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quinta-feira, 31 de julho de 2025

Carlos Drummond de Andrade: Desligamento do poeta

 
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A arte completa,
a vida completa,
o poeta recolhe seus dons,
o arsenal de sons e signos,
o sentimento de seu pensamento.

Imobiliza-se,
infinitamente cala-se,
cápsula em si mesma contida.

Fica sendo o não rir
de longos dentes,
o não ver

de cristais acerados,
o não estar
nem ter aparência.
O absoluto do não ser.

Não há invocá-lo acenar-lhe pedir-lhe.

Passa ao estranho domínio
de deus ou pasárgada-segunda.

Onde não aflora a pergunta
nem o tema da
nem a hipótese do.

Sua poesia pousa no tempo.
Cada verso, com sua música
e sua paixão, livre de dono,
respira em flor, expande-se
na luz amorosa.

A circulação do poema
sem poeta: forma autônoma
de toda circunstância,
magia em si, prima letra
escrita no ar, sem intermédio,
faiscando,
na ausência definitiva
do corpo desintegrado.

Agora Manuel Bandeira é pura
poesia, profundamente.

(As Impurezas do Branco — 1973)

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Carlos Drummond de Andrade, Poesia e Prosa, Volume Único, 5ª edição, Introdução Geral “As várias faces de uma poesia” de Emanuel de Moraes, Fortuna Crítica de Mário de Andrade, Otto Maria Carpeaux, Álvaro Lins, Sérgio Buarque de Holanda, Haroldo de Campos, João Gaspa  Simões, Hélcio Martins, Gilberto Mendonça Teles, Affonso Romano de Sant’Anna, Joaquim-Francisco Coelho, José Guilherme Merquior e Antônio Houaiss, Editora Nova Aguilar, 1979, Rio de Janeiro — RJ; Carlos Drummond de Andrade (1902 1987), mineiro e itabirano, fez seus estudos iniciais no Grupo Escolar Dr. Carvalho Brito, de Itabira, formado em Farmácia pela Escola de Odontologia e Farmácia de Belo Horizonte, não exerceu o ofício, foi poeta, contista, cronista, funcionário público em várias repartições, redator e chefe de redação em jornais e revistas; em 1921, publicou seus primeiros trabalhos no Diário de Minas; foi professor de Geografia e Português no Ginásio Sul Americano em Itabira; viveu intensamente o seu tempo e nos ofereceu como legado incontáveis obras em verso e prosa publicadas em livros, jornais e revistas: Diário de Minas, A Revista [modernista], Revista do Ensino, Minas Gerais, A Tribuna, Estado de Minas, Diário da Tarde, Revista Acadêmica, revista Euclides [foi responsável pela seção ‘Conversa de Livraria’], Tribuna Popular [diário comunista, foi co-diretor convidado por Luís Carlos Prestes, e ali permanecendo por alguns meses], A Manhã [colaborou no suplemento literário], Política e Letras, Jornal do Brasil; suas obras: Alguma Poesia (1930); Brejo das Almas (1934); Sentimento do Mundo (1940); José (1942); Confissões de Minas, crônicas e artigos (1944); A Rosa do Povo (1945); Novos Poemas; Claro Enigma (1951); Contos de Aprendiz (1951); Viola de Bolso (1952); Passeios na Ilha, crônicas e artigos (1952); Fazendeiro do Ar (1954); Fala, Amendoeira, crônicas (1957); A Bolsa & A Vida, crônicas (1962); A Vida Passada a Limpo; Lição de Coisas (1962); Cadeira de Balanço, crônicas (1966); Versiprosa (1967); Boitempo (1968); A Falta que Ama (1968); Caminhos de João Brandão, crônicas (1970); O Poder Ultrajovem, crônicas (1972); As Impurezas do Branco (1973); Menino Antigo — Boitempo II (1973); De Notícias & Não Notícias faz se a Crônica (1974); Discurso de Primavera, e algumas sombras (1977); Contos Plausíveis (1981); Boca de Luar, crônicas (1984); Amar Se Aprende Amando (1985); O Avesso das Coisas, aforismos (1988); Farewell (1996) e outros textos; teve obras traduzidas para o alemão, búlgaro, chinês, dinamarquês, francês, holandês, inglês, italiano, espanhol, latim, norueguês, sueco, tcheco, e em linguagem braille; traduziu para a língua portuguesa: François Mauriac, Choderlos de Laclos, Honoré de Balzac, Marcel Proust, García Lorca, Maurice Maeterlinck, Molière, Th. Descourtilz [estudioso e pesquisador ornitológico], Knut Hamsun [escritor norueguês]; colaborou em programas radiofônicos; recebeu premiações várias.

sexta-feira, 7 de outubro de 2022

Carlos Drummond de Andrade: Os ombros suportam o mundo

 
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Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.

Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.

Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teu ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.

Sentimento do Mundo — 1940

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Carlos Drummond de Andrade, Poesia e Prosa, Volume Único, 5ª edição, Introdução Geral “As várias faces de uma poesia” de Emanuel de Moraes, Fortuna Crítica de Mário de Andrade, Otto Maria Carpeaux, Álvaro Lins, Sérgio Buarque de Holanda, Haroldo de Campos, João Gaspar Simões, Hélcio Martins, Gilberto Mendonça Teles, Affonso Romano de Sant’Anna, Joaquim-Francisco Coelho, José Guilherme Merquior e Antônio Houaiss, Editora Nova Aguilar, 1979, Rio de Janeiro — RJ; Carlos Drummond de Andrade (1902 1987), mineiro de Itabira, poeta, contista e cronista, viveu intensamente o seu tempo e nos ofereceu como legado incontáveis obras em verso e prosa publicadas em livros, jornais e revistas pelo país afora e no resto do mundo; suas obras: Alguma Poesia (1930); Brejo das Almas (1934); Sentimento do Mundo (1940); José (1942); Confissões de Minas, crônicas e artigos (1944); A Rosa do Povo (1945); Novos Poemas; Claro Enigma (1951); Contos de Aprendiz (1951); Viola de Bolso (1952); Passeios na Ilha, crônicas e artigos (1952); Fazendeiro do Ar (1954); Fala, Amendoeira, crônicas (1957); A Bolsa & A Vida, crônicas (1962); A Vida Passada a Limpo; Lição de Coisas (1962); Cadeira de Balanço, crônicas (1966); Versiprosa (1967); Boitempo (1968); A Falta que Ama (1968); Caminhos de João Brandão, crônicas (1970); O Poder Ultrajovem, crônicas (1972); As Impurezas do Branco (1973); Menino Antigo — Boitempo II (1973); De Notícias & Não Notícias faz-se a Crônica (1974); Discurso de Primavera, e algumas sombras (1977); Contos Plausíveis (1981); Boca de Luar, crônicas (1984); Amar Se Aprende Amando (1985); O Avesso das Coisas, aforismos (1988); Farewell (1996) e outros textos...

quarta-feira, 28 de setembro de 2022

Mário de Andrade: Na Rua Aurora eu nasci . . .


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Na Rua Aurora eu nasci
Na aurora da minha vida
E numa aurora cresci.

No Largo do Paissandu
Sonhei, foi luta renhida,
Fiquei pobre e me vi nu.

Nesta Rua Lopes Chaves
Envelheço, e envergonhado
Nem sei quem foi Lopes Chaves

Mamãe! me dá essa lua,
Ser esquecido e ignorado
Como esses nomes de rua.

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232 Poetas Paulistas — Antologia, por Pedro de Alcântara Worms, 1968, Editora Conquista, Rio de Janeiro — RJ; Mário Raul de Morais Andrade (1893 1945), paulista e paulistano, formou-se em Ciências e Letras e, depois, em Canto no Conservatório Dramático e Musical de São Paulo, foi poeta, escritor, crítico literário, musicólogo, ensaísta, folclorista, professor de Música e de Artes e um dos expoentes da Semana de Arte Moderna de 1922 e do Modernismo; colaborou com os periódicos A Gazeta e O Echo (São Paulo), A Cigarra (São Paulo), Papel e Tinta, Revista do Brasil, Illustração Brasileira, Klaxon, Revista de Antropofagia, Terra Roxa (revistas modernistas, em São Paulo e no Rio de Janeiro), Jornal do Commércio (São Paulo), Diário Nacional (São Paulo), O Estado de São Paulo e em outros veículos informativos e de arte pelo país afora; suas obras: Há uma gota de sangue em cada poema (1917), Paulicéia desvairada (1922), A escrava que não é Isaura (1925), Amar, verbo intransitivo (1927), Ensaios sobre a música brasileira (1928), Macunaíma (romance, 1928), Compêndio da história da música (1929), Modinhas imperiais (1930), Música, doce música (1933), Belazarte (1934), Música do Brasil e Poesias (ambos em 1941), O Movimento Modernista (1942), Aspectos da Literatura Brasileira (1943) e tantos outros títulos em verso, prosa e canto.

sexta-feira, 23 de setembro de 2022

Carlos Drummond de Andrade: Não se mate

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Carlos, sossegue, o amor
é isso que você está vendo:
hoje beija, amanhã não beija,
depois de amanhã é domingo
e segunda-feira ninguém sabe
o que será.

