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A vida,
manso lago azul algumas
Vezes,
algumas vezes mar fremente,
Tem sido
para nós constantemente
Um lago
azul sem ondas, sem espumas.
E nele, quando desfazendo as brumas
Matinais,
rompe um sol vermelho e quente,
Nós dois
vogamos, indolentemente,
Como dois
cisnes de alvacentas plumas.
Um dia um
cisne morrerá, por certo:
E, quando
chegar esse momento incerto,
No lago,
onde talvez a água se tisne,
Que o
cisne vivo, cheio de saudade,
Nunca
mais cante, nem sozinho nade,
Nem nade
nunca ao lado de outro cisne!
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Inspirados Sonetos de Autores Brasileiros e Portugueses, Organização e Seleção de Milton Xavier de Carvalho e Prefácio de Morvan Acayaba de Rezende, 1996, FUMARC — Fundação Mariana Resende Costa, Contagem — MG; Júlio Mário Salusse (1872 — 1948), nascido em Bom Jardim — RJ, estudou Direito em São Paulo, nas Arcadas (USP — Largo São Francisco), interrompeu os estudos, passou oito meses em Paris, e formou-se no Rio de Janeiro; foi promotor, advogado e poeta; escreveu e publicou Nevrose Azul (1895) e Sombras (1901).
