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terça-feira, 29 de setembro de 2026

Musset: Vésper

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[traduzido por Teófilo Dias]

Pálida estrela da tarde,
Por céus longínquos perdida,
Cuja fronte enrubescida
Do poente rasga os véus,
Dize, — que avista no prado
Teu vago olhar sonolento,
Caindo do firmamento,
— Dos paços azuis dos céus?

Calmou-se tormenta e vento;
E a floresta murmurante
Derrama orvalho rorante
Nas plantas murchas do chão;
Louros insetos ligeiros
Pelas floridas campinas,
Dentre as moitas de boninas,
Rutilam na escuridão.

Não vês na teia dormente?...
Mas já por trás das montanhas
Vejo a luz de que te banhas
Docemente vacilar,
Enquanto, ó pálida amiga.
Nela, sorrindo, se apaga
Tu foges na etérea plaga,
Teu melancólico olhar.

Formosa estrela que desces
Por sobre a verde colina,
Da noite no manto frio,
Alvo do olhar da pastora
Que vem da serra cantando
Enquanto a segue badalando
Seu nédio armento tardio.

Ah! por essa noite imensa,
Que busca a luz feiticeira?
— Fresco leito, d’água à beira,
Onde te possas dormir?
— Ou nas horas do silêncio
No vasto seio dos mares,
— Pérola solta nos ares,
Vais de repente cair?

Se deves morrer tão cedo...
Se hão de afundar-nos nos mares
Teus merencórios luares
E os louros cabelos teus,
Astros do amor, ah! detêm-te!
Teu curso leve, suspende,
No azul do espaço te prende!
Não desças nunca dos céus!

Alfred de Musset

Le saule
[Pâle étoile du soir, messagère lointaine, . . .]

(extrait)
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

II
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

Pâle étoile du soir, messagère lointaine,
Dont le front sort brillant des voiles du couchant,
De ton palais d'azur, au sein du firmament,
       Que regardes-tu dans la plaine?

La tempête s'éloigne, et les vents sont calmés.
La forêt, qui frémit, pleure sur la bruyère,
Le phalène doré, dans sa course légère,
       Traverse les prés embaumés.

    Que cherches-tu sur la terre endormie?
Mais déjà vers les monts je te vois t'abaisser;
Tu fuis, en souriant, mélancolique amie,
Et ton tremblant regard est près de s'effacer.

Étoile qui descends vers la verte colline,
Triste larme d'argent du manteau de la Nuit,
Toi que regarde au loin le pâtre qui chemine,
Tandis que pas à pas son long troupeau le suit, —

Étoile, où t'en vas-tu, dans cette nuit immense?
Cherches-tu sur la rive un lit dans les roseaux?
Où t'en vas-tu si belle, à l'heure du silence,
Tomber comme une perle au sein profond des eaux?

Ah! si tu dois mourir, bel astre, et si ta tête
Va dans la vaste mer plonger ses blonds cheveux,
Avant de nous quitter, un seul instant arrête; —
Étoile de l'amour, ne descends pas des cieux!

