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terça-feira, 15 de setembro de 2020

Trilussa: A liberdade do pensamento

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[traduzido por Lisindo Coppoli]

O Gato preto, que era Presidente
Da Associação do Livre Pensamento,
Ficou furioso quando, de repente,
Durante uma sessão,
Ouviu o Gato cinzento
Pedir-lhe explicação
Sobre seus modos de fazer política,
Que estavam merecendo alguma crítica.

 Cala a boca!  gritou-lhe o Gato preto 
Eu não estou disposto
A permitir tal falta de respeito;
Tu falas sem razão:
Se aqui te sentes tanto a contragosto
Será melhor que peças demissão.
Poderás, sim, pensar como tu queiras,
Conforme tua idéia, livremente;
Porém sem contrariar o Presidente,
Ficando muito quieto nas fileiras.

 Queira-me perdoar: falei asneiras!
 Disse o Gato cinzento 
Reconheço que dei grande mancada.
E pra ficar no Livre Pensamento
Dali por diante não pensou mais nada.

Trilussa, poeta romano vernacolare e iniziato alla Massoneria
Trilussa

La libertà di pensiero

Un Gatto bianco, ch’era Presidente
der Circolo der Libbero Pensiero,
senti che er Gatto nero,
libbero pensatore come lui,
je faceva la critica
riguardo a la politica
ch’era contraria a li principi sui.
 Giacchè nun badi a li fattacci tui,
 je disse er gatto bianco inviperito 
rassegnerai le proprie dimissioni
e uscirai dalle file der partito:
chè qui la poi pensa’ libberamente
come te pare a te, ma a condizzione
che t’associ a l’idee der presidente
e a le proposte della commissione!
 E’ vero, ho torto, ho aggito malamente... 
rispose er Gatto nero.
E pe’ resta’ ner Libbero Pensiero
da quella vorta nun penso’ piu’ gnente.
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Trilussa — Cento e uma fábulas, Seleção, Apresentação e Tradução de Lisindo Coppoli, 1957, Rede Latina Editora, São Paulo — SP; Carlo Alberto Camillo Mariano Salustri (1871 1950), Trilussa (anagrama do sobrenome), nascido em Roma Itália, foi poeta dialetal de sátiras político social, fabulista, escritor e jornalista; escreveu em dialeto romanesco; inicialmente, Trilussa publicou seus poemas em jornais, coletando-os depois em volumes, selecionando-os e aprimorando-os; bibliografia: Stelle de Roma: versi romaneschi (Cerroni e Solaro, Roma, 1889); Quaranta sonetti romaneschi (Enrico Voghera, Roma, 1895); Favole romanesche (Enrico Voghera, Roma, 1901); Ommini e bestie (Enrico Voghera, Roma, 1914); Lupi e agnelli (Enrico Voghera, Roma, 1919); La Gente (A. Mondadori, Milano, 1927); Acqua e vino (A. Mondadori Tip. Operaia Romana, Roma, 1945) e outros títulos; em português, além deste Cento e uma fábulas, os versos do poeta fabulista também foram compilados e traduzidos por Paulo Duarte na edição Versos de Trilussa (1973).

terça-feira, 8 de setembro de 2020

Trilussa: As ilusões

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[traduzido por Lisindo Coppoli]

Um velho Rato, com a idéia fixa
De fazer propaganda da anarquia,
Falava a uma Toupeira e a uma Preguiça:
 É preciso acabar co’a burguesia;
Temos que fazer guerra
A tudo o que é injustiça,
A toda iniqüidade que há na terra.
Vamos, acorda, estúpida Toupeira!
A vida é dura luta:
Não pode mais viver dessa maneira;
Não podes mais manter essa conduta.