Inútil você resistir
ou mesmo suicidar-se.
Não se mate, oh não se mate,
reserve-se todo para
as bodas que ninguém sabe
quando virão,
se é que virão.

O amor, Carlos, você telúrico,
a noite passou em você,
e os recalques se sublimando,
lá dentro um barulho inefável,
rezas,
vitrolas,
santos que se persignam,
anúncios do melhor sabão,
barulho que ninguém sabe
de quê, praquê.

Entretanto você caminha
melancólico e vertical.
Você é a palmeira, você é o grito
que ninguém ouviu no teatro
e as luzes todas se apagam.
O amor no escuro, não, no claro,
é sempre triste, meu filho, Carlos,
mas não diga nada a ninguém,
ninguém sabe nem saberá.

Brejo das Almas (1934)

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Carlos Drummond de Andrade, Poesia e Prosa, Volume Único, 5ª edição, Introdução Geral “As várias faces de uma poesia” de Emanuel de Moraes, Fortuna Crítica de Mário de Andrade, Otto Maria Carpeaux, Álvaro Lins, Sérgio Buarque de Holanda, Haroldo de Campos, João Gaspar Simões, Hélcio Martins, Gilberto Mendonça Teles, Affonso Romano de Sant’Anna, Joaquim-Francisco Coelho, José Guilherme Merquior e Antônio Houaiss, Editora Nova Aguilar, 1979, Rio de Janeiro — RJ; Carlos Drummond de Andrade (1902 1987), mineiro de Itabira, poeta, contista e cronista, viveu intensamente o seu tempo e nos ofereceu como legado incontáveis obras em verso e prosa publicadas em livros, jornais e revistas pelo país afora e no resto do mundo; suas obras: Alguma Poesia (1930); Brejo das Almas (1934); Sentimento do Mundo (1940); José (1942); Confissões de Minas, crônicas e artigos (1944); A Rosa do Povo (1945); Novos Poemas; Claro Enigma (1951); Contos de Aprendiz (1951); Viola de Bolso (1952); Passeios na Ilha, crônicas e artigos (1952); Fazendeiro do Ar (1954); Fala, Amendoeira, crônicas (1957); A Bolsa & A Vida, crônicas (1962); A Vida Passada a Limpo; Lição de Coisas (1962); Cadeira de Balanço, crônicas (1966); Versiprosa (1967); Boitempo (1968); A Falta que Ama (1968); Caminhos de João Brandão, crônicas (1970); O Poder Ultrajovem, crônicas (1972); As Impurezas do Branco (1973); Menino Antigo — Boitempo II (1973); De Notícias & Não Notícias faz-se a Crônica (1974); Discurso de Primavera, e algumas sombras (1977); Contos Plausíveis (1981); Boca de Luar, crônicas (1984); Amar Se Aprende Amando (1985); O Avesso das Coisas, aforismos (1988); Farewell (1996) e outros textos...

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

Mário de Andrade: Lenda do Céu

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Andorinha, andorinha,
Andorinha avoou,
Andorinha caiu,
Curumim a pegou.

 Piá, não me maltrata, não!
Eu levo você pro mato
Enxergar bichos tamanhos
E correr com os guanumbis…

O menino brincava,
Andorinha sofria
E dum lado pra outro
Atordoada gemia:

 Piá, não me maltrata, não!
Eu levo você pro mar
Ver as ondas, ver as praias
Ver os peixinhos do mar…

O menino malvado
Taperá machucou.
E já morremorrendo
A coitada falou:

 Piá, não me maltrata, não!
Eu levo você pro céu…
E nunca ninguém não cansa
De ver as coisas do céu…
É um sítio bonito mesmo
Beiradeando o trem-de-ferro,
Lá você acha sua gente
Que faz muito que morreu.
Assegura em minha penas,
Vamos embora com Deus…

Andorinha, andorinha,
Andorinha avoou,
Foi subindo pro céu,
Curumim carregou.