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[Premières Poésies (1829-1835), Charpentier,
1863 (p. 176-202). — Le Saule — Fragment]
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Antologia de Poetas Estrangeiros — Seleção e Notas de Afonso Telles Alves, [diversos autores e tradutores], Antologia da Literatura Mundial, 7ª edição, 1965, Livraria e Editora Logos Ltda., São Paulo — SP; Alfred Louis Charles de Musset (1810 — 1857), francês e parisiense, antes de completar 9 anos de idade foi matriculado no Lycée Henri IV, concluiu o ensino médio, depois aventurou-se nos estudos de medicina, direito, pintura, música, logo os abandonou, e passou a se dedicar com determinação e interesse à literatura, foi poeta, novelista, romancista, crítico e dramaturgo, e tido como "l'enfant terrible" do período romantista em Paris;  “desde os 14 anos já fazia seus versos": A ma mére (1824), À Mademoiselle Zoé le Douairin (1826), Un rêve et L’anglais mangeur d’opium (1828)...; escreveu e publicou Premières poésies (1829), Une nuit vénitienne (teatro, 1830), Contes d'Espagne et d'Itale (coletânea de poemas, Contos da Espanha e da Itália, 1830), Secrètes pensées de Raphael (Pensamentos secretos de Raphael, 1830), Voeux stériles (Voos estéreis, 1830), Namouna (poema narrativo, 1831), La coupe et les lèvres (teatro, 1832), Rolla (longo poema narrativo, 1833), On ne badine pas avec l'amour (Com o amor não se brinca, teatro comédia, 1834), Lorenzaccio (drama romântico, 1834), Fantasio (teatro comédia, 1834), Le Chandelier (comédia em três atos, 1835), La confession d'un enfant du siècle (A confissão de um filho do século, novela autobiográfica, 1836), Les Nuits: La Nuit de Mai [1835], La Nuit de Décembre [1835], La Nuit d'Août [1836], La Nuit d'Octobre [1837], La Nuit d’Avril [1838] (ciclo As Noites, 1835-1838), Lettres du Dupuis et Cotonet (crítica, Cartas de Dupuis e Cotonet, 1837), Souvenir (Recordação, 1841), Il faut qu'une porte soit ouverte ou fermé (É preciso que uma porta esteja aberta ou fechada, comédia, 1845), Carmosine (comédia em Um Ato, 1850), Bettine (comédia, 1851) e outros textos em verso e prosa e para teatro; teve poemas musicados por Hector Berlioz [poème Le Lever, 1839], Charles Gounod [avec piano, Venise, 1849], Édouard Lalo [trois mélodies: À une fleur, Chanson de Barberine et La Zuecca, 1870], Claude Debussy [Madrid, 1879], [Rondeau, 1881] e [Chanson espagnole, 1883] etc.; pertenceu à Académie Française; o poeta, desde 1824, foi um dos frequentadores do “Cénacle”, salão literário de Charles Nodier — bibliotecário da Bibliotéque de l’Arsenal, e tendo como companhia Victor Hugo e outros; passou a viver como um “dândi devasso”, teve várias amantes, uma das quais a escritora George Sand [pseudônimo de Amantine Aurore Lucile Dupin, baronesa de Dudevant]; em 1845, Musset foi condecorado com a Legião de Honra em reconhecimento à sua influência na literatura francesa; com a “saúde frágil, mas sobretudo atormentado pelo alcoolismo, pela ociosidade e pela devassidão, morreu de tuberculose em 2 de maio de 1857”, aos 46 anos.

sábado, 18 de julho de 2026

Stéphane Mallarmé: O Azul

 
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[traduzido por Batista Cepelos]

Do sempiterno azul a serena ironia
Tortura, numa bela indolência de flor,
A alma do poeta, que, em ânsias de agonia,
Vocifera, amarrado a uma terrível dor!

Debalde os olhos fecho, ante o bárbaro açoite
Do meu medonho olhar, sempre a me perseguir!
Dizei-me onde fugir! Andrajos que de noite
Hei de lançar-lhe em cima. Onde e como fugir?

Ó neblinas, subi, de entre si as cinzas escuras;
Subi, trapos de bruma; e, no céu luminoso,
Empanando a outonal lividez das alturas,
Erguei um pavilhão enorme e silencioso!

Tédio amigo, abandona o marnel lutulento,
E com molhos de junco e lama dos caminhos
Tua incansável mão, de momento em momento,
Tape os rombos azuis que abrem os passarinhos.

Ainda não basta? Então, a fumaça que monte
Das chaminés, formando uma errante prisão,
Dentro da qual o sol, ao tombar no horizonte,
Agonize, amarelo, em meio à escuridão!

O céu morreu, enfim! Matéria, eu te conjuro
A fazer-me olvidar as loucuras que fiz,
E, distante do Ideal e do Pecado impuro,
Entre os homens viver, num rebanho feliz.

Possa aí, — desde que em minha mente esvaziada,
Como um pote de sal junto a um velho muro,
Já não pode vestir a idéia torturada,
— Tristemente esperar pelo meu fim obscuro...

Em vão! O Azul triunfa! Ouço-o nos badalares
Do sino. Ouves, minha alma, o seu grito nefando?
Pois, do vivo metal, sobe a correr os ares,
Na concertina azul das vésperas cantando!

E ao vir, solto no ambiente, entre a aragem dispersa,
Corta-me como o gládio aspérrimo do Sul,
Onde fugir? Revolta inútil e perversa!
Sou perseguido. O Azul! O Azul! O Azul! O Azul!

Stéphane Mallarmé

L’Azur

De l’éternel Azur la sereine ironie
Accable, belle indolemment comme les fleurs
Le poëte impuissant qui maudit son génie
À travers un désert stérile de Douleurs.

Fuyant, les yeux fermés, je le sens qui regarde
Avec l’intensité d’un remords atterrant,
Mon âme vide. Où fuir? Et quelle nuit hagarde
Jeter, lambeaux, jeter sur ce mépris navrant?

Brouillards, montez! Versez vos cendres monotones
Avec de longs haillons de brume dans les cieux
Que noiera le marais livide des automnes
Et bâtissez un grand plafond silencieux!

Et toi, sors des étangs léthéens et ramasse
En t’en venant la vase et les pâles roseaux,
Cher Ennui, pour boucher d’une main jamais lasse
Les grands trous bleus que font méchamment les oiseaux.

