Elizabeth Browning

How do I love thee?

How do I love thee? Let me count the ways.
I love thee to the depth and breadth and height
My soul can reach, when feeling out of sight
For the ends of Being and ideal Grace.

I love thee to the level of everyday’s
Most quiet need, by sun and candlelight.
I love thee freely, as men strive for Right;
I love thee purely, as they turn from Praise.

I love thee with the passion put to use
In my old griefs, and with my childhood’s faith.

I love thee with a love I seemed to lose
With my lost saints,  I love thee with the breath,
Smiles, tears, of all my life!  and, if God choose,
I shall but love thee better after death.
____________________
Antologia de Poetas Estrangeiros — Seleção e Notas de Afonso Telles Alves, [diversos autores e tradutores], Antologia da Literatura Mundial, 7ª edição, 1965, Livraria e Editora Logos Ltda., São Paulo — SP; Elizabeth Barrett Browning (1806 1861), inglesa de Coxhoe Hall, Durham, foi poetisa do Romantismo e da época vitoriana; aos 15 anos de idade tornou-se praticamente inválida por problemas de coluna e, depois, teve sua saúde agravada por complicações pulmonares; em 1846, casando-se com Robert Browning, também poeta, mudou-se para Florença Itália, ali vivendo pelo resto da vida; escreveu seu primeiro poema aos 12 anos, The Battle of Marathon (A Batalha de Maratona), em 4 tomos, que seu pai mandou imprimir; suas obras: An Essay on Mind and Other Poems (Um Ensaio sobre a Mente e Outros Poemas, 1826), Prometheus e Outros Poemas (1833), The Seraphim and Other Poems (Serafim e Outros Poemas, 1838), Sonnets from the Portuguese (Sonetos da Portuguesa, 1847), Casa Guidi Windows (Janelas da Casa Guidi, 1851), Aurora Leigh (1856), Poems Before Congress (Poemas Perante o Congresso, 1860) e outros, além de textos em prosa; traduziu a peça Prometeu Acorrentado (Prometheus Bound) atribuída a Ésquilo, dramaturgo da Grécia Antiga.

domingo, 6 de novembro de 2022

Oscar Wilde: Balada do cárcere de Reading [Seção I]

 
____________________
[traduzido por Bezerra de Freitas]

[Seção] I

Ele não trajava a sua túnica escarlate,
Pois o sangue e o vinho são vermelhos,
E sangue e vinho havia nas suas mãos
Quando o viram ao lado da morta,
A pobre mulher que ele tanto amara
E assassinara no seu leito.

Ia caminhando entre os juízes
Com um terno cinzento, já usado;
Trazia na cabeça um boné de esporte,
E seus passos pareciam leves e alegres;
Mas, nunca vi um homem que fitasse o dia
Com tamanha tristeza;

Nunca vi um homem que contemplasse
Com olhos tão vagos
A estreita faixa azul,
Que os presos chamam firmamento,
E todas as nuvens que corriam
Como se fossem impelidas por argênteas velas.

Fui caminhando, com outras almas sofrendo
Dentro de outro círculo,
E fiquei imaginando se aquele homem cometera
Uma ação mesquinha ou grande,
Quando uma voz sussurrou, atrás de mim:

“Aquele companheiro vai ser enforcado”.

Jesus! As próprias paredes da prisão
Pareciam, de súbito, estar girando,
E o firmamento, por cima da minha cabeça,
Tornou-se um capacete de aço escaldante,
E, embora eu fosse uma alma sofredora,
Não sentia a minha própria dor.

Compreendi, então, que pensamentos o atormentavam,
Apressando-lhe o passo;
Ele encarava o dia radiante
Com olhar tão vago:
O homem matara o objeto do seu amor
E, por isso, devia morrer.

No entanto, todo homem mata aquilo que adora,
Que cada um deles seja ouvido,
Alguns procedem com dureza no olhar,
Outros com uma palavra lisonjeira.
O covarde fá-lo com um beijo.
Enquanto o bravo o faz com a espada!

Uns matam o próprio amor quando ainda jovens,
Outros o fazem na velhice;
Uns estrangulam com as mãos da luxúria,
Outros com a mão de Ouro,
O que é bondoso faz uso do punhal,
Porque a morte assim vem mais depressa.

Uns amam pouco tempo, outros demais,
Uns vendem, outros compram;
Alguns praticam a ação com muitas lágrimas
E outros sem um suspiro sequer:
Pois todo o homem mata o objeto do seu amor
E, no entanto, nem todo homem é condenado à morte.

Ele não sofre a morte humilhante
Num dia de tenebrosa desgraça,
Não tem um laço em volta do pescoço,
Nem um capuz, cobrindo-lhe a cabeça,
Seus pés não ficam pendentes no alçapão
Num espaço aberto.

Não se senta ao lado dos homens silenciosos
Que o vigiam dia e noite;
E o velam quando ele quer chorar,
Ou quando tenta orar;
Que o vigiam com medo de que ele próprio livre
A prisão da sua presa.

Nem desperta de madrugada para ver
Vultos horripilantes povoando a sua cela.
O trêmulo Capelão à sua alva sobrepeliz,
O Sheriff, tristonho e carrancudo,
E o Diretor, todo de preto vestido,
Com o rosto amarelado do Destino.

