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terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Luís Aranha: Paulicéia Desvairada

Resultado de imagem para klaxon revistas do modernismo 1922 1929
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Convulsões telúricas
Estesia
Fendas
Mário de Andrade escreve a Paulicéia
Nem o sismógrafo de Pachwitz mede os tremores do teu coração
Ebulição
Sarcasmo
Ódio vulcânico
Tua piedade
Escreveste com um raio de sol
No Brasil
Aurora de arte século XX
Como na pintura Anna Malfatti que pintou o teu retrato
Catodografia
Um momento de tua vida estampado no teu livro
Roentgen
Raios X
Mas há todos os brilhos
Ar rarefeito de poesia
Quilômetros quadrados 9 milhões
Tubo de Crookes
Os raios catódicos de teu lirismo colorem as materialidades incolores
Aquecimento
No tubo
Havia também uma cruz
Tua religião
Fluorescência
Não és futurista
Há nos teus poemas raios ultravioletas
Torrentes de cores
Teu retrato
Teu livro
Porque o arco íris é seu pincel
E é tua pena também

(Klaxon nº 4, São Paulo, 15 ago. 1922, p. 11)

LUIS ARANHA
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Klaxon — Revistas do Modernismo 1922 — 1929 (edição fac-similar), Organização de Pedro Puntoni e Samuel Titan Jr. e Ensaio de Gênese Andrade, 2014, Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, São Paulo, SP; Luís Aranha Pereira (1901 1987), paulista e paulistano, estudou no Colégio dos Irmãos Maristas, formou-se pela Faculdade de Direito do Largo São Francisco (atual USP), foi poeta e diplomata; pelas relações familiares com Mário de Andrade, tomou contato com os modernistas, participou da Semana de Arte Moderna de 1922 e colaborou regularmente com a revista Klaxon, periódico dos modernistas; abandonou a poesia, ingressou por concurso no Ministério das Relações Exteriores e passou a exercer a diplomacia em diversas funções em embaixadas brasileiras de vários países; sua poesia foi reunida em Cocktails (1984), por iniciativa do poeta Nelson Ascher e do arquiteto e crítico de arte Rui Moreira Leite: poemas publicados nas edições da Klaxon e ‘datilocristo’ do autor, entregue a Mario de Andrade na década de 20.

sexta-feira, 8 de julho de 2016

Luís Aranha *: O trem

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Trem, tu que corres nos trilhos,
Imensos braços de aço
Sobre o leito com brilhos
De calhaus e vidrilhos,
Tu és mais livre que meu pensamento
Entorpecido e lento.
Ó trem!
Nada no espaço te detém!
Se vejo a tua corrida brava,
Meu pensamento
Tem um surto violento
Para seguir teu ímpeto de guerra
Até os confins da terra.

LUIS ARANHA


* No Prefácio da 1ª. edição desta Antologia, o poeta Vinícius de Moraes escreveu a propósito dos bissextos: “... poetas que nós, seus íntimos, chamamos cordialmente de bissextos — poetas sem livros de versos — bissextos pela escassez de sua produção, cuja excelência sem embargo os coloca ao lado dos mais citados”.
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Antologia dos Poetas Brasileiros — Bissextos Contemporâneos, Organização de Manuel Bandeira, 1996, Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro — RJ; Luís Aranha Pereira (1901 1987), paulista e paulistano, estudou no Colégio dos Irmãos Maristas, formou-se pela Faculdade de Direito do Largo São Francisco (atual USP), foi poeta e diplomata; pelas relações familiares com Mário de Andrade, tomou contato com o Modernismo, participou da Semana de Arte Moderna e colaborou regularmente com a revista Klaxon, periódico dos modernistas; abandonou a poesia, ingressou por concurso no Ministério das Relações Exteriores e passou a exercer a diplomacia em diversas funções em embaixadas brasileiras de vários países; sua poesia foi reunida em Cocktails (1984), por iniciativa do poeta Nelson Ascher e do arquiteto e crítico de arte Rui Moreira Leite: poemas publicados nas edições da Klaxon e ‘datilocristo’ do autor, entregue a Mario de Andrade na década de 20.