Encor! que sans répit les tristes cheminées
Fument, et que de suie une errante prison
Éteigne dans l’horreur de ses noires traînées
Le soleil se mourant jaunâtre, à l’horizon!

— Le ciel est mort. — Vers toi, j’accours! donne, ô matière,
L’oubli de l’Idéal cruel et du Péché
À ce martyr qui vient partager la litière
Où le bétail heureux des hommes est couché,

Car j’y veux, puisque enfin ma cervelle, vidée
Comme le pot de fard gisant au pied du mur,
N’a plus l’art d’attiffer la sanglotante idée,
Lugubrement baîller vers un trépas obscur…

En vain! l’Azur triomphe et je l’entends qui chante
Dans les cloches. Mon âme, il se fait voix pour plus
Nous faire peur avec sa victoire méchante,
Et du métal vivant sort en bleus angelus!

Il roule par la brume ancien et traverse
Ta native agonie ainsi qu’un glaive sûr;
Où fuir dans la révolte inutile et perverse?
Je suis hanté. L’Azur! l’Azur! l’Azur! l’Azur!
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Antologia de Poetas Estrangeiros — Seleção e Notas de Afonso Telles Alves, [diversos autores e tradutores], Volume VIII da coleção Antologia da Literatura Mundial, 1960, Livraria e Editora Logos Ltda., São Paulo — SP; Stéphane Mallarmé (1842 — 1898) ou Étienne Mallarmé, francês e parisiense, fez seus primeiros estudos em um internato, foi expulso, decidiu aprender Inglês, viajou para Londres, fez um ano de curso e, de volta à França, foi aprovado e designado a lecionar inglês, iniciando sua carreira vitalícia como professor, primeiro em escolas provinciais e depois em Paris; foi poeta, tradutor, ensaísta, crítico literário e de arte e, claro, professor de inglês; de sua biografia, consta ter sido um dos primeiros simbolistas franceses e um dos precursores da poesia concreta; seus poemas iniciais surgiram na década de 1860 e, assim como boa parte dos poetas de sua geração, ele também foi influenciado pela poesia de Charles Baudelaire; à época, Mallarmé tornou-se figura central de um grupo de escritores com os quais discutia poesia e arte, entre eles Paul Valéry, André Gide e Marcel Proust; colaborou no jornal Le Parnasse Contemporain e publicou seus textos poéticos e/ou ensaios nas revistas Artiste (revue l’Artiste, 1862), Renaissance Artistique (1874), Independent Review (Revue indépendante, 1885 e 1888), Cosmopolis (1897); traduziu Edgard Allan Poe, W. C. Elphinstone Hope e James Whistler; Stéphane Mallarmé também recriou, dirigiu e editou a revista Última Moda (revue La Dernière Mode, 1874), criada “no verão de 1873”, por seu amigo e editor Charles Wendelen, composta apenas de gravuras e litografias; Mallarmé inovou-a e revitalizou-a preenchendo com ensaios sobre estética literária e, de início, fazendo uso dos pseudônimos Marguerite de Ponty, Miss Satin, Zizy, Olympe la nègresse, Ix, Le Chef de bouche chez Brébant ...; sob sua direção a revista La Dernière Mode resistiu por mais 8 edições, e Mallarmé, sozinho, escreveu sobre moda, culinária e educação de crianças; suas obras: Herodíade (Herodíades, 1869), L'Aprés midi d'un faune (A tarde de um fauno, 1876), Vers et Prose (antologia, 1892), Divagations (coleção de ensaios, 1897), Un coup de dés jamais n'abolira le hasard (Um Lance de Dados Jamais Abolirá o Acaso, 1897), Poésies (Poesias, publicação póstuma, 1899) e outros textos, parte dos quais inacabados, como Igitur (Igitur, conto poético-filosófico iniciado em 1869), postumamente publicado inacabado em 1925.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Paul Verlaine: Marinha

 
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[traduzido por Baptista Cepellos]

A lua aparece,
Lutuosa, entre brumas,
E o oceano estremece,
Revolto em espumas.

Em viva limalha,
Rápido corisco
A altura retalha,
Num trêmulo risco.

Em hórridas guaias,
As vagas num bando,
Se quebram nas praias,
Rolando... rolando...

Ergue-se uma tromba
Nos céus, de repente,
E o raio ribomba,
Formidavelmente!

Paul Verlaine

Marine

L’Océan sonore
Palpite sous l’oeil
De la lune en deuil
Et palpite encore,

Tandis qu’un éclair
Brutal et sinistre
Fend le ciel de bistre
D’un long zigzag clair,

Et que chaque lame,
En bonds convulsifs,
Le long des récifs
Va, vient, luit et clame,

Et qu’au firmament,
Où l’ouragan erre,
Rugit le tonnerre
Formidablement.