Não se ergue apressadamente
Para vestir a túnica encarcerada,
Enquanto, com esperteza, um médico
Fita-o firmemente e toma nota
De cada uma das suas novas contorsões nervosas,
Com o dedo no relógio, cujos tique-taques, lembram horríveis
marteladas.

Ele desconhece aquela sede doentia
Que dá à garganta a sensação de areia,
Antes que o carrasco, com as suas luvas de jardinagem,
Atravesse a porta e o amarre com três correias
Para que a sua garganta não mais sinta sede.

Não curva a cabeça para ouvir
O ofício fúnebre que está sendo lido,
Enquanto, na sua alma, o terror
Diz-lhe que ele não está morto;
Ele passa pelo próprio caixão quando a caminho
do hediondo cadafalso.

Não olha para cima
Através do pequeno teto de vidro,
Nem reza com os lábios secos
Para que finde a sua agonia;
Não sente na face trêmula
O beijo de Caifás.

Oscar Wilde

The Ballad of Reading Gaol

Section I

He did not wear his scarlet coat,
For blood and wine are red,
And blood and wine were on his hands
When they found him with the dead,
The poor dead woman whom he loved,
And murdered in her bed.

He walked amongst the Trial Men
In a suit of shabby grey;
A cricket cap was on his head,
And his step seemed light and gay;
But I never saw a man who looked
So wistfully at the day.

I never saw a man who looked
With such a wistful eye
Upon that little tent of blue
Which prisoners call the sky,
And at every drifting cloud that went
With sails of silver by.

I walked, with other souls in pain,
Within another ring,
And was wondering if the man had done
A great or little thing,
When a voice behind me whispered low,
"That fellow's got to swing."

Dear Christ! the very prison walls
Suddenly seemed to reel,
And the sky above my head became
Like a casque of scorching steel;
And, though I was a soul in pain,
My pain I could not feel.

I only knew what hunted thought
Quickened his step, and why
He looked upon the garish day
With such a wistful eye;
The man had killed the thing he loved
And so he had to die.

Yet each man kills the thing he loves
By each let this be heard,
Some do it with a bitter look,
Some with a flattering word,
The coward does it with a kiss,
The brave man with a sword!

Some kill their love when they are young,
And some when they are old;
Some strangle with the hands of Lust,
Some with the hands of Gold:
The kindest use a knife, because
The dead so soon grow cold.

Some love too little, some too long,
Some sell, and others buy;
Some do the deed with many tears,
And some without a sigh:
For each man kills the thing he loves,
Yet each man does not die.

He does not die a death of shame
On a day of dark disgrace,
Nor have a noose about his neck,
Nor a cloth upon his face,
Nor drop feet foremost through the floor
Into an empty place

He does not sit with silent men
Who watch him night and day;
Who watch him when he tries to weep,
And when he tries to pray;
Who watch him lest himself should rob
The prison of its prey.

He does not wake at dawn to see
Dread figures throng his room,
The shivering Chaplain robed in white,
The Sheriff stern with gloom,
And the Governor all in shiny black,
With the yellow face of Doom.

He does not rise in piteous haste
To put on convict-clothes,
While some coarse-mouthed Doctor gloats, and notes
Each new and nerve-twitched pose,
Fingering a watch whose little ticks
Are like horrible hammer-blows.

He does not know that sickening thirst
That sands one's throat, before
The hangman with his gardener's gloves
Slips through the padded door,
And binds one with three leathern thongs,
That the throat may thirst no more.

He does not bend his head to hear
The Burial Office read,
Nor, while the terror of his soul
Tells him he is not dead,
Cross his own coffin, as he moves
Into the hideous shed.

He does not stare upon the air
Through a little roof of glass;
He does not pray with lips of clay
For his agony to pass;
Nor feel upon his shuddering cheek
The kiss of Caiaphas.
____________________
Antologia de Poetas Estrangeiros — Seleção e Notas de Afonso Telles Alves, [diversos autores e tradutores], Antologia da Literatura Mundial, 7ª edição, 1965, Livraria e Editora Logos Ltda., São Paulo — SP; Oscar Fingal O’Flahertie Wills Wilde (1854 1900), irlandês de Dublin, Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda, estudou no Trinity College Dublin e na Universidade de Oxford, desde jovem falava fluentemente o francês e o alemão, foi poeta, dramaturgo, contista, novelista, romancista e jornalista; desde 1879 passou a viver em Londres; em 1895, Oscar Wilde foi condenado a dois anos de prisão por atentado ao pudor e homossexualismo, apesar de inúmeras intervenções por clemência vindas de setores progressistas e dos mais importantes círculos literários da Europa e, por consequência, teve seus livros recolhidos e suas comédias retiradas de cartaz; suas obras: Poems (coletânea de poesias publicadas em periódicos e revistas durante o tempo da faculdade, 1881), The Happy Prince and Other Stories (O Príncipe Feliz e Outros Contos, 1888), A House of Pomegranates (Uma Casa de Romãs, contos, 1891), The Picture of Dorian Gray (O Retrato de Dorian Gray, romance, 1891), Salome (Salomé, tragédia em um ato, 1891), The Importance of Being Earnest (peça teatral cômica, 1895), The Balad of Reading Gaol (A Balada do Cárcere de Reading, poema escrito na prisão, 1896), De Profundis (longa carta a Lord Alfred Douglas, escrita da prisão, primeira publicação em 1897) e outros textos em verso e prosa e para dramaturgia.