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segunda-feira, 25 de abril de 2022

Lord Byron, George Gordon: Epitáfio & Epigrama

 
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[traduzido por José Lino Grünewald]

Epigrama

Oh, Castlereagh! você é um patriota agora;
Cato morreu pela pátria, assim você na hora:
Pereceu para não ver Roma como escrava,
Corta a garganta se a Inglaterra for salva.

Epitáfio

Posteridade nunca há de rever
Sepultura mais nobre do que esta:
Aqui jazem os ossos de Castlereagh
Pare, viajante 

[e mije] Digo isto, se for o caso...

Lord Byron

Epigram

Oh, Castlereagh! thou art a patriot now;
Cato died for his country, so didst thou:
He perished rather than see Rome enslaved,
Thou cutt'st thy throat that Britain may be saved!

Epitaph

Posterity will ne’er survey
A nobler grave than this:
Here lie the bones of Castlereagh:
Stop, traveler

[and piss] I mention this, just in case...
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Grandes Poetas da Língua Inglesa do Século XIX, edição bilíngue, Seleção, Tradução e Organização de José Lino Grünewald, 1988, Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro — RJ; George Gordon, George Gordon Byron ou Lord Byron (1788 1824), inglês e londrino, barão, foi poeta e revolucionário; levou uma vida radical, em termos de aventuras e escândalos, tornando-se assim o mais famoso dos românticos ingleses; o seu satanismo foi precursor do de Baudelaire; Byron, junto com Shelley e Leigh Hunt, foi um dos fundadores do jornal O Liberal, em Pisa Itália; escreveu e publicou Hours of Idleness (Horas de Ócio, 1807), vieram depois os poemas longos e suas subdivisões em cantos, Childe Harold, Don Juan (18191824), Marino Faliero, Doge de Veneza (peça), além de The Corsair (O Corsário, 1814), Lara, Beppo, The Prisioner of Chillon (O Prisioneiro de Chillon, 1816), e tantos outros textos; também participou lutando com os gregos na guerra contra os turcos, ocasião em que morreu.

domingo, 16 de janeiro de 2022

Lord Byron, George Gordon: Estrofes para a Música

 

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[traduzido por José Lino Grünewald]

Não há filha da Beleza
    Com mágica como a tua
E, tal música nas águas,
    Tua voz em mim atua:
Quando, com seu som vem motivar
O encantado oceano a vacilar,
As ondas pairam calmas e brilhando
E os ventos em sossego divagando:

E a lua à meia-noite elaborando
    Seu luzente colar sobre a descida;
O seio docemente palpitando
    Como criança adormecida:
Assim o espírito inclinado a ti
A fim de ouvir e adorar a ti
Com plena mas suave comoção,
Como o inflar do oceano do Verão.

Lord Byron

Stanzas for Music

There be none of Beauty’s daughters
    With a magic like thee;
And like music on the waters
    Is thy sweet voice to me:
When, as if its sound were causing
The charmed ocean's pausing,
The waves lie still and gleaming,
And the lulled winds seem dreaming:

And the midnight moon is weaving
    Her bright chain o’er the deep;
Whose breast is gently heaving,
    As an infant's asleep:
So the spirit bows before thee,
To listen and adore thee;
With a full but soft emotion,
Like the swell of Summer’s ocean.

* Nota da edição: By tradition, this poem, written in March 1816, is addressed to Claire Clarmont.
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Grandes Poetas da Língua Inglesa do Século XIX, edição bilíngue, Seleção, Tradução e Organização de José Lino Grünewald, 1988, Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro — RJ; George Gordon, George Gordon Byron ou Lord Byron (1788 1824), inglês e londrino, barão, foi poeta e revolucionário; levou uma vida radical, em termos de aventuras e escândalos, tornando-se assim o mais famoso dos românticos ingleses; o seu satanismo foi precursor do de Baudelaire; Byron, junto com Shelley e Leigh Hunt, foi um dos fundadores do jornal O Liberal, em Pisa Itália; escreveu e publicou Hours of Idleness (Horas de Ócio, 1807), vieram depois os poemas longos e suas subdivisões em cantos, Childe Harold, Don Juan (1819—1824), Marino Faliero, Doge de Veneza (peça), além de The Corsair (O Corsário, 1814), Lara, Beppo, The Prisioner of Chillon (O Prisioneiro de Chillon, 1816), e tantos outros textos; também participou lutando com os gregos na guerra contra os turcos, ocasião em que morreu.

sábado, 1 de janeiro de 2022

Lord Byron, George Gordon: Soneto de Chillon

 
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[traduzido por José Lino Grünewald]

Alma eterna da mente sem cadeias!
De mais brilho em masmorras. Liberdade!
Pois lá é o coração a tua herdade
Ela a quem só por ti o amor enleia;
E quando acorrentados ao relento
Teus filhos em grilhões, cela sombria,
Sua terras conquistam na agonia
E a Liberdade acha asa em cada vento.