(Poèmes Saturniens — 1866)
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Antologia de Poetas Estrangeiros — Seleção e Notas de Afonso Telles Alves, [diversos autores e tradutores], Volume VIII da coleção Antologia da Literatura Mundial, 1960, Livraria e Editora Logos Ltda., São Paulo — SP; Paul Marie Verlaine (1844 — 1896), francês nascido em Metz, educou-se no Liceu Bonaparte (Lycée Condorcet, atual Liceu Condorcet), em Paris, trabalhou como funcionário público, bacharelou-se em Literatura, foi professor e, desde cedo, escrevia poemas, inicialmente influenciado pelo parnasianismo; em 1866, estreou em livros com Poèmes Saturniens, teve sete de seus poemas publicados no Parnasse Contemporain; considerado um dos expoentes da poesia e literatura francesa, usou a expressão poètes maudits (poetas malditos) para se referir aos poetas de sua época e de seu convívio — Baudelaire, Mallarmé, Rimbaud, Paul Valéry, ... —, grupo ao qual ele se incluía, e que privilegiavam a luta contra as convenções poéticas vigentes e sofriam reprimendas sociais por isso, tendo sido muitos deles ignorados pelos críticos; só posteriormente, em 1886, com a publicação do Manifesto Simbolista, por Jean Moréas, o termo "simbolismo" passou a nominar aquele novo ambiente literário; Paul Verlaine escreveu e publicou em poesia, Poèmes Saturniens (1866), Les Amies (1867), Fêtes Galantes (1869), La Bonne Chanson (1870), Romances Sans Paroles (1874), Sagesse (1880), Jadis et naguère (1884), Amour (1888), Parallèlement (1889), Hombres (poemas eróticos [escritos até 1891], publicação clandestina, 1903) e outros títulos, e, em prosa, Les Poètes maudits (1884), Louise Leclercq (1886), Les Memoires d'un veuf (1886), Mes hôpitaux (1891), Mes prisons (1893), Quinze jours en Hollande (1893) etc.; em 1875, no Reino Unido, Verlaine lecionou "latim, grego, desenho e francês" no Stickney Grammar School, Boston; participou da comuna de Paris sem ter sido atuante nas ruas, teve poemas musicados pelo compositor Claude Debussy em Ariettes oubliées ['Canções esquecidas', ciclo de seis melodias para voz e piano']; o poeta, que foi casado com Mathilde Mauté, teve relacionamento sentimental amoroso conturbado com Rimbaud e o feriu com dois tiros, foi preso e encarcerado e, nos anos finais de sua vida, Paris o viu dependente de drogas e de alcoolismo, vivendo em bairros pobres e se socorrendo em hospitais públicos.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

Guillaumme Apollinaire: Salomé

 
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[traduzido por Onestaldo de Pennafort]

Para que uma vez mais João Batista sorria,
Senhor, eu dançarei melhor que um serafim,
Mãe, por que estás imersa em tal melancolia,
vestida de condessa e ao lado do delfim?

Meu coração só de escutá-lo, quando eu vinha
dançar junto ao Funchal, batia angustiado.
Eu lhe bordara lírios numa bandeirinha
destinada a flutuar no alto do seu cajado.

E agora, para quem farei lírios bordados?
Seu bordão refloresce às margens do Jordão.
Vieram prendê-o, ó Rei Herodes, teus soldados,
e em meu jardim lírios murcharam desde então.

Vinde, todos comigo, além, sob os quincôncios…
           Não chores mais, lindo bufão de reis;
em vez do guizo, empunha esta cabeça e dança!
Mãe, sua fronte fria está. Não lhe toqueis.

Senhor, ide na frente, e que a guarda nos siga.
Abriremos um fosso e nele a enterraremos
entre flores, e, em roda, em torno dançaremos,
dançaremos até que eu perca a minha liga,
           o rei a tabaqueira,
           a infanta o seu rosário
           e o cura o seu breviário.

