____________________
[traduzido por Claudia Cavalcanti]
Não tenho poder
De dar olhos a pedras cegas.
Fácil, porém, a uma pobre
Desprezada, velha poltrona,
A quem falta um pé,
Dou alegria,
Sentando-me nela suavemente.
Sejam doces, ó Fortes!
E, reunindo poder à coragem,
Logo, quais santas, as pessoas serão
Desextasiadas de pobreza podre
E na sua existência
Os deuses morreram,
Encontram o céu.
(ca. 1916)
[traduzido por Claudia Cavalcanti]
Não tenho poder
De dar olhos a pedras cegas.
Fácil, porém, a uma pobre
Desprezada, velha poltrona,
A quem falta um pé,
Dou alegria,
Sentando-me nela suavemente.
Sejam doces, ó Fortes!
E, reunindo poder à coragem,
Logo, quais santas, as pessoas serão
Desextasiadas de pobreza podre
E na sua existência
Os deuses morreram,
Encontram o céu.
(ca. 1916)
| Albert Ehrenstein |
Hoffnung
Nicht habe ich Gewalt,
Augen zu geben blinden Steinen.
Leicht aber einem verachteten,
Armen, alten Sessel,
Dem ein Fuß fehlt,
Bringe ich Freude,
Mich zart auf ihn setzend.
Seid sanft, o ihr Starken!
Und, Macht versammelnd im Mut,
Bald werden, Seligen gleich, die Menschen
Entrauscht sein fahlkranker Armut
Und in ihrem Dasein,
Die Götter starben,
Finden den Himmel.
(ca. 1916)
____________________Poesia Expressionista Alemã: uma antologia, Organização e Tradução de Claudia Cavalcanti, edição bilíngue ilustrada, 2000, Estação Liberdade, São Paulo — SP; Albert Ehrenstein (1886 — 1950), austríaco de Viena, estudou história e filologia, doutorando-se em 1910, foi poeta, escritor e crítico literário; teve seus primeiros versos publicados na revista Die Fackel (O Facho), durante a Primeira Guerra trabalhou em editoras, em 1917 exilou-se na Suiça e, após o conflito, mudou-se para Viena e, depois, Berlim; desde então, empreendeu viagens pela Europa, África e Extremo Oriente; a partir daí, com a ascensão nazista, passou a viver na Suiça e, após, Nova Iorque, para onde se transferiu durante a Segunda Guerra e onde veio a falecer; bibliografia: Tubutsch (prosa, 1911), Der Selbstmord eins Katers (prosa, 1912), Der Mensch Schreit (poesia, 1916), Die rote Zeit (poesia, 1917), Briefe an Gott (poesia, 1922), Ritter des Todes (prosa, 1926), Das gelbe Lied (poesia, 1933) e outros; Albert Ehrenstein, juntamente com muitos outros autores, esteve na lista negra do nazismo e suas obras foram queimadas nas piras acesas em praças de Berlim; de sua biografia, consta que o poeta foi um dos mais radicais representantes de Viena no expressionismo em língua alemã, tendo sido sempre um inconformista.