Chillon! tua prisão é um santo espaço
E, altar, teu solo triste pois pisado,
Até que o próprio andar deixasse um traço
Gasto, tal fosse o chão frio um relvado,
Por Bonnivard*! Não sumam esses passos!
A tirania, a Deus, têm revelado.

Lord Byron

Sonett on Chillon

Eternal Spirit of the chainless Mind!
Brightest in dungeons, Liberty! thou art;
For there thy habitation is the heart
The heart which love of thee alone can bind;
And when thy sons to fetters are consigned
To fetters, and the damp vault’s dayless gloom,
Their country conquers with their martyrdom,
And Freedom’s fame finds wings on every wind.

Chillon! thy prison is a holy place,
And thy sad floor an altar for ’twas trod,
Until his very steps have left a trace
Worn, as if thy cold pavement were a sod,
By Bonnivard! May none those marks efface!
For they appeal from tyranny to God.

* Nota deste Verso e Conversa: o atrevido aprendiz de blogueiro desta página registra que, em Poesias de Lorde Byron, 1989, Art Editora, São Paulo  SP, o tradutor e organizador Péricles Eugênio da Silva Ramos anota o que se segue: a) François de Bonnivard (Seyssel, 1493  Genebra, 1570), historiador e patriota genebrino, esteve encarcerado por seis anos (15301536) no castelo de Chillon, junto ao lago Leman, por Carlos III, duque de Sabóia, sendo afinal libertado pelos bernenses; b) Sonnet on Chillon abre The Prisoner of Chillon, que Byron escreveu em junho de 1816, na Suiça, quando não pôde, por causa do mau tempo, sair durante dois dias de um pequeno albergue na aldeia de Ouchy, perto de Lausanne.
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Grandes Poetas da Língua Inglesa do Século XIX, edição bilíngue, Seleção, Tradução e Organização de José Lino Grünewald, 1988, Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro — RJ; George Gordon, George Gordon Byron ou Lord Byron (1788 1824), inglês e londrino, barão, foi poeta e revolucionário; levou uma vida radical, em termos de aventuras e escândalos, tornando-se assim o mais famoso dos românticos ingleses; o seu satanismo foi precursor do de Baudelaire; Byron, junto com Shelley e Leigh Hunt, foi um dos fundadores do jornal O Liberal, em Pisa Itália; escreveu e publicou Hours of Idleness (Horas de Ócio, 1807), vieram depois os poemas longos e suas subdivisões em cantos, Childe Harold, Don Juan (18191824), Marino Faliero, Doge de Veneza (peça), além de The Corsair (O Corsário, 1814), Lara, Beppo, The Prisoner of Chillon (O Prisioneiro de Chillon, 1816), e tantos outros textos; também participou lutando com os gregos na guerra contra os turcos, ocasião em que morreu.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2018

Lorde Byron: A Visão de Baltasar *

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[traduzido por Péricles Eugênio da Silva Ramos]

O rei estava no trono,
Os sátrapas no salão;
Mil lâmpadas, de clarão
Enchiam o festival.
Por mil vasos de Jeová,
Todos santos em Judá
 Taças de ouro sem igual 
Fluía o vinho pagão.

Na mesma hora e salão
Os dedos de estranha mão
Na parede se moveram,
Como em areia escreveram:
Eram dedos de varão,
Mas, isolada, essa mão
A parede percorreu:
Letras, qual vara, escreveu.

Viu o monarca, e tremeu,
Não mais mandou que festassem;
Pôs-se exangue o rosto seu,
Sua voz estremeceu.
“Os homens de mais saber
Que venham e expliquem logo
Essas palavras de fogo
Que estragam nosso prazer.”

