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Cobrinha entrou no buteco e botando dois tistas no balcão pediu pro coisa— Dois de gozo
Coisada atendeu à la minuta Largou no copo talagada e pico de água-que-passarinho-não topa e sem tirar a botuca da cara do cobrinha empurrou o getulinho
— Tou promovendo a bicada
Depois de enrustir o nicolau e derramar gole pro santo cobrinha mandou o lubrificante guela abaixo Já desguiava quando pulga mordeu ele atrás da orelha e ele falou pra dentro "Quero ser mico catar bagana e coisa e loisa se nessa coisa do coisa não tem coisa" Então voltou e falou pra fora
— Promovendo por quê?
— Acertei um totó no veado...
— Que tem isso com o peixe?
— Por causa do mano
fez coisada que patolando um jornal mostrou pro cobra
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| Antônio Fraga - autor de Desabrigo Maria Célia Barbosa - pesquisadora |
Glossário:
bagana — ponta de cigarro já fumado. O mesmo que guimba, vinte;getulinho — moeda divisionária com a efígie de Getúlio Vargas;
peixe — matéria de que se trata ao falar;
tista — corruptela de tostão, moeda de cem réis;
totó — o mesmo que cachorro, cinco mil réis;
veado — pederasta passivo.
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Desabrigo e Outros Trecos — Seleção, Organização, Prefácio e Notas de Maria Célia Barbosa Reis da Silva, 1999, 4ª edição, Edições Relume Dumará, Rio de Janeiro — RJ; Antônio da Fraga Fernandes (1916 — 1993), carioca, teve sua novela Desabrigo publicada em 1ª edição em 1945 pela Editora Macunaíma (RJ) da qual o autor era sócio juntamente com o escritor Antônio Olinto e Ernande Soares. Teve uma 2ª edição realizada pela Edições Mundo Livre (1978) e ainda uma 3ª edição pela Biblioteca Carioca (1990), do Rio de Janeiro — RJ; Antônio Fraga também teve publicado o seu poema dramático Moinho (1957), além de alguns contos, crônicas e ensaios divulgados pela imprensa oficial e alternativa de sua época; como um dos formadores do grupo literário Malraux, ainda em 1945, juntamente com mais participantes do grupo — Antônio Olinto, Hélio Justino, Luciano Maurício, Ernande Soares, Aladyr Custódio, José Galdino e Levy Menezes — participa da realização da Primeira Exposição Pública de Poesia do Mundo, uma espécie de retrato poético-ideológico da Geração 45, nos informa Maria Célia Barbosa em "Prefácio Marginal" de Desabrigo e Outros Trecos.
