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segunda-feira, 27 de maio de 2019

Albert Ehrenstein: Esperança

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[traduzido por Claudia Cavalcanti]

Não tenho poder
De dar olhos a pedras cegas.
Fácil, porém, a uma pobre
Desprezada, velha poltrona,
A quem falta um pé,
Dou alegria,
Sentando-me nela suavemente.

Sejam doces, ó Fortes!
E, reunindo poder à coragem,
Logo, quais santas, as pessoas serão
Desextasiadas de pobreza podre
E na sua existência
Os deuses morreram,
Encontram o céu.

(ca. 1916)

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Albert Ehrenstein

Hoffnung

Nicht habe ich Gewalt,
Augen zu geben blinden Steinen.
Leicht aber einem verachteten,
Armen, alten Sessel,
Dem ein Fuß fehlt,
Bringe ich Freude,
Mich zart auf ihn setzend.

Seid sanft, o ihr Starken!
Und, Macht versammelnd im Mut,
Bald werden, Seligen gleich, die Menschen
Entrauscht sein fahlkranker Armut
Und in ihrem Dasein,
Die Götter starben,
Finden den Himmel.

(ca. 1916)
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Poesia Expressionista Alemã: uma antologia, Organização e Tradução de Claudia Cavalcanti, edição bilíngue ilustrada, 2000, Estação Liberdade, São Paulo  SP; Albert Ehrenstein (1886  1950), austríaco de Viena, estudou história e filologia, doutorando-se em 1910, foi poeta, escritor e crítico literário; teve seus primeiros versos publicados na revista Die Fackel (O Facho), durante a Primeira Guerra trabalhou em editoras, em 1917 exilou-se na Suiça e, após o conflito, mudou-se para Viena e, depois, Berlim; desde então, empreendeu viagens pela Europa, África e Extremo Oriente; a partir daí, com a ascensão nazista, passou a viver na Suiça e, após, Nova Iorque, para onde se transferiu durante a Segunda Guerra e onde veio a falecer; bibliografia: Tubutsch (prosa, 1911), Der Selbstmord eins Katers (prosa, 1912), Der Mensch Schreit (poesia, 1916), Die rote Zeit (poesia, 1917), Briefe an Gott (poesia, 1922), Ritter des Todes (prosa, 1926), Das gelbe Lied (poesia, 1933) e outros; Albert Ehrenstein, juntamente com muitos outros autores, esteve na lista negra do nazismo e suas obras foram queimadas nas piras acesas em praças de Berlim; de sua biografia, consta que o poeta foi um dos mais radicais representantes de Viena no expressionismo em língua alemã, tendo sido sempre um inconformista.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

Albert Ehrenstein: Paz

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[traduzido por Claudia Cavalcanti]

As árvores espreitam o arco-íris,
A fonte de orvalho verdeja em calma fresca,
Três cordeiros pastam sua brancura,
Riacho-doce saboreia moças em seu banho.

Sol vermelho rola noite abaixo,
Nuvens-penugens morrem seu fogo-sonho.
Escuro sobre maré e seara.

Sapo-andarilho salta com grande olho,
A relva cinza também pula discreta.
Na profunda fonte soam minhas estrelas.
O vento-saudade ventila boa noite.

(ca. 1917)

Image of Ehrenstein, Albert
Albert Ehrenstein

Friede

Die Bäume lauschen dem Regenbogen,
Tauquelle grünt in junge Stille,
Drei Lämmer weiden ihre Weiße,
Sanftbach schlürft Mädchen in sein Bad.

Rotsonne rollt sich abendnieder,
Flaumwolken ihr Traumfeuer sterben.
Dunkel über Flut und Flur.

Frosch-Wanderer springt großen Auges,
Die graue Wiese hüpft leis mit.
Im tiefen Brunnen klingen meine Sterne.
Der Heimwehwind weht gute Nacht.

(ca. 1917)
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Poesia Expressionista Alemã: uma antologia, Organização e Tradução de Claudia Cavalcanti, edição bilíngue ilustrada, 2000, Estação Liberdade, São Paulo — SP; Albert Ehrenstein (1886  1950), austríaco de Viena,  estudou história e filologia, doutorando-se em 1910, foi poeta, escritor e crítico literário; teve seus primeiros versos publicados na revista Die Fackel (O Facho), durante a Primeira Guerra trabalhou em editoras, em 1917 exilou-se na Suiça e, após o conflito, mudou-se para Viena e, depois, Berlim; desde então, empreendeu viagens pela Europa, África e Extremo Oriente; a partir daí, com a ascensão nazista, passou a viver na Suiça e, após, Nova Iorque, para onde se transferiu durante a Segunda Guerra e onde veio a falecer; bibliografia: Tubutsch (prosa, 1911),  Der Selbstmord eins Katers (prosa, 1912), Der Mensch Schreit (poesia, 1916), Die rote Zeit (poesia, 1917), Briefe an Gott (poesia, 1922), Ritter des Todes (prosa, 1926), Das gelbe Lied (poesia, 1933) e outros; Albert Ehrenstein, juntamente com muitos outros autores, esteve na lista negra do nazismo e suas obras foram queimadas nas piras acesas em praças de Berlim; de sua biografia, consta que o poeta foi um dos mais radicais representantes de Viena no expressionismo em língua alemã, tendo sido sempre um inconformista.