 Assegura bem, menino,
Não olha pra baixo não.
Não tem sodade do mundo
Que o mundo é só perdição.

E avoando avoando
Afinal se chegou.
Andorinha desceu.
Curumim apeou.

Abriu os olhos e viu.
Era o céu… oh boniteza!
Tinha espingarda, gangorra
Estilingue... Tinha bichos
E tinha tantas surpresas
Que era mesmo um desperdício.

Olha um cachorro janguar!
Olha a ave seriema!
Olha aquelas três-marias
Da gente bolear nhandus!...

Era que nem um pomar
Com tanta fruta aromando
Que o ar ficava que ficava
Bonzinho de respirar.

O curumim caminhava
Seguindo os postes da linha,
Lá pelo varjão se ouvia
Duma fordeca a chispada,
E no meio-dia quente
Amulegando maneiro
Um aboio tão chorado
Que acuava no corpo doce
O sono do brasileiro.

Tinha mandioca e assaí
Mate cana arroz café
Muita banana e feijão
Milho cacau... Tinha até

Pra lá do cercado novo
Cheio de taperebás
Um rancho do nosso povo
Com seu mastro de São João.

No galpão um homem comprido
Duma quente morenez,
Com a pele bem sapecada
Pelo Sol deste país,
Gemia numa sanfona
Úa mazurca tão linda
Que se parava um bocado
O ouvido cantava ainda.

O menino olhou pro homem
E gritou:  B’as tardes tio!
 Meu sobrinho, entra no rancho,
Nossa gente já está aí.

E o piá se rindo matava
Saudades do coração.
Tomava a benção da mãe,
Do pai, abraçava o irmão,
Afinal topou com o primo
Que era unha-e-carne com ele
E comovidos os dois,
Os dois se deram a mão.

E foram brincar pra sempre
Pelos pagos abençoados
Do meio-dia do céu.

No céu sempre é meio-dia...
Não tem noite, não tem doença
E nem outra malvadez...
A gente vive brincando...
E não se morre outra vez.

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Antologia de Poemas para a infância (diversos autores), Organização de Henriqueta Lisboa e Ilustrações de Dawidson França, 3ª edição, 2009, Ediouro Publicações, Rio de Janeiro — RJ; Mário Raul de Morais Andrade (1893  1945), paulista e paulistano, formou-se em Ciências e Letras e, depois, em Canto no Conservatório Dramático e Musical de São Paulo, foi poeta, escritor, crítico literário, musicólogo, ensaísta, folclorista, professor de Música e de Artes e um dos expoentes da Semana de Arte Moderna de 1922 e do Modernismo; colaborou com os periódicos A Gazeta e O Echo (São Paulo), A Cigarra (São Paulo), Papel e TintaRevista do BrasilIllustração Brasileira, Klaxon, Revista de AntropofagiaTerra Roxa (revistas modernistas, em São Paulo e no Rio de Janeiro), Jornal do Commércio (São Paulo), Diário Nacional (São Paulo), O Estado de São Paulo e em outros veículos informativos e de arte pelo país afora; bibliografia: Há uma gota de sangue em cada poema (1917), Paulicéia desvairada (1922), A escrava que não é Isaura (1925), Amar, verbo intransitivo (1927), Ensaios sobre a música brasileira (1928), Macunaíma (romance, 1928), Compêndio da história da música (1929), Modinhas imperiais (1930), Música, doce música (1933), Belazarte (1934), Música do Brasil e Poesias (ambos em 1941), O Movimento Modernista (1942),  Aspectos da Literatura Brasileira (1943) e tantos outros títulos em verso, prosa e canto.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

Marioswald: Homenagem aos Homens que Agem

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Tarsila não pinta mais
Com verde Paris
Pinta com Verde
Cataguases

Os Andrades
Não escrevem mais
Com terra roxa
NÂO!
Escrevem
Com tinta Verde
Cataguases

Brecheret
Não esculpe mais
Com plastilina
Modela o Brasil
Com barro Verde
Cataguases

Resultado de imagem para Revista Verde nº 4

Villa Lobos
Não compõe mais
Com dissonâncias
De estravinsqui
NUNCA!
Ele é a mina Verde
Cataguases

Todos nós
Somos rapazes
Muito capazes
De ir ver de
Forde Verde
Os azes
De Cataguases

(do livro inédito “Oswaldário dos Andrades”)
Verde  Revista mensal de Arte e Cultura nº 4,
Cataguases  MG, dezembro de 1927.

