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[traduzido por Carlos Maranhão]
[traduzido por Carlos Maranhão]
Que eu fizesse um soneto quis Violante,
e logo ao seu comando me submeto:
quatorze versos dizem que é soneto,
e enganados os três, vamos adiante.
Jamais pensei achar uma consoante
e na metade estou de outro quarteto:
mas, se caminho já para um terceto,
nas quadras nada vejo que me espante.
No primeiro terceto vou entrando,
e parece que entrei com o pé direito,
porque fim, com este verso, lhe vou dando.
Já no segundo estou, e até suspeito
que vou os treze versos acabando:
conta se são quatorze, e... ei-lo, está feito!
| Lope de Vega |
Soneto de repente
Un soneto me manda
hacer Violante,
que en mi vida me he visto en tanto aprieto;
catorce versos dicen que es soneto:
burla burlando van los tres delante.
Yo pensé que no hallara consonante
y estoy a la mitad de otro cuarteto,
mas si me veo en el primer terceto,
no hay cosa en los cuartetos que me espante.
Por el primer terceto voy entrando,
y parece que entré con pie derecho,
pues fin con este verso le voy dando.
Ya estoy en el segundo, y aun sospecho
que voy los trece versos acabando;
contad si son catorce, y está hecho.
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O Mundo Maravilhoso do Soneto,
de Vasco de Castro Lima, Prefácio de Rangel Coelho, 1987, Livraria Freitas
Bastos S/A, Rio de Janeiro — RJ; Lope Felix de
Vega Carpio (1562 — 1635), espanhol de Madrid, poeta,
escritor e dramaturgo, foi um menino prodígio: aos cinco anos lia em castelhano
e latim, aos dez fez traduções do latim para o espanhol, aos doze escreveu sua
primeira peça teatral; estudou na Universidade de Salamanca e teve vasta
produção teatral e literária; escreveu centenas de comédias e autos, além de
milhares de poesias líricas, cartas, romances, poemas épicos e outros; de sua
bibliografia, cite-se La Dragontea (poema extenso, 1598), Rimas (poemas,
1604), Arte Nuevo de Hacer Comedias (teatro barroco espanhol,
1606), Jerusalém Libertada (1609), Pastores de Belém (1612), Rimas
Sacras (1614), Romance Espiritual (1619), La
Dorotea (romance dramático, 1632), Amarílis (écogla, 1633), La
Gatomaquia (poema extenso, 1634), além de tantos outros escritos em versos
inspirados em histórias e lendas espanholas; é considerado o fundador da
comédia hispânica e, por sua inesgotável capacidade criativa, um dos mais
prolíficos autores da literatura universal, chamado por seus contemporâneos de
"O Monstro da Natureza".