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“Certa vez para dar uma cagada,
ou por outra, passar um telegrama,
embarafustei por uma reservada
de um Café que eu nem sei como se chama.
Entro e, ao cagar, sorte danada:
num dos papéis sujos de merda e lama
vejo o retrato da mulher amada,
por quem meu peito o coração se inflama.
Nisto, interrompo minha caganeira,
pego o retrato dela e boto na algibeira,
satisfeito, sorrindo e suspirando.
Que porco! — hão de dizer — mas eu protesto.
Porque assim procedendo, no meu gesto,
Provei que gosto dela até cagando.”
[Comida brava]
* Nota da edição: Poema gentilmente recitado de memória por Gentil da Costa Lima.
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Lili
Leitão, O Café Paris e a Vida Boêmia de Niterói & Niterói, Poesia e Saudade
— Lyad de Almeida, Apresentação de João Sampaio e Prefácio de Luiz Antonio de
Farias Mello, 1996, Niterói Livros, Niterói — RJ; Luiz Antônio Gondim Leitão (1890 — 1936), mais conhecido como Lili Leitão, fluminense de Niterói, além de funcionário
municipal, foi jornalista, comediógrafo, humorista e poeta satírico; foi um dos
integrantes do movimento literário do Estado do Rio de Janeiro à época, o Café Paris,
os quais, numa autêntica “roda”, para ali se dirigiam e ali discutiam os boêmios,
profissionais liberais, artistas plásticos, jornalistas...; colaborou em vários
jornais, entre os quais A Capital, Jornal de Niterói, Gazeta da Manhã, O Fluminense,
muitas vezes sob o pseudônimo de Bacorinho, e editava, uma vez por ano, às vésperas
do carnaval, o tablóide O Almofadinha; escreveu e publicou: Sonetos (em parceria
com Sylvio Figueiredo, 1913), Vida apertada, sonetos humorísticos (1926), e produziu
peças para o teatro de revista: Tudo na rua (1914), Então não sei? (1915), Pra cima
de moi (1916), Logo cedo (1917), Das duas uma, Eu aqui e ela lá, O espora (todas
de 1918), Bancando o trouxa, Demi-garçone (ambas de 1921), A ceia dos presidentes
(1924, paródia de A ceia dos coronéis, de Bastos Tigre), O rendez-vous amarelo (1930,
caricatura de O reposteiro verde, de Júlio Dantas), Minha sogra é de outro
mundo (1933) e outras...; com o pseudônimo Armando Prazeres, o poeta-humorista reuniu
em Comidas bravas (edição reduzida, 192?) os poemas pornográficos recitados por
ele aos integrantes da Roda do Café Paris.







