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Eu sei,
Senhor, que não mereço nada,
Mas ponho
em tuas mãos, humildemente
Meu coração
que sofre. E, resignada,
Minha alma
aguarda, confiante e crente.
Quando eu
chegar ao termo da jornada
Em que a
morte, emboscada, espera a gente,
Tem pena
de minh’alma amargurada,
Vê que eu
também sou filho e sê clemente
Perdoa-me,
meu Deus, se eu sou culpado,
Se tanto
crime fiz, tanto pecado,
Que hoje
choro contrito... E dá, Senhor,
Que no
coro glorioso, que te exalta
No céu
profundo, não se sinta a falta
De minha
voz — cantando o teu louvor!
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Inspirados Sonetos de Autores Brasileiros
e Portugueses, Organização e Seleção de Milton Xavier de Carvalho e Prefácio de
Morvan Acayaba de Rezende, 1996, FUMARC — Fundação Mariana Resende Costa, Contagem
— MG; José Joaquim da Costa de Medeiros e Albuquerque (1867 — 1934), pernambucano
de Recife, foi funcionário público, jornalista, professor, contista, poeta, orador,
romancista, teatrólogo, ensaísta e memorialista; na imprensa usou também os pseudônimos
Armando Quevedo, Atásius Noll, J. dos Santos, Max e Rifiúfio Singapura; escreveu
e publicou Pecados (poesia, 1889), Canções da decadência (poesia, 1889), Mãe Tapuia
(conto, 1900), Poesias 1893 — 1901 (1904), Contos escolhidos (1907), O escândalo
(drama, 1910), Marta (romance, 1920), Fim (poesia, 1922), Teatro meu... e dos outros
(1923), O assassinato do general (conto, 1926), Por alheias terras (memória, 1931),
Laura (romance, 1933), e muitos outros títulos; foi autor da letra do Hino da República;
Medeiros e Albuquerque introduziu e tornou conhecidos os simbolistas franceses no
Brasil, tendo sido ele próprio um decadentista e um dos precursores do simbolismo
na poesia brasileira.