 No entanto eu gosto de viver assim:
 Responde-lhe a Toupeira 
Por que me amolas? A vida é para mim
Somente um sonho: eu sonho a vida inteira. 
 E tu, Preguiça, é tempo que movas:
Canta comigo a “Internacional”!
Tu precisas formar-te um Ideal.
Metendo na cabeça idéias novas

 Eu pouco me incomodo!  exclama aquela
O Ideal há muito que o formei:
É o de dormir. Com esse ficarei:
Pra mim a escuridão é muito bela.

 Ide então para o inferno,  grita o Rato 
Míseros sonhadores! Muito cedo
Fechais os olhos: é que tendes medo
De ver as coisas como são de fato.
Eu vos lastimo, seres atrasados,
Que odiais a luz do dia e que viveis,
Com a vossa miséria, conformados.
Mas vós viveis pior  diz a Preguiça 
Vós, pobres iludidos, que quereis
De boa fé acabar com a injustiça.
Nós, seres atrasados,
Costumamos sonhar de olhos fechados;
Mas vós, que sois espertos,
Sonhais mais do que nós, de olhos abertos.

Trilussa: biografia, carriera e morte del celebre scrittore italiano
Trilussa

L'illusi

Un vecchio Sorcio anarchico, in un giro
de propaganda rivoluzzionaria,
chiese un aiuto a la Marmotta e ar Ghiro.
Avemo da mannà tutto per aria!
strillava er Sorcio vojo fa' la guerra
a tutte l'ingiustizzie de 'sto monno,
a tutti li soprusi de la terra!
Quanno te svejerai, vecchia Marmotta
impastata de sonno? nu' lo sai
che la vita è una lotta?

Nu' ne sento er bisogno!
rispose la Marmotta insonnolita
Perché me scocci l'anima? La vita
per me nun è che un sogno...
E tu, compare Ghiro, nun te mòvi?
Perché nun canti l'Internazzionale?
Bisogna che te formi un Ideale
verso la luce de li tempi novi...
Io fece quello poco me ne curo:
ché l'Ideale mio nun me lo formo
antro che quanno dormo.
Viva la faccia de restà a lo scuro!

Allora disse er Sorcio annate ar diavolo,
poveri sognatori de mestiere,
che pe' paura de le cose vere
chiudete l'occhi e nun vedete un cavolo!
Ve compatisco, o stupide bestiole
ch'odiate er sole e che vivete senza
un filo d'esperienza...

Ma state peggio voi, poveri illusi!
je disse er Ghiro voi che sete certi
de vince l'ingiustizzie e li soprusi!
Io, quanno sogno, tengo l'occhi chiusi:
ma quanno sogni tu, li tenghi aperti...
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Trilussa — Cento e uma fábulas, Seleção, Apresentação e Tradução de Lisindo Coppoli, 1957, Rede Latina Editora, São Paulo — SP; Carlo Alberto Camillo Mariano Salustri (1871 1950), Trilussa (anagrama do sobrenome), nascido em Roma Itália, foi poeta dialetal de sátiras político social, fabulista, escritor e jornalista; escreveu em dialeto romanesco; inicialmente, Trilussa publicou seus poemas em jornais, coletando-os depois em volumes, selecionando-os e aprimorando-os; bibliografia: Stelle de Roma: versi romaneschi (Cerroni e Solaro, Roma, 1889); Quaranta sonetti romaneschi (Enrico Voghera, Roma, 1895); Favole romanesche (Enrico Voghera, Roma, 1901); Ommini e bestie (Enrico Voghera, Roma, 1914); Lupi e agnelli (Enrico Voghera, Roma, 1919); La Gente (A. Mondadori, Milano, 1927); Acqua e vino (A. Mondadori Tip. Operaia Romana, Roma, 1945) e outros títulos; em português, além deste Cento e uma fábulas, os versos do poeta fabulista também foram compilados e traduzidos por Paulo Duarte na edição Versos de Trilussa (1973).

sábado, 5 de setembro de 2020

Lisindo Coppoli: Arte Moderna

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A propósito da I Bienal de Arte Moderna de São Paulo.
Dezembro, 1951.