Guillaumme Apollinaire

Salomé

Pour que sourie encore une fois Jean-Baptiste
Sire je danserais mieux que les seraphins
Ma mère dites-moi pourquoi vous êtes triste
En robe de comtesse à côté du Dauphin

Mon coeur battait battait très fort à sa parole
Quand je dansais dans le fenouil en écoutant
Et je brodais des lys sur une banderole
Destinée à flotter au bout de son bâton

Et pour qui voulez-vous qu’à présent je la brode
Son bâton refleurit sur les bords du Jourdain
Et tous les lys quand vos soldats ô roi Hérode
L’emmenèrent se sont flétris dans mon jardin

Venez tous avec moi là-bas sous les quinconces
           Ne pleure pas ô joli fou du roi
Prends cette tête au lieu de ta marotte et danse
N’y touchez pas son front ma mère est déjà froid

Sire marchez devant trabants marchez derrière
Nous creuserons un trou et l’y enterrerons
Nous planterons des fleurs et danserons en rond
Jusqu’à l’heure où j’aurai perdu ma jarretière
           Le roi sa tabatière
           L’infante son rosaire
           Le curé son bréviaire

(Poème d’abord publié en 1905 avant d’être
intégré dans le recueil Alcools [1913])
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Antologia de Poetas Estrangeiros — Seleção e Notas de Afonso Telles Alves, [diversos autores e tradutores], Antologia da Literatura Mundial, 7ª edição, 1965, Livraria e Editora Logos Ltda., São Paulo — SP; Guillaume Apollinaire (1880 — 1918), nascido Wilhelm Albert Włodzimierz Apolinary de Wąż-Kostrowicki, em Roma — Itália, dramaturgo, romancista, ensaísta e poeta, fez carreira como agitador cultural em Paris — França, transitou por todos os gêneros literários — poesia, prosa, prosa poética, teatro, ensaio, crítica — e foi um dos expoentes da vanguarda artística do início do século XX; precursor do surrealismo, com sua arte colecionou amigos e colaboradores, entre os quais Pablo Picasso, Georges Braque, Blaise Cendrars, Jean Cocteau e Marcel Duchamp; seus textos e criações foram publicados por diversos anos em jornais, revistas, panfletos e livros; em 1903, participou de evento artístico-literário organizado pela revista La Plume, foi cofundador da revista Le Festin d’Esope; em 1907, publicou anonimamente Les Onze Mille Verges [romance erótico]; escreveu textos para o Paris Journal, o Le Mercure de France e outros periódicos; traduziu Pietro Aretino para o francês e organizou bibliografias e antologias de autores “libertinos”; suas obras: L’Hérésiarque et Cie (contos, 1910), Álcoois (coletânea de trabalhos poéticos, Alcools, 1913), Os Pintores Cubistas (Peintre cubistes, méditations esthétiques, 1913), O Poeta Assassinado (coleção de contos, Le Poète Assassiné, 1916), Os Seios de Tirésias (drama surrealista, Les Mamelles de Tirésias, 1917), Caligramas (coleção de poemas, Calligrammes, 1918) e outros títulos; em 1914, ainda estrangeiro em Paris, pediu alistamento e participou na linha de frente da 1ª Guerra Mundial, tendo sido ferido em combate; em 1916, por decreto de governo, concedeu-se ao poeta a nacionalidade francesa.

segunda-feira, 6 de maio de 2024

José María de Heredia: Flor secular


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[traduzido por Severino Montenegro]

Sobre a rocha calcária — ante a última colina
Onde outrora estancou o fluxo de um vulcão,
A semente que o vento alçou em turbilhão,
Lançada ao Gualatieri, agarra-se, germina.

Frágil cresceu. Na sombra onde a raiz confina
E, em um século, o sol sazonou o botão,
Seu tronco hauriu a seiva inflamada do chão,
De porte colossal, que a débil haste inclina.

Enfim, no ar abrasado e que ainda mais esquenta,
Sob o pistilo enorme ele expande, rebenta,
E o estame joga, ao longe, o pólen multicor;

E o grandioso aloés de flor rubra e tardia,
Para o ignoto himeneu que sonhou seu amor,
Tem cem anos de vida e só floriu um dia.

José María de Heredia

Fleur séculaire

Sur le roc calciné de la dernière rampe
Où le flux volcanique autrefois s’est tari,
La graine que le vent au haut Gualatieri
Sema, germe, s’accroche et, frêle plante, rampe.

Elle grandit. En l’ombre où sa racine trempe,
Son tronc, buvant la flamme obscure, s’est nourri;
Et les soleils d’un siècle ont longuement mûri
Le bouton colossal qui fait ployer sa hampe.

Enfin, dans l’air brillant et qu’il embrase encor,
Sous le pistil géant qui s’érige, il éclate,
Et l’étamine lance au loin le pollen d’or;

Et le grand aloès à la fleur écarlate,
Pour l’hymen ignoré qu’a rêvé son amour,
Ayant vécu cent ans, n’a fleuri qu’un seul jour.

