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Ouço uma fonte
É uma fonte noturna
Jorrando.
É uma fonte perdida
No frio.
É uma fonte invisível.
É um soluço incessante,
Molhado, cantando.
É uma voz lívida.
É uma voz caindo
Na noite densa
E áspera.
É uma voz que não chama.
É uma voz nua.
É uma voz fria.
É uma voz sozinha.
É a mesma voz.
É a mesma queixa.
É a mesma angústia,
Sempre inconsolável.
É uma fonte invisível,
Ferindo o silêncio,
Gelada jorrando,
Perdida na noite.
É a vida caindo
No tempo!
(Fonte Invisível — 1949)
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Seleta em
Prosa e Verso de Augusto Frederico Schmidt, Organização, estudo e notas do Professor
Sílvio Elia, 1975, Livraria José Olympio Editora, Rio de Janeiro — RJ; Augusto
Frederico Schmidt (1906 — 1965), carioca, fez seus estudos no Colégio Champs-Soleil
(Lausanne — Suiça), nos colégios São José, São Bento e Liceu Francês (todos do Rio
de Janeiro) e no Colégio Americano Granbery, de Juiz de Fora — MG, foi poeta, editor e livreiro, além de empresário
de sucesso; teve seus primeiros textos divulgados n'O Beira Mar, um jornalzinho
de Copacabana, e na revista Souza Cruz; depois, colaborou assiduamente na imprensa
diária (jornais Correio da Manhã e O Globo, entre outros periódicos); em 1928, escreveu
e publicou seus primeiros poemas, Canto do Brasileiro e, logo após, vieram os três
Cantos do Liberto; suas obras: Navio Perdido (livro considerado de estréia, 1929),
Pássaro Cego (1930), Desaparição da Amada (1931), Canto da Noite (1934), Estrela
Solitária (1940), Mar Desconhecido (1942), O Galo Branco (prosa: memórias, diários,
confissões, 1948 e 2ª edição, 1957); Fonte Invisível (1949), Os Reis (1953), Poesias
Completas (1956), Caminho do Frio (1964) e outros títulos em verso e prosa; como
editor e livreiro, dono da Livraria Schmidt Editora, lançou autores de maior relevância
na época: Graciliano Ramos, Gilberto Freyre, Jorge Amado, José Geraldo Vieira, Lúcio
Cardoso e outros; em São Paulo, participou do Movimento Modernista.