Leonardo?!... Rafael?! Tenham paciência!
Tudo isso não passa de bobagem.
Dom Cicillo* andou bem: teve a coragem
de acabar de uma vez co’a decadência.

A pintura moderna á arte e ciência
das mais sublimes, pois não tendo imagem
nem natureza morta nem paisagem,
mais que aos sentidos, fala à inteligência.

E convém dizer isso: uma obra prima
das mais modernas fica muito acima
das antigas por mais esta razão:

que, sendo um quadro, p’ra gozar-lhe o efeito
pode-se pendurar de todo jeito:
é a mesma coisa em qualquer posição.

Desenho de Abstrato pintado e colorido por Usuário não registrado o dia 17  de Maio do 2011

* Nota da edição: Dom Cicillo: Francisco Matarazzo Sobrinho [1898 —  1977], paulista, eminente patrocinador da arte, das letras e da cultura, nas suas mais elevadas manifestações.
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Humor e Humorismo — Poesias e Versos e Paródias de Poemas Famosos — Antologia, Organização de Idel Becker, 1961, Editora Brasiliense, São Paulo — SP; através da página de Antonio Lisboa Carvalho de Miranda (www.antoniomiranda.com.br), biblioteconomista, professor, pesquisador, escritor e poeta, somos informados que Lisindo Coppoli foi poeta, humorista e parodista; bibliografia: Política em versos sonetos humorísticos (1954), o aprendiz de blogueiro deste Verso e Conversa acrescenta que o poeta humorista também traduziu poemas-fábulas de Trilussa, publicando Cento e uma fábulas de Trilussa tradução (1949); fica o agradecimento a quem se aprofundar a respeito e quiser repartir com o blogue.

quinta-feira, 27 de agosto de 2020

Trilussa: O professor de Filosofia

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[traduzido por Lisindo Coppoli]

Chamavam-no de Louco. Infelizmente,
Era um grande filósofo, coitado!
Pálido, muito magro, recurvado;
Sempre co’ um grosso livro; indiferente,
Via através dos óculos escuros
As tragédias dos séculos futuros.

Ao meio dia em ponto, na pensão
Em que naquele tempo se hospedava,
O Professor o estômago enganava
Com um pouco de caldo de feijão:
Era tão cheio de filosofia
Que coisa alguma mais lhe apetecia.

Falava em tom solene, devagar,
Escolhendo as palavras com cuidado
E coçando com gesto calculado
A barba inculta, como a procurar,
Entre os pelos compridos, os conceitos
Que lhes caiam do alto, já perfeitos.

E que discursos!... coisas doutro mundo!
Dizia, muito sério: É demonstrado
Ser o Universo, infindo e incriado,
Obediente a um espírito profundo:
O sol é quente, mas tal não seria
Se fosse uma substância morta e fria.

Ninguém, é claro, compreendia nada;
Todos, porém, lhe dávamos razão;
E quando o proprietário da pensão
Batia as mãos de forma exagerada,
O Professor ficava aborrecido
E logo, com as mãos, tapava o ouvido.

Às vezes se inquietava, e então fazia
Uns movimentos bruscos, impensados,
Que não raro um dos punhos engomados
Escapava da manga e lhe caía,
Dando reviravoltas no soalho
Com um barulho surdo de chocalho.

Um dia me falou: Perdi a Fé!
Em Deus, não creio! Nem na Humanidade!
Mas digo na mulher, fale a verdade,
O senhor acredita? Não?!... não crê?!
Mas, professor, assim, tenha paciência,
Envenena, o senhor, sua existência.

Quem vive sem a Fé e sem afeto
Leva a vida infeliz, amargurada:
A Fé é uma centelha abençoada
Que acende aspirações em nosso peito;
E a grande aspiração do nosso ser
É possuir o afeto da mulher.