[Les Trophées — 1893]
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Antologia de Poetas Estrangeiros — Seleção e Notas de Afonso Telles Alves, [diversos autores e tradutores], Volume VIII da coleção Antologia da Literatura Mundial, [1960], Livraria e Editora Logos Ltda., São Paulo — SP; José María de Heredia Girard (1842 — 1905), nascido em Cuba (à época, colônia espanhola), na localidade de Cafeyre, próxima a Santiago de Cuba, aos oito anos tendo sido mandado para a França, estudou e bacharelou-se no colégio dos padres vicentinos, o liceu Saint-Vincent, em Senlis, foi poeta, escritor e tradutor; em 1859, de volta a Cuba, Havana, onde permaneceu por pouco mais de um ano, aprofundou os conhecimentos da língua e da literatura espanhola, compôs seus primeiros poemas franceses que chegaram até nós, e depois retornou para Paris — França; fez parte do grupo que tinha em Leconte de Lisle um “chefe e mestre”, e do qual também participavam François Coppée, Sully Prudhomme, Paul Verlaine e outros, todos se tornando conhecidos como os poetas do Parnaso, “os parnasianos”; José María de Heredia, que naturalizou-se francês, publicou Les Trophées (118 sonetos e 4 poemas de maior extensão, 1893) e no ano seguinte foi eleito membro da Academia Francesa; também foi diretor da Biblioteca do Arsenal, de Paris, e organizou uma edição crítica das obras do poeta André Chénier; Heredia é reconhecido como um dos poetas do Parnasianismo francês, embora com “produção pouco abundante, mas de boa qualidade”; além da já citada publicação de Les Tropheés, deixou-nos também sua obra esparsa em revistas literárias da época e contribuiu para a Revue de Deux Mondes, o Le Temps e o Journal des Débats; traduziu, do espanhol para o francês, A Verdadeira História da Conquista da Nova-Espanha — 3 volumes, do Capitão Bernal Diaz del Castillo (Véridique histoire de la conquête de la Nouvelle-Espagne — 3 volumes, 1877-1878).

domingo, 31 de março de 2024

José María de Heredia: O banho das ninfas


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[traduzido por João Ribeiro]

Num canto da floresta escura e densa
Por sobre a fonte curva-se um loureiro,
Nua, à ramada a Oréa de suspensa
Sobre a água dependura o corpo inteiro.

Ao banho, as ninfas; rápido e ligeiro!
E ei-las, as manchas de brancura intensa
Dos corpos nus, evípedes; e o cheiro
Que a nuvem d’ouro do cabelo incensa!...

Lançam-se a nado as deusas em peleja
Mas súbito rompendo os negros flancos
Do bosque, o olhar d’um Sátiro flameja...

E, nuas, elas trepam-se aos barrancos...
Tal à vista d’um corvo que fareja
Debanda a multidão dos cisnes brancos!

José María de Heredia

Le bain des nymphes

C’est un vallon sauvage abrité de l’Euxin;
Au-dessus de la Source un noir laurier se penche,
Et la Nymphe, riant, suspendue à la branche,
Frôle d’un pied craintif l’eau froide du bassin.

Ses compagnes, d’un bond, à l’appel du buccin,
Dans l’onde jaillissante où s’ébat leur chair blanche
Plongent, et de l’écume émergent une hanche,
De clairs cheveux, un torse ou la rose d’un sein.

Une gaîté divine emplit le grand bois sombre.
Mais deux yeux, brusquement, ont illuminé l’ombre.
Le satyre!… son rire épouvante leurs jeux;

Elles s’élancent. Tel, lorsqu’un corbeau sinistre
Croasse, sur le fleuve éperdument neigeux
S’effarouche le vol des cygnes du Caÿstre.

[Les Trophées — 1893]
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Antologia de Poetas Estrangeiros — Seleção e Notas de Afonso Telles Alves, [diversos autores e tradutores], Volume VIII da coleção Antologia da Literatura Mundial, [1960], Livraria e Editora Logos Ltda., São Paulo — SP; José María de Heredia Girard (1842 — 1905), nascido em Cuba (à época, colônia espanhola), na localidade de Cafeyre, próxima a Santiago de Cuba, aos oito anos tendo sido mandado para a França, estudou e bacharelou-se no colégio dos padres vicentinos, o liceu Saint-Vincent, em Senlis, foi poeta, escritor e tradutor; em 1859, de volta a Cuba, Havana, onde permaneceu por pouco mais de um ano, aprofundou os conhecimentos da língua e da literatura espanhola, compôs seus primeiros poemas franceses que chegaram até nós, e depois retornou para Paris — França; fez parte do grupo que tinha em Leconte de Lisle um “chefe e mestre”, e do qual também participavam François Coppée, Sully Prudhomme, Paul Verlaine e outros, todos se tornando conhecidos como os poetas do Parnaso, “os parnasianos”; José María de Heredia, que naturalizou-se francês, publicou Les Trophées (118 sonetos e 4 poemas de maior extensão, 1893) e no ano seguinte foi eleito membro da Academia Francesa; também foi diretor da Biblioteca do Arsenal, de Paris, e organizou uma edição crítica das obras do poeta André Chénier; Heredia é reconhecido como um dos poetas do Parnasianismo francês, embora com “produção pouco abundante, mas de boa qualidade”; além da já citada publicação de Les Tropheés, deixou-nos também sua obra esparsa em revistas literárias da época e contribuiu para a Revue de Deux Mondes, o Le Temps e o Journal des Débats; traduziu, do espanhol para o francês, A Verdadeira História da Conquista da Nova-Espanha — 3 volumes, do Capitão Bernal Diaz del Castillo (Véridique histoire de la conquête de la Nouvelle-Espagne — 3 volumes, 1877-1878).

