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sábado, 8 de novembro de 2014

Solano Trindade: Bolinhas de gude

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Jorginho foi preso
quando jogava bolinhas de gude
não usou arma de fogo
nem fez brilhar sua navalha

Jorginho era criança igual às outras
queria brincar
o brinquedo poderia ser um revólver
uma navalha
um pandeiro
quem sabe um cavalinho de pau
Jorginho queria brincar

Jorginho viu um filme americano
no outro dia
fez uma quadrilha de mentirinha
sempre brincando
a quadrilha foi ficando de verdade
Jorginho ficou grande como Pelé
todos os dias saía no jornal....

Televisionado
só não deu autógrafo
porque estava algemado

Ele era o facínora
que brincava com bolinhas de gude.

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Poemas Antológicos de Solano Trindade, Seleção e Introdução de Zenir Campos Reis, segunda edição, 2011, Editora Nova Alexandria, São Paulo SP; Francisco Solano Trindade (1908  1974), pernambucano de Recife, foi ativista, poeta, pintor, folclorista e teatrólogo; viveu no Recife, no Rio de Janeiro, no Embu das Artes; militante das causas do povo negro, ajudou na realização e participou do I Congresso Afro-Brasileiro (Recife, 1934), atuou também no II Congresso (Salvador, 1936); escreveu e publicou Poemas Negros (1936), Poemas de uma Vida Simples (1944), Seis Tempos de Poesia (1960) e Cantares ao meu Povo (1962).

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Autoria desconhecida *: Menino da rua

Fotógrafo: João Machado
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Menino da rua, que pinta e que esbanja, 
Que foge de casa, que furta laranja,
Do nosso quintal...
Que atiça cachorro, que joga bolinha,
Que engraxa sapatos, que xinga a vizinha.
Que vende jornal...

Menino da rua, moleque vadio,
Que fuma bagana, que nada no rio
Em dias de sol...
Que grita, que briga, que faz arruaças,
Que estraga os telhados, que quebra as vidraças
Com o seu futebol...

Menino da rua, que foge da escola
Que forma seu bando de gente gabola
Nos becos sem luz...
Que diz nome feio, que cospe e esconjura,
Que segue o palhaço, que mente, que jura
Com os dedos em cruz...

Menino da rua que pisa a enxurrada,
Que senta no chão, que suja a calçada,
Que é bamba dos bravos...
Que põe apelidos, que apanha foguetes,
Que busca recados, que leva bilhetes...
Por vinte centavos...

Menino da rua, magrinho e briguento,
Que quase não come, que dorme ao relento,
Sem nada queixar...
Que vai ao cinema, que banca o mocinho,
Que canta e assobia, que sofre sozinho.
Que vive sem lar...

Menino da rua, de brecha na testa,
De calça rasgada, que em dia de festa
A gente não vê...
Que joga baralho, que pula, que salta,
Que briga de pique... menino peralta,
Invejo você!
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Este poema, de autoria desconhecida por enquanto, fez parte da minha pré-adolescência em Iperó SP. Tomei contato com o texto em 1965, quando eu tinha doze anos e cursava a primeira série do antigo ginásio em Boituva, uma cidade próxima de Iperó. Constava do livro didático à época, e do qual também não retive o nome do autor. Quanto esquecimento! Já bem recentemente, nas minhas pesquisas googleanas e que tais, consegui recuperar tão somente o texto do poema, mas nada nem sinal do nome do ou da poeta. Nas visitas que ainda faço em sebos, sinto-me como que procurando agulha em palheiro. Outra informação: o poema 'Menino da Rua' foi publicado no jornal O Agudense, número 17, de 16.06.1960  direção de Édio Sormani, de Agudos — SP. Descobri isso recentemente e, claro, ali também não consta a autoria.

Fica a dica, para quem quiser colaborar: Que tal continuarmos a pesquisa? Grato, desde já.