De certo, em sua vida terá tido
Uma pessoa amiga, alguém que o amou... 
O Professor, num sopro, pronunciou
Um nome e, intimamente comovido,
Os óculos ajustou, sem conseguir
Que eu não lhe visse u’a lágrima luzir.

Descontente por ter-se revelado,
Tossiu, escarrou e, com gesto maquinal,
Tirou do bolso um velho manual
Que começou a folhear, atarantado,
E do qual pulou fora, sem querer
Um antigo retrato de mulher.

É dela, sim; falou mas, certamente,
O senhor não supõe que eu o conserve
Como lembrança. Não! A mim me serve
Para marcar a página, somente.
Fiquei calado, mas meu pensamento
Disse: “Filosofia... triste invento!”

C'è del sacro in… Trilussa | LuciaLibri

Er professore de Filosofia

Lo chiamaveno er Matto, poveraccio!
Invece era un filosofo, purtroppo!
Pallido, allampanato, mezzo zoppo,
con un fascio de libbri sotto ar braccio
pareva che covasse li misteri
dedietro ar vetro de l'occhiali neri.

A mezzoggiorno lo vedevo spesso
ch'entrava a l'Osteria de la Speranza
pe' cojonà lo stomaco e la panza
con un po' de minestra e un po' d'allesso,
ché er Professore, fra li tanti guai,
magnava poco e chiacchierava assai.

Se aveva da discute d'una cosa
pesava le parole, e piano piano
se grattava la barba co' la mano
con una mossa seria e pensierosa,
come se ricercasse in mezzo ar pelo
l'idee che je veniveno dar Celo.

E che discorsi! Robba mai sentita!
Dice: Laonde la Raggione pura
dimostra come in tutta la Natura
esiste un'armonia prestabbilita:
er Sole è tondo, ma se fosse ovale
se chiamerebbe Sole tale e quale…

Benché nessuno ce capisse un fico
tutti quanti je daveno raggione;
e quanno l'oste, ch'era un vassallone.
l'approvava in un modo che nun dico
er Professore se copriva l'occhi
per aspettà la fine de li scrocchi.

Allora s'arrabbiava: e quarche vorta
faceva un gesto tanto esaggerato
ch'er vecchio manichetto inammidato
sortiva da la manica un po' corta,
se scartocciava, je zompava via
e ruzzicava in mezzo a l'osteria.

Per me, me disse un giorno nun c'è gnente:
io nun credo né all'ommini né a Dio...
A le donne, però? je chiesi io
Dico: ce crederà sicuramente...
Come? nemmanco a quelle? Abbia pazzienza,
ma così s'avvelena l'esistenza!

Chi vive senza fede e senza amore
nun pô sentisse l'anima tranquilla:
la fede è l'acciarino che scintilla
su le speranze che ciavemo in core,
e la prima speranza è sempre quella
d'esse capito da una donna bella.

Lei ciavrà avuto una persona cara,
forse un'amica... Lui me disse un nome,
però lo disse a mezza bocca, come
se masticasse una parola amara:
poi s'aggiustò l'occhiali, ma nun tanto
da nun fa' vede er luccichio der pianto.

E, un po' scocciato per avello detto,
tossì, sputò, se soffiò er naso e rise:
se leccò un deto e subbito se mise
a sfojà le facciate d'un libbretto;
sfoja che t'arisfoja scappò fòra
mia fotograffia d'una signora.

Eccola! disse Forse lei s'immaggina
ch'io sia tarmente stupido e balordo
da tenella qui drento pe' ricordo...
No, no... me serve per segnà la paggina...
Io nun risposi e dissi in mente mia:
Che fregatura la filosofia!

