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[traduzido por Paulo Cesar
Souza]
Alegrias, as desmedidas.
Dores, as não curtidas.
Casos, os inconcebíveis.
Conselhos, os inexequíveis.
Meninas, as veras.
Mulheres, insinceras.
Orgasmos, os múltiplos.
Ódios, os mútuos.
Domicílios, os passageiros.
Adeuses, os bem ligeiros.
Artes, as não rentáveis.
Professores, os enterráveis.
Prazeres, os transparentes.
Projetos, os contingentes.
Inimigos, os delicados.
Amigos, os estouvados.
Cores, o rubro.
Meses, outubro.
Elementos, os fogos.
Divindades, o logos.
Vidas, as espontâneas.
Mortes, as instantâneas.
[suplemento dominical de cultura] Folhetim*, 12.01.86
Orges Wunschliste
Von den Freuden, die nicht
abgewogenen.
Von den Häuten, die nicht
abgezogenen.
Von den Geschichten, die
unverständlichen.
Von den Ratschlägen, die
unverwendlichen.
Von den Mädchen, die
neuen.
Von den Weibern, die
ungetreuen.
Von den Orgasmen, die
ungleichzeitigen.
Von den Feindschaften, die
beiderseitigen.
Von den Aufenthalten, die
vergänglichen.
Von den Abschieden, die
unterschwänglichen.
Von den Künsten, die
unverwertlichen.
Von den Lehrern, die
beerdlichen.
Von den Genüssen, die
aussprechlichen.
Von den Zielen, die
nebensächlichen.
Von den Feinden, die
empfindlichen.
Von den Freunden, die
kindlichen.
Von den Farben, die rote.
Von den Botschaften, der
Bote.
Von den Elementen, das
Feuer.
Von den Göttern, das
Ungeheuer.
Von den Untergehenden, die
Lober.
Von den Jahreszeiten, der
Oktober.
Von den Leben, die hellen.
Von den Toden, die
schnellen.
* Nota do blogue Verso e Conversa:
o atrevidíssimo aprendiz de blogueiro desta página registra que Folhetim foi um
suplemento dominical de cultura do jornal Folha de São Paulo; criado e dirigido
por Tarso de Castro (1941 — 1991), trazia como objetivo inicial ser um “caderno
de leitura e humor” e, com linha editorial e estrutura modificadas através do tempo,
circulou entre 1977 e 1989; o jornalista Tarso de Castro também foi um dos fundadores
do semanário Pasquim, periódico de origem carioca.
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Folhetim: Poemas traduzidos [vários
poetas e tradutores], Organização de Matinas Susuki Jr. e Nelson Ascher e Apresentação
de Matinas Susuki Jr., 1987, Edições Folha de São Paulo, São Paulo — SP; Eugen Bertholt
Friedrich Brecht (1898 — 1956), alemão de Augsburg — Baviera, foi dramaturgo, encenador
e poeta; em 1917 iniciou o curso de Medicina em Munique, mas tendo sido convocado
pelo exército na Primeira Guerra, interrompeu o estudo e trabalhou como enfermeiro
em hospital militar; com a ascensão de Hitler em 1933, deixou a Alemanha e
exilou-se primeiro na Dinamarca e depois nos Estados Unidos e Suiça; de volta à
Alemanha em 1948, fundou a companhia teatral Berliner Ensemble; Brecht, atuante
na poesia e na arte dramática, deixou-nos extensa produção artística, Baal (texto
de 1918/produção em 1926), Trommein in der Nacht (Tambores na Noite, 1918/1920),
Mann is Mann (Um Homem é um Homem, 1924-26/1926), Die Dreigroschenoper (A Ópera
dos Três Vinténs, 1928/1928), Die Kleinbürgerhochzeit (O Casamento do Pequeno Burguês,
1919/1926), Die Ausnahme und die Regel (A Exceção e a Regra, 1930/1938) e tantos
outros textos escritos e produzidos para o teatro; sua poesia não se dissocia da
arte dramática, havendo em seus poemas o mesmo sentido épico e didático de suas
peças teatrais.