sábado, 13 de janeiro de 2024

José María de Heredia: A Flauta


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[traduzido por Freitas Guimarães]

A tarde já chegou. Revoam pombos no ar.
Não dá nenhum encanto à paixão amorosa,
Cabreiro! a gaita com que estás a acompanhar
A água que, entre juncais, desliza sonorosa.

Deste plátano à sombra, onde viemos deitar,
A relva é mais macia. Amigo! a cabra ociosa,
Surda a seu cabritinho a fim de o desmamar,
Deixa que aos morros trepe e aos brotos busque, ansiosa.

A minha flauta de sete hastes de cicuta
Feita, unidas a cera aguda, ou grave, escuta!
Ou chore, ou gema ou cante é sempre ao meu sabor.

Vem conosco aprender a arte do deus Sileno!
Deste sagrado tubo irão pelo ar sereno,
Como aladas canções, teus suspiros de amor!

José María de Heredia

La flûte

Voici le soir. Au ciel passe un vol de pigeons.
Rien ne vaut pour charmer une amoureuse fièvre,
Ô chevrier, le son d'un pipeau sur la lèvre
Qu'accompagne un bruit frais de source entre les joncs.

A l'ombre du platane où nous nous allongeons
L'herbe est plus molle. Laisse, ami, l'errante chèvre,
Sourde aux chevrotements du chevreau qu'elle sèvre,
Escalader la roche et brouter les bourgeons.

Ma flûte, faite avec sept tiges de ciguë
Inégales que joint un peu de cire, aiguë
Ou grave, pleure, chante ou gémit à mon gré.

Viens. Nous t'enseignerons l'art divin du Silène,
Et tes soupirs d'amour, de ce tuyau sacré,
S'envoleront parmi l'harmonieuse haleine.

[Les Trophées — 1893]
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Antologia de Poetas Estrangeiros — Seleção e Notas de Afonso Telles Alves, [diversos autores e tradutores], Volume VIII da coleção Antologia da Literatura Mundial, [1960], Livraria e Editora Logos Ltda., São Paulo — SP; José María de Heredia Girard (1842 — 1905), nascido em Cuba (à época, colônia espanhola), na localidade de Cafeyre, próxima a Santiago de Cuba, aos oito anos tendo sido mandado para a França, estudou e bacharelou-se no colégio dos padres vicentinos, o liceu Saint-Vincent, em Senlis, foi poeta, escritor e tradutor; em 1859, de volta a Cuba, Havana, onde permaneceu por pouco mais de um ano, aprofundou os conhecimentos da língua e da literatura espanhola, compôs seus primeiros poemas franceses que chegaram até nós, e depois retornou para Paris — França; fez parte do grupo que tinha em Leconte de Lisle um “chefe e mestre”, e do qual também participavam François Coppée, Sully Prudhomme, Paul Verlaine e outros, todos se tornando conhecidos como os poetas do Parnaso, “os parnasianos”; José María de Heredia, que naturalizou-se francês, publicou Les Trophées (118 sonetos e 4 poemas de maior extensão, 1893) e no ano seguinte foi eleito membro da Academia Francesa; também foi diretor da Biblioteca do Arsenal, de Paris, e organizou uma edição crítica das obras do poeta André Chénier; Heredia é reconhecido como um dos poetas do Parnasianismo francês, embora com “produção pouco abundante, mas de boa qualidade”; além da já citada publicação de Les Tropheés, deixou-nos também sua obra esparsa em revistas literárias da época e contribuiu para a Revue de Deux Mondes, o Le Temps e o Journal des Débats; traduziu, do espanhol para o francês, A Verdadeira História da Conquista da Nova-Espanha — 3 volumes, do Capitão Bernal Diaz del Castillo (Véridique histoire de la conquête de la Nouvelle-Espagne — 3 volumes, 1877-1878).