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Trilussa — Cento e uma fábulas, Seleção, Apresentação e Tradução de Lisindo Coppoli, 1957, Rede Latina Editora, São Paulo — SP; Carlo Alberto Camillo Mariano Salustri (1871 1950), Trilussa (anagrama do sobrenome), nascido em Roma Itália, foi poeta dialetal de sátiras político social, fabulista, escritor e jornalista; escreveu em dialeto romanesco; inicialmente, Trilussa publicou seus poemas em jornais, coletando-os depois em volumes, selecionando-os e aprimorando-os; bibliografia: Stelle de Roma: versi romaneschi (Cerroni e Solaro, Roma, 1889); Quaranta sonetti romaneschi (Enrico Voghera, Roma, 1895); Favole romanesche (Enrico Voghera, Roma, 1901); Ommini e bestie (Enrico Voghera, Roma, 1914); Lupi e agnelli (Enrico Voghera, Roma, 1919); La Gente (A. Mondadori, Milano, 1927); Acqua e vino (A. Mondadori Tip. Operaia Romana, Roma, 1945) e outros títulos; em português, além deste Cento e uma fábulas, os versos do poeta fabulista também foram compilados e traduzidos por Paulo Duarte na edição Versos de Trilussa (1973).

quarta-feira, 26 de agosto de 2020

Trilussa: A evolução


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[traduzido por Lisindo Coppoli]

Um Comunista diz a uma Galinha:
Estás no mundo desde que ele existe,
E em tanto tempo nada progrediste;
És sempre a mesma estúpida e mesquinha
Ainda cantas esse cocoré
Que cantavas na Arca de Noé.

Que querias? responde-lhe a Galinha
Que eu te botasse um ovo
De outro tamanho e de um formato novo?
Co’a gema verde e a clara vermelhinha?
Meu trabalho, porém, é sempre igual.
E meu canto não muda: é sempre aquele.
Meu cocoré te amola? Que tem ele?
Queres que eu cante a “Internacional”?

C'è del sacro in… Trilussa | LuciaLibri

L'evoluzzione

Un Communista disse a la Gallina:
Quant'anni so' ch'esisti? Tanti e tanti!
Eppure nun hai fatto un passo avanti
e sei rimasta sempre una cretina!
Saranno da li tempi de Noè
che canti coccodè!

La Gallina rispose: È la natura.
Voressi gnente che facessi l'ova
con una forma nova
cór rosso verde e co' la chiara scura?
Er mi' lavoro, invece, è sempre eguale
e la canzona mia rimane quella;
er coccodè te scoccia? oh questa è bella!
che vôi che canti? l'Internazzionale?
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Trilussa — Cento e uma fábulas, Seleção, Apresentação e Tradução de Lisindo Coppoli, 1957, Rede Latina Editora, São Paulo — SP; Carlo Alberto Camillo Mariano Salustri (1871 1950), Trilussa (anagrama do sobrenome), nascido em Roma Itália, foi poeta dialetal de sátiras político social, fabulista, escritor e jornalista; escreveu em dialeto romanesco; inicialmente, Trilussa publicou seus poemas em jornais, coletando-os depois em volumes, selecionando-os e aprimorando-os; bibliografia: Stelle de Roma: versi romaneschi (Cerroni e Solaro, Roma, 1889); Quaranta sonetti romaneschi (Enrico Voghera, Roma, 1895); Favole romanesche (Enrico Voghera, Roma, 1901); Ommini e bestie (Enrico Voghera, Roma, 1914); Lupi e agnelli (Enrico Voghera, Roma, 1919); La Gente (A. Mondadori, Milano, 1927); Acqua e vino (A. Mondadori Tip. Operaia Romana, Roma, 1945) e outros títulos; em português, além deste Cento e uma fábulas, os versos do poeta fabulista também foram compilados e traduzidos por Paulo Duarte na edição Versos de Trilussa (1973).

quinta-feira, 13 de junho de 2019

Lisindo Coppoli: Antigos varões

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Brasílio Machado Neto, não tendo conseguido
eleger-se senador federal, está atualmente
lutando para a restauração do senado
estadual, onde espera ter assento.
(Dos jornais)

Reza o bem claro o Velho Testamento
Que sete anos Jacó serviu a Labão
Para obter a Raquel, porém o ancião
Dando-lhe a Lia contrariou-lhe o intento.

