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domingo, 5 de outubro de 2014

Virgínia Victorino: O que eu te não digo

O meu desejo era mandar-te prosa
cheia de cor, de brilho, de relevo,
na pequenina folha cor-de-rosa
deste papel vulgar em que te escrevo.

Palavras de ternura? Não me atrevo.
Se penso numa frase carinhosa
arrependo-me logo:  “Não… Não devo…”
E a página sai fria, dolorosa.

Lamentas-te. Bem sei que tens razão.
Quero escrever, falar, e não consigo…
Vê que perturbadora comoção!

E, contudo, tu tens de compreender
o que eu, por mais que faça, te não digo;
o que eu não sou capaz de te escrever.

(Namorados  1918)

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Português no colégio — primeiro e segundo anos dos cursos clássico, científico, normal e para a iniciação às Faculdades de Filosofia, de Raul Moreira Léllis, 14a. edição, 1970, Companhia Editora Nacional, São Paulo — SP; Virgínia Villa Nova de Sousa Victorino (1895 1967), natural de Alcobaça  Portugal, foi professora, dramaturga e poetisa; cursou Filologia Românica na Faculdade de Letras de Lisboa, e piano, canto, harmonia e italiano no Conservatório Nacional de Lisboa; dirigiu o teatro radiofônico na Emissora Nacional; escreveu e publicou Namorados (poemas, 1918  reeditado mais de uma dezena de vezes) e A Volta (teatro, 1932), entre outros livros de poesia e de peças teatrais; teve vasta colaboração em jornais e revistas portuguesas e brasileiras; recebeu premiações por sua obra.