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Versos — mendigos de mantos reais —,
Ide, que vos esperam sete espadas.
Fugi aos olhos d’oiros senhoriais:
Antes a prece aldeã pelas estradas...
Ide arrastar o meu burel de monge;
(Quanta saudade esse burel traduz...)
Se encontrardes o Mundo, tende-o longe,
Porque os seus braços são braços de cruz.
Direis a uns Olhos — Olhos onde a sorte
Pôs meu Ser a rezar, como em altares —
Que me vou de caminho para a Morte.
E a Morte... essa verá, na triste hosana
Do poente roxo que orla os meus olhares,
Como anoitece uma existência humana.
(Luar de Hinverno — 1900)
História da Literatura Brasileira — Simbolismo: Massaud Moisés,
1988, 2ª edição, Editora Cultrix, São Paulo — SP; Manuel Azevedo da Silveira Neto
(1872 — 1942), paranaense de Morretes, foi poeta, desenhista, crítico de arte, conferencista
e orador; iniciou o curso de humanidades (estudos interrompidos), entrou para a
Litografia de Narciso Filgueiras, onde estudou gravura e desenhos em pedra, e ingressou
na Escola de Belas Artes de Curitiba; prestou concurso e passou a trabalhar na Fazenda
Federal; integrou a revista O Cenáculo, periódico de um grupo de mesmo nome, em
que participava junto de outros autores simbolistas — Dario Veloso e Júlio Perneta,
entre eles; mudando para o Rio de Janeiro, passou a freqüentar rodas poéticas na
companhia de Nestor Vítor e Cruz e Sousa; sua obra: Pela consciência (opúsculo,
1898), Antonio Nobre (elegia, 1900), Luar de Hinverno (poesias, 1900), Brasílio
Itiberê (elegia com música, 1913), Do Guaíra aos Saltos do Iguaçu (1914), Ronda
Crepuscular (poesias, 1923), Cruz e Sousa (ensaio, 1924), O Bandeirante (1927) etc;
Silveira Neto também foi criador da revista A Luta, além de ter colaborado com as
revistas Azul, O Sapo, Breviário, todas de Curitiba, Terra do Sol, Festa, no Rio
de Janeiro, e em outros periódicos pelo país
afora e no estrangeiro.





