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domingo, 24 de maio de 2015

Manoel Joaquim Ribeiro: Mais pode o sol deixar de ser luzente, . . . [soneto]

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Mais pode o Sol deixar de ser luzente,
E com a noite misturar-se o dia;
Ser a calma, bem como a neve fria,
E ser por natureza o gelo quente:

Mais pode o mar de ser movente,
E de ser rocha a bruta penedia,
Tornar-se em trevas tudo o que alumia,
E a mesma terra ser resplandecente:

Mais pode o mundo em nada ser desfeito
A matéria perder a gravidade,
Deixar o fogo de queimar o efeito: *

Mais pode, enfim, ser sombra a claridade,
Que eu deixar de sentir no terno peito
O golpe que me fere da saudade.


Nota do Organizador:
* Entenda-se: pode o fogo perder a capacidade de queimar.
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Panorama da Poesia Brasileira, Volume I — Era Luso-Brasileira, por Antonio Soares Amora, 1959, Editora Civilização Brasileira, Rio de Janeiro — RJ; do poeta Manoel Joaquim Ribeiro, ou Manuel Joaquim Ribeiro, quase nada se sabe; nascido na segunda metade do século XVIII, na Vila de Sanhoane, em Trás-os-Montes, Portugal, viveu em Minas Gerais até depois de 1831; em Florilégio da Poezia Brazileira, ou collecção das mais notáveis composições dos poetas brazileiros falecidos..., Tomo II (Imprensa Nacional, Lisboa Portugal, 1850), por Francisco Adolpho de Varnhagen, registra-se que "nenhumas notícias possuímos deste poeta, mais que, sendo professor régio de philosophia em Minas, mandou ao público, debaixo dos auspícios do ex-governador daquela província Bernardo José de Lorena, conde de Sarzedas, as suas Obras Poéticas, as quais se imprimiram em 1805 na imprensa régia em Lisboa em um tomo de 109 páginas de 8º."; em Metamorfoses: a poesia de Cláudio Manuel da Costa (Fundação Editora Unesp São Paulo, 1997), Capítulo 1 A Idade do Ouro do Brasil, por Edward Lopes, o poeta é citado como "Padre Manoel Joaquim Ribeiro".