Coleção Dicionários" lança volume sobre Oswald e Mário de Andrade ...
MariOswald
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Verde (Revistas do Modernismo 1922 — 1929), edição fac-similar, Prefácio / Ensaio de Júlio Castañon Guimarães e Organização de Pedro Puntoni e Samuel Titan Jr., 2014 — Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, São Paulo — SP; Marioswald é explicitamente um pseudônimo, criado pela junção dos nomes dos paulistas e paulistanos Mário de Andrade (1893  1945) e Oswald de Andrade (1890  1854), modernistas paulistas que realizaram a quatro mãos este poema-homenagem aos modernistas mineiros e sua revista Verde; foi em Cataguases  MG, com seu primeiro número publicado em setembro de 1927, que surgiu a Verde — Revista mensal de Arte e Cultura, com Henrique de Resende como diretor, Rosário Fusco e Martins Mendes como redatores e, como colaboradores, Carlos Drummond de Andrade, Emilio Moura, Abgar Renault, Pedro Nava, Blaise Cendras, Sérgio Milliet, Antonio de Alcântara Machado, Ascânio Lopes, Ascenso Ferreira, Ribeiro Couto, Yan de Almeida Prado, Mário de Andrade, Oswald de Andrade, entre outros mineiros, paulistas e de outros localidades; a revista teve seis edições e um suplemento especial que acompanhou a edição de nº 5; editou-se a de nº6 em maio de 1929, dedicada a Ascânio Lopes, poeta modernista mineiro que falecera em janeiro daquele ano; foi o último número da revista Verde; revistas do modernismo 1922  1929: A Revista, Klaxon, VerdeRevista de Antropofagia, Estética e Terra Roxa e outras terras.

terça-feira, 22 de janeiro de 2019

Mário de Andrade: Descobrimento

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Abancado à escrivaninha em São Paulo
Na minha casa da rua Lopes Chaves
De supetão senti um friúme por dentro.
Fiquei trêmulo, muito comovido
Com o livro palerma olhando pra mim.
Não vê que me lembrei que lá no Norte, meu Deus!
Muito longe de mim
Na escuridão ativa da noite que caiu
Um homem pálido magro de cabelo escorrendo nos olhos,
Depois de fazer uma pele com a borracha do dia,
Faz pouco se deitou, está dormindo.
Esse homem é brasileiro que nem eu.

Resultado de imagem para mario de andrade caricatura
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Antologia de Poemas para a infância (diversos autores), Organização de Henriqueta Lisboa e Ilustrações de Dawidson França, 3ª edição, 2009, Ediouro Publicações, Rio de Janeiro — RJ; Mário Raul de Morais Andrade (1893  1945), paulista e paulistano, formou-se em Ciências e Letras e, depois, em Canto no Conservatório Dramático e Musical de São Paulo, foi poeta, escritor, crítico literário, musicólogo, ensaísta, folclorista, professor de Música e de Artes e um dos expoentes da Semana de Arte Moderna de 1922 e do Modernismo;  colaborou com os periódicos A Gazeta e O Echo (São Paulo), A Cigarra (São Paulo), Papel e TintaRevista do BrasilIllustração  BrasileiraKlaxon, Revista de Antropofagia, Terra Roxa (revistas modernistas, em São Paulo e no Rio de Janeiro), Jornal do Commércio (São Paulo), Diário Nacional (São Paulo), O Estado de São Paulo e em outros veículos informativos e de arte pelo país afora; bibliografia: Há uma gota de sangue em cada poema (1917), Paulicéia desvairada (1922), A escrava que não é Isaura (1925), Amar, verbo intransitivo (1927), Ensaios sobre a música brasileira (1928), Macunaíma  (romance, 1928), Compêndio da história da música (1929), Modinhas imperiais (1930), Música, doce música (1933), Belazarte (1934), Música do Brasil e Poesias (ambos em 1941), O Movimento Modernista (1942), Aspectos da Literatura Brasileira (1943) e tantos outros títulos em verso, prosa e canto.