E assim serviu outros sete, sem lamento,
Ao pai da eleita do seu coração
Isso demonstra a grande obstinação
De que é capaz um forte sentimento.

Nobre varão de quatrocentos anos,
Também Brasílio, tão galhardamente
Quanto Jacó, enfrenta os desenganos.

Jácó ao fim obteve o que queria,
Mas o Brasílio, ao invés, presentemente
Está lutando para obter a Lia.

Janeiro  1951
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Política em versos — Sonetos Humorísticos de Lisindo Coppoli, Apresentação de Aldo Della Nina e capa do caricaturista Manolo, 1954, Livraria Editora Antonio de Carvalho, São Paulo — SP; acerca do autor do Política em versos, a página de Antonio Lisboa Carvalho de Miranda (www.antoniomiranda.com.br), biblioteconomista, professor, pesquisador, escritor e poeta, nos informa que Lisindo Coppoli, poeta, humorista e parodista, escreveu e publicou o livro ora apresentado; o aprendiz de blogueiro deste Verso e Conversa acrescenta que o poeta humorista também traduziu poemas-fábulas de Trilussa, publicando Cento e uma fábulas de Trilussa — tradução; fica o agradecimento a quem se aprofundar a respeito e quiser repartir com o blogue.

sexta-feira, 3 de maio de 2019

Lisindo Coppoli: Os salvadores

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Nem tudo está perdido! que, em verdade,
Neste mundo em perpétua convulsão,
Inda há pessoas de grande elevação
Que lutam pelo bem da humanidade.

Nas horas de perigo, em que a ansiedade
Toma conta de toda uma nação,
Surgem, para operar a salvação,
Esses homens repletos de bondade.

É o que acontece aqui neste momento,
Pois todo candidato a vereador
É um nobre exemplo de desprendimento.

Nem tudo está perdido, felizmente!
E a vida, logo, há de correr melhor;
Se não a nossa, a deles certamente...

Setembro  1951
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Política em versos — Sonetos Humorísticos de Lisindo Coppoli, Apresentação de Aldo Della Nina e capa do caricaturista Manolo, 1954, Livraria Editora Antonio de Carvalho, São Paulo — SP; acerca do autor do Política em versos, a página de Antonio Lisboa Carvalho de Miranda (www.antoniomiranda.com.br), biblioteconomista, professor, pesquisador, escritor e poeta, nos informa que Lisindo Coppoli, poeta, humorista e parodista, escreveu e publicou o livro ora apresentado; o aprendiz de blogueiro deste Verso e Conversa acrescenta que o poeta humorista também traduziu poemas-fábulas de Trilussa, publicando Cento e uma fábulas de Trilussa — tradução; fica o agradecimento a quem se aprofundar a respeito e quiser repartir com o blogue.

sexta-feira, 26 de abril de 2019

Lisindo Coppoli: Exportação

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Grita-se:  Produzir para exportar;
Não mais temos divisas! A Nação
Precisa incrementar a exportação
Para poder viver e prosperar. 

Calma! Não há razão para gritar;
Nós exportamos muito, como não!
Mas não é mais o mísero algodão
Nem o cacau ou coisa similar.

Ministros, Deputados, Senadores
É o que nós exportamos. Não há dia
Em que não zarpe algum desses senhores.

As lindas asas como pombas soltam
Cruzando o mar em busca da alegria,
E fazem bem! O diabo é que eles voltam...

