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segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Félix Contreras Rodrigues: quero-quero

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Sentinela avançada em descoberta
pela campina o quero-quero está,
teso o topete, em posição de alerta,
puas em riste, a catadura má.

Não senta em árvore, seu posto é lá
no chão e no ar que o seu clarim desperta
pronto a investir contra quem vem ou vá
com certeiros puaços, de asa aberta.

Notícias - “Lá vem o quero-quero, te cuida com o 'ferrão' do bicho ...

Em vôos de picada, audaz e fero
aos gritos chega, bate o bico-quero!
roçando seus encontros de condor.

O primitivo dono do Rio Grande
quer ser quem nestes pagos inda mande,
não se entregou ainda ao invasor!

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Livro dos Poemas — uma antologia de poetas brasileiros e portugueses, Organização e Notas de Sergio Faraco, 2009, L&PM Editores, Porto Alegre  — RS; Félix Contreras Rodrigues (1884 1960), ou Félix Contreiras Rodrigues, gaúcho de Bagé, iniciou a vida escolar no colégio Carneiro, em Bagé, bacharelando-se em Porto Alegre RS, foi advogado, professor, escritor, historiador e poeta; lecionou no Curso Pré-Jurídico, na Escola de Comércio e na Faculdade de Ciências Políticas e Econômicas da PUC Porto Alegre; usou o pseudônimo Piá do Sul em muitas de suas obras, particularmente as mais antigas; sua bibliografia: Compêndio de Economia Política, Farrapo memórias de um cavalo, Amores do Capitão Paulo Centeno, Gauchadas e Gauchismos (1926), Nair, Moça Moderna (1930) No Rastro d’Alma (1952).