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sábado, 10 de setembro de 2022

Claude McKay: América

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[traduzido por Oswaldino Marques]

Embora ela me ofereça o pão da amargura
E me sugando o alento, seus dentes de tigre
Em minha goela crave eu confesso que amo
Este inferno requintado que me põe à prova!

Seu vigor em ondas invade as minhas veias
E me reacende o ânimo contra o seu ódio.
Como um mar, sua grandeza alaga-me o ser,
Mas, tal um rebelde intrépido a encarar

Suntuoso rei entre suas paredes me ergo
Sem o mínimo medo, rancor ou escárnio.
Sombriamente perscruto os dias porvindouros

E vejo seu esplendor, seus titãs de granito
Sob a palma da mão inexorável do tempo,
Como inestimáveis tesouros, soçobrando na areia.

Claude McKay

America

Although she feeds me bread of bitterness,
And sinks into my throat her tiger’s tooth,
Stealing my breath of life, I will confess
I love this cultured hell that tests my youth!
Her vigor flows like tides into my blood,
Giving me strength erect against her hate.
Her bigness sweeps my being like a flood.
Yet as a rebel fronts a king in state,
I stand within her walls with not a shred
Of terror, malice, not a word of jeer.
Darkly I gaze into the days ahead,
And see her might and granite wonders there,
Beneath the touch of Time’s unerring hand,
Like priceless treasures sinking in the sand.
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Poemas Famosos da Língua Inglesa [diversos autores], Compilação, Tradução, Prefácios das 1ª e 2ª edições e Notas de Oswaldino Marques, edição bilíngue, volume 599 da Coleção Antologia de Poetas Universais, 1968, Edições de Ouro, Rio de Janeiro — RJ; Festus Claudius McKay ou Claude McKay (1889 1948), jamaicano de Clarendon, Middlesex, emigrou para os Estados Unidos em 1912, frequentou por dois anos a Escola de Agronomia de Kansas, mudou-se para Nova York, onde trabalhou como estivador, copeiro e garçom, foi escritor e poeta jamaico-americano; nesta época passou a colaborar nas revistas Seven Arts, Liberator e Pearson’s; em 1919 foi à Europa e, tendo retornado a Nova York, em 1921, passou a compor a diretoria da Liberator; em 1922 esteve na União Soviética por seis meses e, nessa ocasião, apareceu seu segundo livro de poemas, Harlem Shadows; foi figura expoente do Renascimento do Harlem, movimento literário da década de 1920; suas obras: Constab Ballads e Songs of Jamaica (ambos em 1912), Spring in New Hampshire and Other Poems (1920), Harlem Shadows (poesias, 1922), Home to Harlem (contos, 1928), Banjo (contos, 1929), Gingertown (poesias, 1932), Banana Bottom (contos, 1933), A Long Way from Home (romance autobiográfico, 1937), Harlem (estudo sobre a vida do negro em New York, 1940), The Selected Poems of Claude McKay (1953) e outras textos em verso e prosa.

segunda-feira, 8 de agosto de 2022

Claude McKay: Se temos que morrer

 
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[traduzido por Oswaldino Marques]

Se temos que morrer, não o seja como porcos,
Caçados e guardados em lugar infame,
Enquanto, em derredor, ferozes cães famintos
Latem, a escarnecer de nossa mísera sorte.

Se temos que morrer, que o seja nobremente,
Para que não corra à toa o precioso sangue,
E, então, as feras mesmas que desafiamos
Constrangidas serão a honrar os nossos corpos.

Ó enfrentemos, irmãos, o inimigo comum!
Mostremo-nos bravos, apesar de seu número,
Com um golpe mortal revidemos-lhes os golpes!

Que importa se aos pés as covas se escancaram?
Resistiremos, viris, à corja pusilânime,
De encontro ao muro, a agonizar, mas pelejando!

Claude McKay

If We Must Die

If we must die, let it not be like hogs
Hunted and penned in an inglorious spot,
While round us bark the mad and hungry dogs,
Making their mock at our accursèd lot.
If we must die, O let us nobly die,
So that our precious blood may not be shed
In vain; then even the monsters we defy
Shall be constrained to honor us though dead!
O kinsmen! we must meet the common foe!
Though far outnumbered let us show us brave,
And for their thousand blows deal one death-blow!
What though before us lies the open grave?
Like men we’ll face the murderous, cowardly pack,
Pressed to the wall, dying, but fighting back!
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Poemas Famosos da Língua Inglesa [diversos autores], Compilação, Tradução, Prefácios das 1ª e 2ª edições e Notas de Oswaldino Marques, edição bilíngue, volume 599 da Coleção Antologia de Poetas Universais, 1968, Edições de Ouro, Rio de Janeiro — RJ; Festus Claudius McKay ou Claude McKay (1889 1948), jamaicano de Clarendon, Middlesex, emigrou para os Estados Unidos em 1912, frequentou por dois anos a Escola de Agronomia de Kansas, mudou-se para Nova York, onde trabalhou como estivador, copeiro e garçom, foi escritor e poeta jamaico-americano; nesta época passou a colaborar nas revistas Seven Arts, Liberator e Pearson’s; em 1919 foi à Europa e, tendo retornado a Nova York, em 1921, passou a compor a diretoria da Liberator; em 1922 esteve na União Soviética por seis meses e, nessa ocasião, apareceu seu segundo livro de poemas, Harlem Shadows; foi figura expoente do Renascimento do Harlem, movimento literário da década de 1920; suas obras: Constab Ballads e Songs of Jamaica (ambos em 1912), Spring in New Hampshire and Other Poems (1920), Harlem Shadows (poesias, 1922), Home to Harlem (contos, 1928), Banjo (contos, 1929), Gingertown (poesias, 1932), Banana Bottom (contos, 1933), A Long Way from Home (romance autobiográfico, 1937), Harlem (estudo sobre a vida do negro em New York, 1940), The Selected Poems of Claude McKay (1953) e outras textos em verso e prosa.