sábado, 16 de dezembro de 2023

William Shakespeare: "To be or not to be"


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[traduzido por Machado de Assis]

[Hamlet, Ato 3, Cena 1]

Ser ou não ser, eis a questão. Acaso
É mais nobre a cerviz curvar aos golpes
Da ultrajosa fortuna, ou já lutando
Extenso mar vencer de acerbos males?
Morrer, dormir, não mais. E um sono apenas,
Que as angústias extingue e à carne a herança
Da nossa dor eternamente acaba,
Sim, cabe ao homem suspirar por ele.
Morrer, dormir. Dormir? Sonhar, quem sabe?
Ai, eis a dúvida. Ao perpétuo sono,
Quando o lodo mortal despido houvermos,
Que sonhos hão de vir? Pesá-lo cumpre.
Essa a razão que os lutuosos dias
Alonga do infortúnio. Quem do tempo
Sofrer quisera ultrajes e castigos,
Injúrias da opressão, baldões de orgulho,
Do mal prezado amor choradas mágoas,
Das leis a inércia, dos mandões a afronta,
E o vão desdém que de rasteiras almas
O paciente mérito recebe,
Quem, se na ponta da despida lâmina
Lhe acenara o descanso? Quem ao peso
De uma vida de enfados e misérias
Quereria gemer, se não sentira
Terror de alguma não sabida coisa
Que aguarda o homem para lá da morte,
Esse eterno país misterioso
Donde um viajor sequer há regressado?
Este só pensamento enleia o homem;
Este nos leva a suportar as dores
Já sabidas de nós, em vez de abrirmos
Caminho aos males que o futuro esconde,
E a todos acovarda a consciência.
Assim da reflexão à luz mortiça
A viva cor da decisão desmaia;
E o firme, essencial cometimento,
Que esta idéia abalou, desvia o curso,
Perde-se, até de ação perder o nome.

William Shakespeare

To be or not to be

[Spoken by Hamlet, Act 3 Scene 1]

To be, or not to be: that is the question:
Whether ’tis nobler in the mind to suffer
The slings and arrows of outrageous fortune,
Or to take arms against a sea of troubles,
And by opposing end them? To die: to sleep;
No more; and by a sleep to say we end
The heart-ache and the thousand natural shocks
That flesh is heir to, ’tis a consummation
Devoutly to be wish’d. To die, to sleep;
To sleep: perchance to dream: ay, there’s the rub;
For in that sleep of death what dreams may come
When we have shuffled off this mortal coil,

Must give us pause: there’s the respect
That makes calamity of so long life;
For who would bear the whips and scorns of time,
The oppressor’s wrong, the proud man’s contumely,
The pangs of despised love, the law’s delay,
The insolence of office and the spurns
That patient merit of the unworthy takes,
When he himself might his quietus make
With a bare bodkin? who would fardels bear,
To grunt and sweat under a weary life,
But that the dread of something after death,
The undiscover’d country from whose bourn
No traveller returns, puzzles the will
And makes us rather bear those ills we have
Than fly to others that we know not of?
Thus conscience does make cowards of us all;
And thus the native hue of resolution
Is sicklied o’er with the pale cast of thought,
And enterprises of great pith and moment
With this regard their currents turn awry,
And lose the name of action.
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Antologia de Poetas Estrangeiros — Seleção e Notas de Afonso Telles Alves, [diversos autores e tradutores], Volume VIII da coleção Antologia da Literatura Mundial, [1960], Livraria e Editora Logos Ltda., São Paulo — SP; William Shakespeare (1564 — 1616), nascido em Stratford-upon-Avon, poeta e dramaturgo inglês, é tido como o mais influente dramaturgo do mundo; de Shakespeare, consta que restaram até nossos dias 38 peças, 3154 sonetos, dois longos poemas narrativos e diversos outros poemas; suas peças foram traduzidas para os principais idiomas do globo e são revisitadas e interpretadas frequentemente pelo teatro, televisão, cinema e literatura — que o digam Romeu e Julieta e Hamlet, por exemplo; principais obras: escreveu comédias (Sonho de Uma Noite de Verão, O Mercador de Veneza, A Comédia de Erros, A Megera Domada, A Tempestade, Cimbelino, e tantas outras), tragédias (Tito Andrônico, Romeu e Julieta, Júlio César, Macbeth, Coriolano, Rei Lear, Otelo — O Mouro de Veneza, Hamlet etc.), dramas históricos (Rei João, Ricardo II, Ricardo III, Henrique IV — partes 1 e 2, Henrique V, Henrique VI — partes 1, 2 e 3, Henrique VIII e Eduardo III).