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Jorginho foi preso
quando jogava bolinhas de gude
não usou arma de fogo
nem fez brilhar sua navalha
não usou arma de fogo
nem fez brilhar sua navalha
Jorginho era criança igual às outras
queria brincar
o brinquedo poderia ser um revólver
uma navalha
um pandeiro
quem sabe um cavalinho de pau
Jorginho queria brincar
Jorginho viu um filme americano
no outro dia
fez uma quadrilha de mentirinha
sempre brincando
a quadrilha foi ficando de verdade
Jorginho ficou grande como Pelé
todos os dias saía no jornal....
sempre brincando
a quadrilha foi ficando de verdade
Jorginho ficou grande como Pelé
todos os dias saía no jornal....
Televisionado
só não deu autógrafo
porque estava algemado
só não deu autógrafo
porque estava algemado
Ele era o facínora
que brincava com bolinhas de gude.
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Poemas Antológicos de Solano Trindade, Seleção e Introdução de Zenir Campos Reis, segunda edição, 2011, Editora Nova Alexandria, São Paulo — SP; Francisco Solano Trindade (1908 — 1974), pernambucano de Recife, foi ativista, poeta, pintor,
folclorista e teatrólogo; viveu no Recife, no Rio de Janeiro, no
Embu das Artes; militante das causas do povo negro, ajudou na realização e
participou do I Congresso Afro-Brasileiro (Recife, 1934), atuou também no II Congresso
(Salvador, 1936); escreveu e publicou Poemas Negros (1936), Poemas de
uma Vida Simples (1944), Seis Tempos de Poesia (1960) e Cantares ao
meu Povo (1962).