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[traduzido por João Ribeiro]
Num canto da floresta escura e
densa
Por sobre a fonte curva-se um
loureiro,
Nua, à ramada a Oréa de
suspensa
Sobre a água dependura o corpo
inteiro.
Ao banho, as ninfas; rápido e
ligeiro!
E ei-las, as manchas de
brancura intensa
Dos corpos nus, evípedes; e o
cheiro
Que a nuvem d’ouro do cabelo
incensa!...
Lançam-se a nado as deusas em
peleja
Mas súbito rompendo os negros
flancos
Do bosque, o olhar d’um Sátiro
flameja...
E, nuas, elas trepam-se aos
barrancos...
Tal à vista d’um corvo que
fareja
Debanda a multidão dos cisnes
brancos!
Le
bain des nymphes
C’est un vallon sauvage abrité
de l’Euxin;
Au-dessus de la Source un noir
laurier se penche,
Et la Nymphe, riant, suspendue
à la branche,
Frôle d’un pied craintif l’eau
froide du bassin.
Ses compagnes, d’un bond, à
l’appel du buccin,
Dans l’onde jaillissante où
s’ébat leur chair blanche
Plongent, et de l’écume
émergent une hanche,
De clairs cheveux, un torse ou
la rose d’un sein.
Une gaîté divine emplit le
grand bois sombre.
Mais deux yeux, brusquement,
ont illuminé l’ombre.
Le satyre!… son rire épouvante
leurs jeux;
Elles s’élancent. Tel,
lorsqu’un corbeau sinistre
Croasse, sur le fleuve
éperdument neigeux
S’effarouche le vol des cygnes
du Caÿstre.
[Les Trophées — 1893]
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Antologia de Poetas
Estrangeiros — Seleção e Notas de Afonso Telles Alves, [diversos autores e
tradutores], Volume VIII da coleção Antologia da Literatura Mundial, [1960],
Livraria e Editora Logos Ltda., São Paulo — SP; José María de Heredia Girard (1842 — 1905), nascido em Cuba
(à época, colônia espanhola), na localidade de Cafeyre, próxima a Santiago de Cuba,
aos oito anos tendo sido mandado para a França, estudou e bacharelou-se no colégio
dos padres vicentinos, o liceu Saint-Vincent, em Senlis, foi poeta, escritor e tradutor;
em 1859, de volta a Cuba, Havana, onde permaneceu por pouco mais de um ano, aprofundou
os conhecimentos da língua e da literatura espanhola, compôs seus primeiros poemas
franceses que chegaram até nós, e depois retornou para Paris — França; fez parte
do grupo que tinha em Leconte de Lisle um “chefe e mestre”, e do qual também participavam
François Coppée, Sully Prudhomme, Paul Verlaine e outros, todos se tornando conhecidos
como os poetas do Parnaso, “os parnasianos”; José María de Heredia, que naturalizou-se
francês, publicou Les Trophées (118 sonetos e 4 poemas de maior extensão, 1893)
e no ano seguinte foi eleito membro da Academia Francesa; também foi diretor da
Biblioteca do Arsenal, de Paris, e organizou uma edição crítica das obras do poeta
André Chénier; Heredia é reconhecido como um dos poetas do Parnasianismo francês,
embora com “produção pouco abundante, mas de boa qualidade”; além da já citada publicação
de Les Tropheés, deixou-nos também sua obra esparsa em revistas literárias da época
e contribuiu para a Revue de Deux Mondes, o Le Temps e o Journal des Débats; traduziu,
do espanhol para o francês, A Verdadeira História da Conquista da Nova-Espanha —
3 volumes, do Capitão Bernal Diaz del Castillo (Véridique histoire de la conquête
de la Nouvelle-Espagne — 3 volumes, 1877-1878).







