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[traduzido por Álvaro Moreyra]
Foi de uma doença do coração
Que mamãe morreu, disse o doutor,
E que eu hei de ir lá onde ela está
Para dormir junto dela.
Escuto meu coração batendo,
E mamãe que me chama!
Todos riem de mim nas ruas,
Dos meus jeitos desengonçados;
Pareço um menino bêbado,
Meu Deus! É que o ar me falta,
Tenho medo de cair.
Escuto meu coração batendo,
E mamãe que me chama!
Às vezes vou pelos campos
Na hora do fim do dia
E choro, choro,
E o sol, não sei porque,
Me parece um coração aceso.
Escuto meu coração batendo,
E mamãe que me chama!
Ah, se a vizinha Genoveva
Quisesse o meu coração…
Ah, se ela quisesse!
Sou amarelo, tão triste,
Ela é cor-de-rosa, alegre, bonita.
Escuto meu coração batendo,
É mamãe que me chama!
Sim, todo mundo é mau,
Menos o sol no poente
E mamãe.
E eu quero ir lá onde ela está
Dormir junto dela.
Meu coração bate, bate…
Mamãe, és tu que estás me chamando?
La chanson du petit hypertrophique
C’est d’un’ maladie d’coeur
Qu’est mort’, m’a dit l’docteur,
Tir-lan-laire!
Ma pauv’mère;
Et que j’irai là-bas,
Fair’ dodo z’avec elle.
J’entends mon cœur qui bat,
C’est maman qui m’appelle!
On rit d’ moi dans les rues,
De mes min’s incongrues
La-i-tou!
D’enfant saoul;
Ah! Dieu! C’est qu’à chaqu’ pas
J’étouff’, moi, je chancelle!
J'entends mon cœur qui bat,
C’est maman qui m’appelle!
Aussi j’ vais par les champs
Sangloter aux couchants,
La-ri-rette!
C’est bien bête.
Mais le soleil, j’ sais pas,
M’ semble un coeur qui ruisselle!
J’entends mon coeur qui bat,
C’est maman qui m’appelle!
Ah! si la p’tit’ Gen’viève
Voulait d’ mon coeur qui s’ crève.
Pi-lou-i!
Ah, oui!
J’ suis jaune et triste, hélas!
Elle est ros’, gaie et belle!
J'entends mon cœur qui bat,
C’est maman qui m’appelle!
Non, tout l’ monde est méchant,
Hors le coeur des couchants,
Tir-lan-laire!
Et ma mère,
Et j’ veux aller là-bas
Fair’ dodo z’avec elle…
Mon coeur bat, bat, bat, bat…
Dis, Maman, tu m’appelles?
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Antologia de Poetas Franceses do
séc. XV ao séc. XX — O Livro de Ouro da Poesia da França, [111 autores e muitos
tradutores], Organização e Prefácio de R. Magalhães Jr. e Introdução de Michel Simon,
Clássicos de bolso Ediouro — nº 12126, sem data [1985 ?], Editora Tecnoprint S.
A., Rio de Janeiro — RJ; Julio Laforgue ou Jules Laforgue (1860 — 1887), nascido em Montevidéu — Uruguai, mas desde os seis anos de idade residindo
na França, terra de seus pais, foi poeta, romancista, ensaísta e tradutor franco-uruguaio;
fez seus estudos iniciais no Liceu de Tarbes, concluindo-os em Paris, no hoje Liceu
Condorcet, depois passou pela Escola de Belas Artes, também em Paris, e em 1879
publicou sua primeira poesia; escreveu cerca de duas centenas de poemas, além de
prosa criativa e prosa crítica; de sua biografia consta que sua poética influenciou
fortemente T. S. Eliot, Ezra Pound e Marcel Duchamp; traduziu Walt Whitman; Jules
Laforgue foi um dos primeiros poetas franceses a escrever em versos livres, o primeiro
a fazê-lo de forma sistemática; suas obras: publicou em vida apenas quatro livros,
Les Complaintes (1885), L’Imitation de Notre Dame de la Lune, Le Concile Féerique
(ambos em 1886) e Moralidades Lendárias (1887); postumamente vieram à luz Derniers
Vers (1890), Mélanges Posthumes (1903), a maior parte de sua obra só foi publicada
postumamente; no Brasil, sua poética fertilizou Manuel Bandeira e Carlos Drummond
de Andrade; morreu aos 27 anos, de tuberculose; foi também contista.