Os caldeus são bons videntes,
Mas nisso foram inscientes;
E as letras, não traduzidas,
Seguiram desconhecidas.
E os anciãos da Babel,
Que são de extremo saber,
Já não tinham conhecer,
Viam, mas sem compreender.

Um cativo dessa gente,
Um jovem que era estrangeiro,
O mando ouviu, real e urgente,
E o escrito achou verdadeiro.
Das lâmpadas ao clarão,
Bem se via a predição.
Nessa noite ele a explicou,
O outro dia a comprovou:

“Já vai jazer, Baltasar.
Seu reino já está passado;
Ele é, em balança pesado,
Leve argila desvaliosa;
Lage, é seu dossel sem par,
Mortalha, a roupa faustosa.
Está às portas a hoste adversa;
No seu trono, vejo o persa!”

lord_byron
Lorde Byron

The Vision of Belshazzar

The King was on his throne,
    The Satraps thronged the hall:
A thousand bright lamps shone
    O’er that high festival.
A thousand cups of gold,
    In Judah deemed divine 
Jehovah’s vessels hold
    The godless Heathen’s wine.

In that same hour and hall,
    The fingers of a hand
Came forth against the wall,
    And wrote as if on sand:
The fingers of a man; 
    A solitary hand
Along the letters ran,
    And traced them like a wand.

The monarch saw, and shook,
    And bade no more rejoice;
All bloodless waxed his look,
    And tremulous his voice.
‘Let the men of lore appear,
    The wisest of the earth,
And expound the words of fear,
    Which mar our royal mirth.’

Chaldea’s seers are good,
    But here they have no skill;
And the unknown letters stood
    Untold and awful still.
And Babel’s men of age
    Are wise and deep in lore;
But now they were not sage,
    They saw  but knew no more.

A captive in the land,
    A stranger and a youth,
He heard the king’s command,
    He saw that writing’s truth.
The lamps around were bright,
    The prophecy in view;
He read it on that night, 
    The morrow proved it true.

'Belshazzar’s grave is made,
    His kingdom passed away,
He, in the balance weighed,
    Is light and worthless clay;
The shroud his robe of state,
    His canopy the stone;
The Mede is at his gate!
    The Persian on his throne!'


* Nota de Péricles Eugênio da Silva Ramos: Este poema, que faz parte das Melodias Hebraicas (1815), foi traduzido por Costa Meireles (1869) e Oliveira Silva (1875). O tema sugestionou os nossos românticos, como demonstram a “Babilônia”, de Cardoso de Meneses e Souza Júnior e “O Festim de Baltasar", de Elzeário da Lapa Pinto.
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Poesias de Lorde Byron — Introdução, Tradução e Notas de Péricles Eugênio da Silva Ramos — edição bilíngue — Coleção Toda Poesia 8, 1989, Art Editora, São Paulo — SP; George Gordon, George Gordon Byron ou Lord Byron (1788  1824), inglês e londrino, barão, foi poeta e revolucionário; levou uma vida radical, em termos de aventuras e escândalos, tornando-se assim o mais famoso dos românticos ingleses; o seu satanismo foi precursor do de Baudelaire; Byron, junto com Shelley e Leigh Hunt, foi um dos fundadores do jornal O Liberal, em Pisa  Itália; escreveu e publicou Hours of Idleness (Horas de Ócio, 1807), vieram depois os poemas longos e suas subdivisões em cantos, Childe HaroldDon Juan (18191824),  Marino FalieroDoge de Veneza (peça), além de The Corsair (O Corsário, 1814), LaraBeppoThe Prisioner of Chillon (O Prisioneiro de Chillon, 1816), e tantos outros textos; também participou lutando com os gregos na guerra contra os turcos, ocasião em que morreu.

domingo, 2 de dezembro de 2018

Lorde Byron: Soneto sobre Chillon

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[traduzido por Péricles Eugênio da Silva Ramos]

Eterno Espírito da insubjugável Mente!
No calabouço brilhas mais, ó Liberdade,
Pois lá no coração habitas de verdade,
No coração que prende o teu amor somente.

Quando teus filhos são entregues à corrente
E ao perpétuo negro de úmida cavidade,
A pátria vence com o martírio da hombridade,
E a fama de ser livre ao vento se ala, ardente!

Chillon! tua prisão é um lugar sagrado
E altar teu triste chão, pois ele foi pisado
 Até gastar-se com o vestígio de seu passo,

Qual se fosse de terra o piso nesse espaço 
Por Bonnivard*! Ninguém apague os rastros seus,
Pois apelam da tirania para Deus!