Setembro  1952
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Política em versos — Sonetos Humorísticos de Lisindo Coppoli, Apresentação de Aldo Della Nina e capa do caricaturista Manolo, 1954, Livraria Editora Antonio de Carvalho, São Paulo — SP; acerca do autor do Política em versos, a página de Antonio Lisboa Carvalho de Miranda (www.antoniomiranda.com.br), biblioteconomista, professor, pesquisador, escritor e poeta, nos informa que Lisindo Coppoli, poeta, humorista e parodista, escreveu e publicou o livro ora apresentado; o aprendiz de blogueiro deste Verso e Conversa acrescenta que o poeta humorista também traduziu poemas-fábulas de Trilussa, publicando Cento e uma fábulas de Trilussa — tradução; fica o agradecimento a quem se aprofundar a respeito e quiser repartir com o blogue.

quinta-feira, 11 de abril de 2019

Lisindo Coppoli: Poesia moderna

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Os poetas, esses homens inspirados,
Não mais se satisfazem com a poesia:
Os eleitos das musas, hoje em dia,
Preferem ser eleitos deputados.

Depois de terem sido consagrados
Imortais pela nossa Academia,
Achando insuficiente essa honraria,
Querem triunfos bem remunerados.

Afeitos como estão a versejar
Sem métrica, sem ritmo e sem sentido,
Eles, no parlamento, irão a calhar.

Pois que parecem feitos de encomenda
Para fazer com que o Brasil querido
Chegue até o ponto em que ninguém se entenda.

Setembro  1950
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Política em versos — Sonetos Humorísticos de Lisindo Coppoli, Apresentação de Aldo Della Nina e capa do caricaturista Manolo, 1954, Livraria Editora Antonio de Carvalho, São Paulo — SP; acerca do autor do Política em versos, a página de Antonio Lisboa Carvalho de Miranda (www.antoniomiranda.com.br), biblioteconomista, professor, pesquisador, escritor e poeta, nos informa que Lisindo Coppoli, poeta, humorista e parodista, escreveu e publicou o livro ora apresentado; o aprendiz de blogueiro deste Verso e Conversa acrescenta que o poeta humorista também traduziu poemas-fábulas de Trilussa, publicando Cento e uma fábulas de Trilussa — tradução; fica o agradecimento a quem se aprofundar a respeito e quiser repartir com o blogue.

terça-feira, 9 de abril de 2019

Lisindo Coppoli: A Revoada

Resultado de imagem para Humor e Humorismo Idel Becker
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O primeiro ministro lá vai indo;
outro o segue, outro mais, enfim o bando
inteiro solta as asas azulando,
antes que a demissão os vá impelindo.

Também as pombas do soneto lindo,
na rósea madrugada, vão deixando
o ninho amigo, ao qual irão voltando,
ansiosas, quando a tarde for caindo.

Mas aqui não há pombas nem pombais:
há ministros que partem em surdina,
certos de não voltarem nunca mais.

Deixam o ministério sem alarde;
e o povo que lhes deve a triste sina,
olhando o voo, suspira:  Já vão tarde!

Junho, 1953

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Humor e Humorismo — Poesias e Versos e Paródias de Poemas Famosos — Antologia, Organização de Idel Becker, 1961, Editora Brasiliense, São Paulo — SP; sobre Lisindo Coppoli nada consta neste Humor e Humorismo; em pesquisa googleana, o aprendiz de blogueiro deste Verso e Conversa encontrou na página de Antonio Lisboa Carvalho de Miranda (www.antoniomiranda.com.br), biblioteconomista, professor, pesquisador, escritor e poeta, que Lisindo Coppoli, poeta, humorista e parodista, escreveu Política em versos  Sonetos Humorísticos, capa do caricaturista Manolo, com poemas datados entre 1950 e 1953 (edição de 1954, São Paulo: Livraria Editora Antonio de Carvalho, 160 p.); acrescente-se que o poeta humorista também traduziu poemas-fábulas de Trilussa, publicando Cento e uma fábulas de Trilussa — traduçãofica o agradecimento a quem se aprofundar a respeito e quiser repartir com o blogue.