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Lorde Byron

Sonnet on Chillon

Eternal Spirit of the chainless Mind! 
    Brightest in dungeons, Liberty! thou art;
    For there thy habitation is the heart 
The heart which love of thee alone can bind;
And when thy sons to fetters are consigned — 
    To fetters, and the damp vault’s dayless gloom, 
    Their country conquers with their martyrdom, 
And Freedom’s fame finds wings on every wind.
Chillon! thy prison is a holy place, 
    And thy sad floor an altar  for ’twas trod, 
Until his very steps have left a trace
    Worn, as if thy cold pavement were a sod, 
By Bonnivard May none those marks efface! 
    For they appeal from tyranny to God.



* Nota de Péricles Eugênio da Silva Ramos: François de Bonnivard (Seyssel, 1493  Genebra, 1570), historiador e patriota genebrino, esteve encarcerado por seis anos (15301536) no castelo de Chillon, junto ao lago Leman, por Carlos III, duque de Sabóia, sendo afinal libertado pelos bernenses.
O soneto abre The Prisoner of Chillon, que Byron escreveu em junho de 1816, na Suiça, quando não pôde, por causa do mau tempo, sair durante dois dias de um pequeno albergue na aldeia de Ouchy, perto de Lausanne.
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Poesias de Lorde Byron — Introdução, Tradução e Notas de Péricles Eugênio da Silva Ramos — edição bilíngue — Coleção Toda Poesia 8, 1989, Art Editora, São Paulo — SP; George Gordon, George Gordon Byron ou Lord Byron (1788  1824), inglês e londrino, barão, foi poeta e revolucionário; levou uma vida radical, em termos de aventuras e escândalos, tornando-se assim o mais famoso dos românticos ingleses; o seu satanismo foi precursor do de Baudelaire; Byron, junto com Shelley e Leigh Hunt, foi um dos fundadores do jornal O Liberal, em Pisa  Itália; escreveu e publicou Hours of Idleness (Horas de Ócio, 1807), vieram depois os poemas longos e suas subdivisões em cantos, Childe HaroldDon Juan (18191824), Marino FalieroDoge de Veneza (peça), além de The Corsair (O Corsário, 1814), Lara, Beppo, The Prisioner of Chillon (O Prisioneiro de Chillon, 1816), e tantos outros textos; também participou lutando com os gregos na guerra contra os turcos, ocasião em que morreu.

sábado, 24 de novembro de 2018

Lorde Byron: Assim, não Mais Iremos Vaguear *

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[traduzido por Péricles Eugênio da Silva Ramos]

               I

    Tarde assim dentro da noite
    Não mais iremos vaguear,
Embora o coração inda ame tanto
E a lua continue a fulgurar.

               II

Pois mais do que a bainha dura a espada
        E a alma gasta o peito
E o coração faz pausa para respirar
    E o amor para descansar.

               III

Embora o dia volte muito cedo
E a noite fosse feita para amar,
    Não mais iremos vaguear
               Ao luar.

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Lorde Byron

So, We’ll Go no More A-roving

               I

So, we’ll go no more a-roving
    So late into the night,
Though the heart be still as loving,
    And the moon be still as bright.

               II

For the sword outwears its sheath,
    And the soul wears out the breast,
And the heart must pause to breathe,
    And love itself have rest.

               III

Though the night was made for loving,
    And the day returns too soon,
Yet we’ll go no more a-roving
    By the light of the moon.


* Nota de Péricles Eugênio da Silva Ramos: Esta canção foi escrita em Veneza, 1817. Parece refletir passeios de gôndola, à noite.
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Poesias de Lorde Byron — Introdução, Tradução e Notas de Péricles Eugênio da Silva Ramos — edição bilíngue — Coleção Toda Poesia 8, 1989, Art Editora, São Paulo — SP; George Gordon, George Gordon Byron ou Lord Byron (1788  1824), inglês e londrino, barão, foi poeta e revolucionário; levou uma vida radical, em termos de aventuras e escândalos, tornando-se assim o mais famoso dos românticos ingleses; o seu satanismo foi precursor do de Baudelaire; Byron, junto com Shelley e Leigh Hunt, foi um dos fundadores do jornal O Liberal, em Pisa  Itália; escreveu e publicou Hours of Idleness (Horas de Ócio, 1807), vieram depois os poemas longos e suas subdivisões em cantos, Childe HaroldDon Juan (18191824),  Marino FalieroDoge de Veneza (peça), além de The Corsair (O Corsário, 1814), LaraBeppoThe Prisioner of Chillon (O Prisioneiro de Chillon, 1816), e tantos outros textos; também participou lutando com os gregos na guerra contra os turcos, ocasião em que morreu.

sábado, 10 de fevereiro de 2018

Lorde Byron: Versos inscritos numa Taça Feita de um Crânio *

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[traduzido por Péricles Eugênio da Silva Ramos]

Não, não te assustes: não fugiu o meu espírito;
    Vê em mim um crânio, o único que existe,
Do qual, muito ao contrário de uma fronte viva,
    Tudo aquilo que flui jamais é triste.

Vivi, amei, bebi, tal como tu; morri;
    Que renuncie a terra aos ossos meus;
Enche! Não podes injuriar-me; tem o verme
    Lábios mais repugnantes do que os teus.

Antes do que nutrir a geração dos vermes,
    Melhor conter a uva espumejante;
Melhor é como taça distribuir o néctar
Dos deuses, que a ração da larva rastejante.

Onde outrora brilhou, talvez, minha razão,
Para ajudar os outros brilhe agora eu;
Substituto haverá mais nobre que o vinho
    Se o nosso cérebro já se perdeu?

Bebe enquanto puderes; quando tu e os teus
    Já tiverdes partido, uma outra gente
Possa te redimir da terra que abraçar-te,
E festeje com o morto e a própria rima tente.

E por que não? Se as frontes geram tal tristeza
    Através da existência  curto dia ,
    Redimidas dos vermes e da argila
Ao menos possam ter alguma serventia.

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Lorde Byron

Lines Inscribed upon a Cup Formed from a Skull

Start not  nor deem my spirit fled: 
    In me behold the only skull,
From which, unlike a living head, 
    Whatever flows is never dull.

I lived, I loved, I quaffed like thee:
    I died: let earth my bones resign;
Fill up  thou canst not injure me; 
    The worm hath fouler lips than thine.

Better to hold the sparkling grape,
    Than nurse the earth-worm’s slimy brood,
And circle in the goblet’s shape 
    The drink of gods, than reptile’s food.

Where once my wit, perchance, hath shone, 
    In aid of others’ let me shine; 
And when, alas! our brains are gone, 
    What nobler substitute than wine?

Quaff while thou canst; another race, 
    When thou and thine, like me, are sped, 
May rescue thee from earth’s embrace, 
    And rhyme and revel with the dead.

Why not? since through life’s little day 
    Our heads such sad effects produce; 
Redeem’d from worms and wasting clay, 
    This chance is theirs, to be of use.


* Nota de Péricles Eugênio da Silva Ramos: Esta poesia  escrita na Abadia de Newstead, em 1808  pareceu muito atraente a poetas nossos como Castro Alves, que a traduziu. O mesmo fez Luís Delfino, que se valeu, segundo Onédia Célia, de interposta tradução francesa. A taça realmente existiu e foi usada por Byron e amigos em festa em Newstead.
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Poesias de Lorde Byron — Introdução, Tradução e Notas de Péricles Eugênio da Silva Ramos — edição bilíngue — Coleção Toda Poesia 8, 1989, Art Editora, São Paulo — SP; George Gordon, George Gordon Byron ou Lord Byron (1788  1824), inglês e londrino, barão, foi poeta e revolucionário; levou uma vida radical, em termos de aventuras e escândalos, tornando-se assim o mais famoso dos românticos ingleses; o seu satanismo foi precursor do de Baudelaire; Byron, junto com Shelley e Leigh Hunt, foi um dos fundadores do jornal O Liberal, em Pisa  Itália; escreveu e publicou Hours of Idleness (Horas de Ócio, 1807), vieram depois os poemas longos e suas subdivisões em cantos, Childe HaroldDon Juan (18191824), Marino FalieroDoge de Veneza (peça),  além de The Corsair (O Corsário, 1814), LaraBeppoThe Prisioner of Chillon (O Prisioneiro de Chillon, 1816), e tantos outros textos; também participou lutando com os gregos na guerra contra os turcos, ocasião em que morreu.